domingo, 10 de agosto de 2008

500 Maiores Empresas da América Latina


[ 12 de agosto de 2008 - 10h45 ]
Economática: lucro da Petrobras é 3º maior das Américas
São Paulo - O lucro líquido da Petrobras no segundo trimestre deste ano, de R$ 8,783 bilhões, é o terceiro maior das Américas entre as companhias de capital aberto no período, sem considerar as empresas canadenses, de acordo com levantamento da Economática.
Convertido pela taxa de câmbio do encerramento de junho, o lucro da Petrobras foi de US$ 5,517 bilhões, abaixo apenas dos resultados das petrolíferas americanas ExxonMobil, de US$ 11,680 bilhões, e Chevron Texaco, de US$ 5,975 bilhões.
A mineradora Vale é a outra companhia brasileira que aparece na lista da Economática, na décima quarta colocação entre as mais lucrativas das Américas no período. A Economática levou em conta o resultado da mineradora pelo padrão contábil brasileiro (BR Gaap), que totalizou R$ 4,573 bilhões no período de abril a junho deste ano, ou US$ 2,873 bilhões. (AE)






Jaime Contreras e Rodrigo Díaz


RESUMO DE ARTIGO DA ECONOMIA AMERICA


Olhe cuidadosamente para a Petrobras. A empresa cresceu 30,1% em 2007, com vendas de US$ 96,3 bilhões. Com esse impulso, levou o segundo lugar entre as maiores empresas da América Latina: superou a PDVSA por US$ 58 milhões e está a US$ 7,5 bilhões de alcançar a Pemex.Se em 2008 a Petrobras mantiver o ritmo médio de crescimento dos últimos dez anos (de 18,63%) – e supondo que suas rivais mexicana e venezuelana também –, poderíamos adiantar que a companhia fechará o ano como a maior da América Latina em vendas (de fato, as cifras dos primeiros meses deste ano e suas descobertas de petróleo já poderiam confirmar essa tendência).O caminho da Petrobras para chegar à condição de maior empresa da América Latina é so-mente uma das diversas manifestações da forte liderança que as empresas brasileiras come-çam a exercer na região como um todo. As companhias brasileiras são as que mais crescem em vendas (35% em 2007, enquanto as 500 maiores empresas registraram média de 23%). Além disso, são as que lideram em mais setores e são, de longe, as principais protagonistas de todos os indicadores de crescimento desta edição das 500 da AméricaEconomia, nosso estudo anual que reúne uma completa informação financeira sobre as grandes corporações da Améri-ca Latina. Esta revista que você tem em mãos é uma edição cheia de recordes: as vendas conjuntas das 500 maiores da região somaram nada menos que US$ 1,95 trilhão (sim, com treze zeros), o dobro do registrado em 2003. Há outras formas de ver esse avanço: hoje, são 437 as empresas da região que registram vendas acima de US$ 1 bilhão, 103 mais do que no ano passado. E neste ano a “nota de corte” para participar do seleto grupo das 500 chegou a US$ 822 milh-ões, contra US$ 570 milhões no ano passado.Esta edição mostra ainda a recuperação neste ranking das empresas mexicanas, que desde 2002 vinham sofrendo uma queda sustentada em sua participação: de 241 entre as 500 maio-res em 2002 para somente 111 em 2006. Em 2007, seu número voltou a subir, para 134 em-presas. A expansão das empresas brasileiras e mexicanas castigou suas congêneres argentinas, colombianas, chilenas, peruanas e venezuelanas, que perderam terreno e cujo número, soma-do, foi reduzido de 169 para 144.Tais dinâmicas contradizem o senso comum de que as empresas localizadas em economias com moedas que se valorizaram frente ao dólar seriam as mais beneficiadas. Isso devido ao fato de que, como usamos o dólar norte-americano como unidade de análise para todas as empresas, nos países onde o valor do dólar tivesse caído mais as empresas apresentariam maiores taxas de crescimento. Mas a realidade é mais complexa.Embora a valorização de 17% do real frente à divisa dos EUA possa explicar em parte o bom desempenho das empresas brasileiras, esse mesmo fator não ajudou as de outros países cuja moeda também se valorizou em relação ao dólar, como o Peru, a Colômbia e o Chile. Isto porque, quando um produto é caro, não será fácil exportá-lo mesmo se seu preço diminuir, o que afeta negativamente o crescimento das empresas. Prova disso é que, entre as empresas que fazem parte da lista das 500 maiores, a importância das vendas no exterior se reduziu de 47,5% em 2006 a 39,8% em 2007. Na verdade, o que realmente se esconde por trás dos bons resultados das 500 maiores em 2007 é o aquecimento das economias internas. Aí, sim, houve boas notícias. Em 2007, a Amé-rica Latina registrou seu quarto ano de expansão consecutiva acima dos 3%, com um cresci-mento estimado pela AméricaEconomia Intelligence de 4,67%. Dinheiro no bolsoO setor petróleo/gás continua a ser o mais relevante entre as maiores empresas da região: com US$ 494 bilhões em vendas, representam 25% do total faturado por todas as 500. É seguido pelo setor comércio, que já se acomodou no segundo lugar, enquanto o de telecomunicações está em terceiro. Possivelmente, o caso mais interessante do ponto de vista setorial é da side-rurgia/metalurgia, que cresceu 54,9% em 2007, colocando-se como o quarto mais importante em vendas.O destaque da mineração vai por outro lado: apesar de os preços dos minerais terem galgado novas alturas, as vendas das empresas do setor cresceram apenas 22,2%, abaixo da média ge-ral das 500. Não obstante, especialmente graças ao alto preço do cobre, conquistaram lugares protagônicos em todos os indicadores de rentabilidade incluídos nesta análise.
Rentabilidade, aliás, parece ser algo cada vez mais escasso. De fato, a soma do lucro das 500 maiores empresas da região cresceu apenas 18%, menos que a média do aumento das vendas.Sobre rentabilidade, o ROE (lucro sobre patrimônio) médio das 500 caiu levemente, de 18,5% em 2006 a 18% em 2007. A queda do ROA (rentabilidade sobre ativos) médio foi menor: de 7,4% em 2006 passou para 7,3% em 2007.Esse cenário pode ficar mais evidente nos próximos meses. Isto porque este ranking das 500 maiores é publicado em meio a um panorama global incerto, no qual o maior mercado está em recessão e em que existem fortes ameaças de inflação e de aumento de taxas de juros em vá-rios países. Isso sem contar o preço do petróleo, que, apesar de beneficiar as empresas petrolí-feras, pressionou o custo da energia em geral.E esse é um fator importante: as 500 maiores empresas provavelmente também são as maiores consumidoras de energia da região.Algumas empresas já começaram a notar esses fatores em seus resultados para o primeiro semestre de 2008, e naquelas em que isso ainda não acontecem eles possivelmente serão no-tados durante o segundo semestre. Uma situação que poderia afetar o crescimento das 500 maiores como um todo. Mas vale repetir o clichê: tempos de crise também são tempos de oportunidades. E nossas 500 maiores corporações também são as organizações com mais re-cursos para enfrentar tempos difíceis e fazer negócios onde alguns só encontram problemas
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sexta-feira, 8 de agosto de 2008

BOLIVIA.




"Bolívia dos ricos" faz oposição a Evo Morales e quer presidente longe do Palácio Quemado


João PeresEspecial para o UOL


Em La Paz (Bolívia)


Avenidas largas, montanhas ao fundo, casas espaçosas com carros novos na garagem. Assim são Achumani e Calacoto, dois bairros da Zona Sul de La Paz que mais parecem fazer parte de outra Bolívia. E que integram um bloco político completamente distinto daquele que floresce no centro e na periferia da capital. Se nas regiões mais pobres Evo Morales é rei, não se pode dizer o mesmo dos redutos da classe alta.

Nas arborizadas ruas de Calacoto, em La Paz, Evo não tem apoio

A empresária Maria Eugênia Barreiro acha que o país retrocedeu


Nas lojas de grifes famosas, bares e restaurantes de preços mais altos, não há espaço para os tradicionais adesivos "Evo Si" que podem ser encontrados em todo o resto da cidade. E também não existem as pichações em muros louvando as conquistas do presidente indígena.Nas ruas arborizadas de Achumani e Calacoto, cresce uma oposição que não acompanha o sentimento do restante do altiplano boliviano, que é de apoio incondicional a Evo Morales. Para a nutricionista Verônica Cortez, a verdade é que o governo atual não é muito diferente dos anteriores. "Há muita corrupção, muito egoísmo. E é um governo carregado de ódio, de ressentimento, que tem muita energia ruim".A empresária Maria Eugênia Barreiro considera que a Bolívia já era um país atrasado em cem anos e agora está retrocedendo ainda mais. Ela pensa que as nacionalizações de algumas empresas, como as que operavam no setor de gás, foram muito prejudiciais ao país: "quem virá investir se há uma insegurança bárbara? Que empresário virá à Bolívia se não sabe o que vai acontecer amanhã?"Ao lado de Maria Eugência, a contadora Regina Medina concorda e acrescenta que há uma crise econômica terrível. O preço do frango, item fundamental do cardápio boliviano, nunca esteve tão alto.Para o militar reformado Julio Arano Saldaña, a única saída é a revogação do mandato de Evo Morales no domingo, quando a Bolívia vai às urnas para decidir se o presidente e oito dos nove governadores devem continuarseus mandatos. Ele acredita que se Morales não deixar o Palácio Quemado, o país vai chegar a uma guerra civil por conta da demanda de alguns estados por maior autonomia em relação ao governo central.Nos bairros de Achumani e Calacoto, ninguém esconde que a relação de Morales com o presidente da Venezuela Hugo Chávez incomoda. A enfermeira Jaqueline Mela admite que seu presidente chegou até a ter ações que outros governos não tiveram, mas afirma que ele se deixou influenciar muito pelo colega venezuelano. "Agora querem militarizar a todos nós. Não temos porque estar esperando outros países. O governo está provocando a todos, fazendo com que nos enfrentemos".Conforme constatamos, a oposição a Evo Morales está muito mais perto do que ele imagina e não é preciso cruzar a Bolívia até o departamento de Santa Cruz de La Sierra para encontrar descontentes com o presidente do país.
FINAL :

16/08/2008 - 18h01
Confirmada vitória esmagadora de Morales em referendo

Por Carlos Alberto Quiroga
LA PAZ (Reuters) - A Corte Nacional Eleitoral da Bolívia confirmou neste sábado a esmagadora vitória do presidente do país, Evo Morales, no referendo de domingo passado, mas o líder da oposição recebeu o resultado da consulta com uma enxurrada de insultos.
O presidente, de esquerda e origem indígena, acaba de cumprir a metade de seu mandato de cinco anos. Ele foi ratificado no cargo com 67,41 por cento dos votos válidos, informou a autoridade eleitoral, num momento em que setores conservadores retomam manifestações de protesto regionais.
Além de Morales, também foram ratificados os governadores de quatro departamentos que formam a chamada "meia lua" opositora e são liderados por Rubén Costas, de Santa Cruz.
Com esse resultado, permanece ativo o choque entre a nova Constituição "plurinacional" e socialista defendida por Morales e as reivindicações regionais de autonomia.
A divulgação da contagem de 99,99 por cento dos votos das seções eleitorais coincidiu com distúrbios em Santa Cruz, bastião direitista no leste da Bolívia, onde manifestantes defensores da autonomia regional tomaram brevemente na sexta-feira a sede da polícia.
"Os resultados confirmam uma vez mais a legitimidade de duas agendas que se opõem, o que obriga à busca de um ponto comum, antes que os surtos de violência se estendam perigosamente", disse o diretor do independente Centro para a Democracia Multipartidária, Guido Riveros.
O resultado confirmou também a prevista derrota dos governadores dos departamentos andinos de La Paz e Cochabamba, aliados dos quatro departamentos da "meia lua", que desafiam Morales com suas ações pela autonomia.
A proclamação oficial dos resultados não será feita antes da última semana de agosto porque a votação terá de ser repetida em três seções do departamento de Oruro, no Altiplano, mas esses sufrágios são insignificantes no total de 21.974 urnas habilitadas para 4,04 milhões de eleitores em todo o país.
De acordo com o cômputo final, Morales recebeu 2,1 milhões de votos, ou 67,41 por cento, dos 3,3 milhões depositados, superando amplamente a votação com que chegou à presidência em janeiro de 2006: 1,5 milhão de votos, ou 53,7 por cento.
A participação eleitoral foi uma das mais altas na história boliviana: 83,33 por cento, segundo as autoridades eleitorais.
A Organização dos Estados Americanos rechaçou denúncias de supostas irregularidades no referendo e "validou a consulta em todos e cada um dos nove" departamentos, segundo declarou em Assunção, no Paraguai, o secretário-geral da entidade, José Miguel Insulza, de acordo com a imprensa local.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

CURSO : FINANÇAS PESSOAIS


Objetivo

Conscientizar o participante da importância em administrar as finanças pessoais, independente do quanto se ganha. O descontrole financeiro trás como conseqüência a irritação, a desmotivação, o desânimo, o stress, a preocupação afetando diretamente a vida pessoal, familiar e profissional.Neste curso o participante vai receber orientações de como implementar de maneira prática e simples as soluções necessárias.
Programa
Primeiro dia:-
Por que temos dificuldades financeiras?- Quando e onde começou essa carência financeira?- Qual orientação básica faltou no processo da educação financeira?- Como, de maneira simples, implementar a solução?
Segundo dia:-
Importância do orçamento doméstico para equilíbrio das receitas e despesas, e quais razões porque o brasileiro normalmente não faz.- Como elaborar um orçamento.- Como usar adequadamente o crédito bancário.- Na compra à vista ou prazo: qual o melhor procedimento.- Qual o melhor plano de pagamentos para aquisição de um imóvel.- Em havendo correção qual o indexador mais apropriado.- Como calcular, de maneira prática, a taxa de juros cobrada nas operações de empréstimos e ou financiamentos.- Custo Efetivo Total: em que consiste e qual a sua importância.- Em que aplicar os recursos disponíveis: renda fixa, renda variáveis ou imóveis.- O que é como funciona a Previdência Privada.
Pós-palestra
É disponibilizado aos participantes o e-mail dos instrutores para consultas pessoais.Data de realização: 03 e 04 de Setembro de 2008Horário: das 19:00 ás 22:00 horasLocal: Auditório da Sede da Ordem dos Economistas do Brasil Vd. Nove de Julho, 26 - São PauloInscrições e Informações: (11) 3291-8734/35 E-mail:
eventos@oeb.org.br

Fome: nao basta só produzir mais

Javier Diez Canseco
Lima / Meio Ambiente –

A fome assola boa parte do mundo. Os preços dos alimentos disparam, resultam inatingíveis para milhares de pobres. Subiram 83% em três anos. Jean Ziegler, da ONU, qualifica o fato como um " silencioso assassinato em massa". Violentos levantamentos sacodem o Haiti, Senegal, Egito, Camerún, Costa do Marfim, Mauritânia, Etiópia, Yemen, Uzbequistão, Tailândia, Indonésia, Filipinas e até a Itália. No Peru, o aumento dos preços de alimentos provoca crescentes protestos, erosiona a corrupta gestão do alanismo (desesperado, reparte sacolas de comida com as FFAA à noite), e aumenta a adesão à Greve Nacional. A preocupação é mundial: Unicef e o BM instam os países produtores a controlar desproporcionados aumentos de preços e evitar revoltas sociais.
Iniciamos o século XXI em pleno desenvolvimento da revolução científico-técnica, um progresso sem precedentes da tecnologia e da produtividade, sendo capazes de alimentar todo o planeta. Ademais, a China e a Índia abrem passo ao desenvolvimento. O capitalismo disse ter derrotado o socialismo e pregou a validez de uma ideologia única: a ganância e o lucro constituem o motor da economia; o principal instrumento são as grandes multinacionais; a desregulação e o quase desaparecimento do Estado é uma religião. Mas a fome faz o mundo recordar que as coisas são muito diferentes. Ziegler culpa a "globalização da monopolização dos ricos na Terra" e as multinacionais de uma "violência estrutural". Claro, mais querem comer e não basta só produzir mais, como bem sabemos no Peru. Requer distribuir com justiça o produzido e que todos tenham direito a ter acesso a um nível de vida digno, o que não interessa as multinacionais. Sua maior produção e lucro é a custa do povo humilde, de vergonhosos privilégios tributários, ou de priorizar incondicionalmente o uso da água para a grande mineração, danando o ecossistema, o agro e a pecuária que são espaços de desenvolvimento sustentável, nao esgotável e de segurança alimentar para a naçao. Nós, povos originário, sabemos bem disso, já que fomos obrigados a abandonar uma próspera agricultura para sermos dizimados na exploraçao mineira colonial
Não basta desenvolver ciência e tecnologia. Urge que cheguem à gente e sirvam a seu bem-estar, não só aos lucros dos grandes conglomerados econômicos. Também não é possível que um "mercado" desregulado e manejado por imensos monopólios imponha suas condições de rapinha a Estados raquíticos e inoperantes pondo os lucros empresariais excessivos sobre o direito à vida das pessoas.
O arroz, por exemplo, duplicou seu preço internacional nos últimos três meses. Uma feroz seca açoita a Austrália (reduzindo em 98% sua colheita que abastecia 20 milhões de bocas diárias). Será casualidade ou produto do aquecimento global gerado por um modelo de industrialização que explode e maltrata a natureza em lugar de conviver com ela? Mas, nós nos perguntamos: que efeito está tendo, no aumento de preço dos alimentos e do combustível, graças à invasão de Bush no Iraque? (além disso, por que –se produzir um barril não custa mais de 12 dólares– se vende acima de 115 dólares?) E, certamente, devemos analisar o impacto que –sobre o preço dos alimentos– tem a pressão dos Estados Unidos e os países industrializados em orientar o setor agrícola para a produção de biocombustíveis e energia –mais rentável para eles– em vez de servir os requerimentos de alimentos de milhões de pobres. Finalmente, a que nos levará a intervenção do capital especulativo que aproveita a situação e investe –como o fez antes com ouro, minerais e petróleo– na compra a futuro de alguns alimentos, empurrando seu aumento?
Ao efeito do capitalismo selvagem (assim denominado por João Paulo II), soma-se o impacto do servilismo do governo de Alan García aos interesses das grandes multinacionais de mineração e financeiras, sua penosa e incondicional adesão ao pensamento do "Consenso de Washington" e suas políticas, assim como sua carência de uma política de segurança alimentar e de verdadeira promoção da agricultura, salvo os favores feitos a certos setores de exportadores que não chegam a 5% dos produtores agrários do Peru.
Alan Garcia não põe em ordem os grandes especuladores, não aplica o prometido imposto ao lucro exagerado do setor de mineração, não regula preços básicos para as pessoas nem aumenta os salários. Mantém seus amigos da UN no Banco Central de Reserva do Peru , como Velarde, embora sua política fracasse. Além disso, quer que esperemos o esbanjamento da mesa de banquete de seus amigos, que esperemos na madrugada –às vezes– um pacote de alimentos no valor de 6 dólares, repartido por soldados. E os que questionarem sua política, arriscam a ser "terrucos", detidos e processados (como os 7 da fronteira com o Equador, ou os dirigentes da Greve Nacional do setor Agrário) ou receber balas na cabeça (como os camponeses de Ayacucho), disparadas por atiradores "fantasmas". Mas Alan García aprenderá que medo e chumbo não acalmam a fome de pão e de justiça dos peruanos.
________________________Javier Diez CansecoMembro do Conselho Editorial de Sinpermiso. Artigo publicado em
www.sinpermiso.info.
(Fonte:
www.miradaglobal.com)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

USA - Fraude cartão de crédio.





EUA indiciam 11 em 'maior caso de fraude' da sua história

Autoridades americanas indiciaram 11 pessoas suspeitas de envolvimento no roubo de informações sobre cartões de crédito no maior caso de roubo de identidade da história dos Estados Unidos.Os 11, que são de cinco países diferentes, são acusados de roubar mais de 40 milhões de números de cartões de débito e crédito e depois vendê-los em uma "conspiração internacional". Eles teriam invadido sistemas de computadores usados por comerciantes e bancos para instalar softwares que lhes davam acesso a dados confidenciais.Entre as lojas que tiveram seus sistemas invadidos, estavam redes populares como a TJ Maxx (de roupas) e a Barnes & Noble (de livrarias).O Departamento de Justiça dos Estados Unidos definiu o golpe como "o maior e mais complexo caso de roubo de identidade" a resultar em acusações formais. Segundo o departamento, o caso provocou prejuízos "generalizados" entre bancos, comerciantes e consumidores comuns. "Este caso destaca a nossa crescente vulnerabilidade ao roubo de informações pessoais", afirmou o secretário de Justiça dos EUA, Michael Mukasey."Casos como este mandam uma mensagem clara àqueles que podem se sentir tentados a abusar das nossas redes de computadores para roubar informação e prejudicar pessoas e negócios que respeitam as leis." A investigação contou com a cooperação de outros países, incluindo Turquia e Alemanha.O governo americano tem tentado melhorar a sua abordagem para crimes de roubo de identidade, que têm um custo estimado em bilhões de dólares todos os anos para o país. Em 2006, o governo do presidente George W. Bush instituiu um grupo de trabalho com 17 departamentos e agências federais.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

RECEITA FEDERAL : NOVOS CONCEITOS.


LINA MARIA VIEIRA

Nova secretária da Receita quer maior número de alíquotas no IR

Para substituta de Jorge Rachid, duas alíquotas apenas sobrecarregam muito aqueles que ganham menos
PRIMEIRA MULHER a assumir a Receita Federal, Lina Maria Vieira, 57, diz que será uma "leoa com os sonegadores, com os maus contribuintes". Em sua primeira entrevista no cargo, na manhã do último sábado, ela disse à Folha que considera necessário ampliar o número de alíquotas do Imposto de Renda das pessoas físicas, atualmente de 15% e 27,5%. "Acho, sim, necessário aumentarmos a progressividade na tributação do Imposto de Renda das pessoas físicas."
ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A nova secretária da Receita não deu detalhes do modelo que considera mais adequado para o IR das pessoas físicas. A elevação do número de alíquotas é defendida pelo PT, mas sempre encontrou resistência na cúpula da Receita durante a gestão de Jorge Rachid, demitido do cargo na quinta-feira. Entre as medidas que defende para ajudar na fiscalização, está a volta da CPMF, chamada agora de CSS (Contribuição Social da Saúde). "Para efeito de controle e cruzamento de informações, mesmo que seja uma alíquota de 0,0001%, para a Receita é importante, mas como instrumento de controle." Ela adiantou que recebeu como missão da Fazenda preparar um "pacote de simplificação" fiscal e avisou que pretende acompanhar de perto as discussões no Congresso Nacional sobre a reforma tributária enviado pelo governo Lula. A seguir, os principais trechos da entrevista.

FOLHA - Como é ser a primeira mulher a assumir a Receita? A sra. se sente uma "leoa"? LINA MARIA VIEIRA - Venho trabalhando na administração tributária ao longos dos últimos 30 anos. No início da carreira eu era muito técnica. Depois, assumindo cargos, fui adquirindo tarimba na área de gestão, melhorando o relacionamento com entidades empresariais, com os demais órgãos do Ministério da Fazenda, com as secretarias de Fazenda dos Estados. Agora, essa coisa da "leoa" é uma marca da época do grande [Francisco] Dornelles [atual senador pelo PP-RJ]. Nesse caso, sou uma "leoa" sim, mas com os sonegadores, com os maus contribuintes. Serei implacável na defesa da sociedade.
FOLHA - A sra. vai tentar fazer com que os brasileiros entendam por que eles pagam tributos? VIEIRA - Levantei a bandeira da educação fiscal na 4ª Região [Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte], que é um trabalho demorado, mas precisamos iniciá-lo. Criamos a frase: "Receita Federal do Brasil: um leão em defesa da sociedade", para melhorar a imagem da Receita com a sociedade, para que ela entenda nossa função, mostrando que todo trabalho de combate à sonegação, ao contrabando, ao descaminho e à pirataria é uma proteção à indústria e ao comércio nacionais. É preciso também fazer um trabalho profundo para que as pessoas comecem a entender que elas pagam tributo, ele não cai do céu, é pago por todo cidadão e temos de ter o conhecimento e a capacidade de cobrar dos gestores públicos a boa aplicação dos recursos. De nada adiante bater recordes de receita se você não trabalha a qualidade do gasto.
FOLHA - A sra. acha que há espaço para novas desonerações? VIEIRA - Um dos pontos que nós trazemos para esta gestão na Receita é exatamente trabalharmos a simplificação, a desburocratização e a desoneração. Vamos fazer um pacote de simplificação, apresentar isso ao ministro [Mantega] para que consigamos melhorar a relação do fisco com a sociedade. É desejo do presidente Lula e uma das determinações que recebi do ministro.
FOLHA - A sra. pode adiantar as medidas desse pacote? VIEIRA - A primeira já foi lançada: é o fim da declaração para os isentos. Há algum tempo a Receita vinha trabalhando com a visão de que isso trazia demanda desnecessária no atendimento. O próximo passo é melhorar a qualidade nos centros de atendimento. Nossa missão é prestar um atendimento de excelência ao cidadão. Há outros projetos, como o Simples Nacional, em tramitação, com a inclusão de novas atividades.
FOLHA - A sra. vai discutir o Supersimples com o Congresso? VIEIRA - Vamos lá já nesta semana levar algumas sugestões que foram discutidas com os secretários estaduais e a Receita. Num primeiro momento, defendo a criação de um modelo feito no Rio Grande do Norte, chamado "Contribuinte Cidadão", para dar dignidade às pessoas que estão no comércio, mas na informalidade, como sacoleiros, pequenos feirantes e barraqueiros. No Estado, eles têm isenção do pagamento de ICMS até R$ 36 mil [de faturamento], mesma medida discutida no Congresso com a criação do MEI (microempresário individual). Existem outros pontos que foram levantados, como a inclusão de outras atividades [no Simples Nacional].
FOLHA - Mas a sra. foi contra o Supersimples? VIEIRA - Fui contra alguns dispositivos. Acredito que o Brasil não pode ser "vestido" com tamanho único. Nossas diferenças regionais e econômicas são gritantes. Conseguimos com muito êxito -quando eu era coordenadora do Confaz- incluir três limites: para os Estados que tinham até 1% do PIB, até 5% e acima de 5%, em vez do limite único de R$ 2,4 milhões. Não passava pela cabeça de ninguém ter um limite único para São Paulo e para o Piauí, por exemplo. Isso era inaceitável. Eu era contra alguns dispositivos, eram coisas lógicas.
FOLHA - O que a sra. acha de o Imposto de Renda das pessoas físicas ter apenas duas alíquotas? É possível aumentar esse número? VIEIRA - Precisamos aumentar [o número de alíquotas]. Se estamos aí para fazer justiça fiscal, essa é uma justiça que tem de ser feita. Temos de estudar. É coisa de sentar com a equipe da Receita. Talvez eles tenham algum estudo, mas acho, sim, necessário aumentarmos a progressividade na tributação do IR das pessoas físicas.
FOLHA - Para aumentar a progressividade o que a sra. considera mais adequado: criar alíquotas intermediárias ou superiores a 27,5%? VIEIRA - Em relação a essas alíquotas, nos demais países elas são bem maiores, há um alargamento dessas alíquotas. Precisamos enxergar que [no Brasil] apenas duas alíquotas sobrecarregaram muito aqueles que têm renda menor. Vou ter de me respaldar nesses estudos, nas experiências internacionais, para firmar uma convicção do que é melhor. Certamente vamos ter de fazer a ampliação dessas alíquotas, em termos de números. É necessário, é um clamor da sociedade.
FOLHA - O governo avalia isso? VIEIRA - Minha posição vai ter de se coadunar com as intenções do governo, não posso fazer isso sozinha. A Receita dá o estudo técnico. Pessoalmente, acho que é necessário ampliar [o número de alíquotas].
FOLHA - A criação do imposto sobre grandes fortunas também pode ajudar na progressividade? VIEIRA - Há muito tempo já existem dispositivos nesse sentido que nunca foram regulamentados. Há necessidade de aprofundamento desses estudos para vermos o que é melhor. Já existe a tributação estadual [através do Imposto sobre Transmissão "Causa Mortis" e Doações]. É algo que, se tiver de ser implementado, vai haver uma discussão muito ampla sobre isso. Neste momento, é melhor eu não opinar porque estamos vivendo um momento de muita especulação.
FOLHA - Alguns Estados adotaram programas de devolução de parte do ICMS para estimular as pessoas a pedir nota fiscal. É possível adotar esse mecanismo na esfera federal? VIEIRA - No plano federal acho mais complicado. O que queremos é essa parceria com os Estados e, nesse sentido, temos como apoiá-los nesse processo que eles já vêm desenvolvendo no combate à sonegação.
FOLHA - Qual a opinião da sra. sobre a carga tributária brasileira próxima de 37% do PIB? VIEIRA - A carga tributária vem crescendo, mas também é preciso deixar claro que a eficiência da Receita, o crescimento da economia, o ganho das pessoas, tudo isso reflete em melhoria da arrecadação. O trabalho do "leão" da Receita é proteger a nossa indústria. Quando trabalhamos [contra] a sonegação e a concorrência desleal, estamos dando condições ao comércio nacional de crescer.
FOLHA - Tendo sido secretária de Fazenda do Rio Grande do Norte, a sra. acha que o governo tem de ampliar a participação de Estados e municípios nas contribuições federais? VIEIRA - Essa é uma discussão muito grande no Confaz. A reforma tributária certamente vai trazer à discussão todos esses pontos. Temos de enxergar as atribuições inerentes aos municípios, aos Estados e à União, e colocá-los em condições de atender a sociedade plenamente. A preocupação maior é que todos os entes federados tenham condições adequadas de atender a sociedade, porque há um clamor muito grande por saúde de qualidade, educação, segurança e infra-estrutura. Temos de ver o que cabe a cada um ao dividir o bolo do que se arrecada.
FOLHA - A sra. já tem alguma idéia para reduzir a sonegação no país? VIEIRA - Precisamos fortalecer o relacionamento com as secretarias estaduais. É como o combate ao crime organizado: você não combate só, precisa de toda a força policial junto. Com a sonegação é a mesma coisa. A Receita, sozinha, não vai conseguir combatê-la, mas, aliada a outros atores, como as secretarias dos Estados e dos municípios, com todo o corpo fiscal, temos condições de montar um projeto forte.
FOLHA - O que a sra. acha da recriação da CPMF, agora como CSS? VIEIRA - Para efeito de controle e cruzamento de informações, mesmo que seja uma alíquota de 0,0001%, é importante, mas como instrumento de controle para a Receita Federal.

domingo, 3 de agosto de 2008

BOVESPA.


A hora da verdade (para a bolsa brasileira)
24.07.2008
Mais de 12 trilhões de dólares evaporaram dos mercados de capitais em todo o mundo nos últimos 12 meses. Na Bovespa, a tensão não pára de subir. A bolsa virou mico? Não. Mas parece ser o fim da exuberância irracional — e isso é bom

Evelson de Freitas


Sede da Bolsa de Valores de São Paulo: saída dos estrangeiros e entrada de pequenos investidores brasileiros
Por Eduardo Salgado e Giuliana Napolitano
EXAME Grandes ganhos e enormes perdas fazem parte da natureza do mercado financeiro e — mais especificamente — das bolsas de valores. Sempre foi assim. E provavelmente sempre será, ainda que a maioria dos mortais não possa prevê-los com precisão. No início do século 18, o físico Isaac Newton, um dos maiores gênios matemáticos que a humanidade já produziu, foi uma das vítimas da quebra de expectativas que o mercado, ciclo após ciclo, gera. Newton foi um dos investidores da South Sea Company, empresa britânica que prometia grandes lucros com a exploração comercial dos mares do Atlântico Sul. Parecia perfeito, num momento em que o comércio internacional ganhava força. Mas os planos não se concretizaram, o negócio tornou-se inviável, os investidores correram para vender suas participações e a South Sea quebrou. O acontecimento é descrito hoje como uma das primeiras bolhas financeiras da história. Newton foi engolido por ela e definiu sua frustração com a imprevisibilidade do mercado da seguinte forma: “Posso calcular o movimento das estrelas, mas não a loucura dos homens”.
Desde então, o capitalismo produziu, em intervalos irregulares, uma série de bolhas: o crash de 1929, a crise imobiliária japonesa nos anos 80, a exuberância irracional da internet na década de 90 e — a última delas — o chamado subprime americano, uma seqüência de perdas que começou com empréstimos imobiliários sem garantias e se espalhou por todo o sistema financeiro dos Estados Unidos. A crise do subprime completa agora um ano sem que se possa prever até quando “a loucura dos homens” vai gerar estragos e qual a dimensão exata deles. Estamos atravessando um período de expiação, e é nas bolsas de todo o mundo que suas conseqüências se manifestam mais rapidamente. Nos últimos 12 meses, 12 trilhões de dólares evaporaram dos mercados de capitais ao redor do mundo. Assustados e ansiosos para cobrir prejuízos em outros negócios, grandes investidores deixam os pregões, vendendo suas ações e derrubando as cotações. Isso inclui a Bovespa, a incensada bolsa brasileira. Durante todo este ano de turbulência internacional, a Bovespa comportou-se exemplarmente. Foi um dos poucos pregões do mundo a acumular uma alta — 10% em 12 meses. Mas seria ingenuidade achar que os investidores brasileiros — abençoados por um período de expansão na economia interna e com a valorização do preço das commodities agrícolas e minerais — passariam incólumes aos sucessivos maus resultados das instituições financeiras americanas, à ameaça de aumento da inflação e à desaceleração do crescimento mundial. Desde o início do mês de junho, o Índice Bovespa, que mede o desempenho das ações mais negociadas, caiu 18% — foi o período mais longo de quedas desde 2002. No acumulado de 2008, até o fechamento desta edição, as perdas eram de 6,6%. Novas ofertas de ações tornaram-se raras — foram três desde o começo deste ano. E cerca de 70% das empresas que abriram o capital nos últimos quatro anos valem hoje menos do que valiam na época de seus IPOs (veja reportagem na pág. 24). Bem-vindo à vida como ela realmente é. A exuberância demonstrada pela bolsa brasileira nos últimos anos pode ter feito crer aos 2,5 milhões de investidores do país — entre aqueles que investem diretamente e os que aplicam por meio de fundos — que a trajetória do mercado aponta sempre para cima. Mas essa não é a ordem natural das coisas. “Os altos e baixos do mercado são comuns, mas muitos investidores pareciam ter se esquecido desse detalhe”, diz o americano Jim Rogers, ex-sócio do investidor húngaro George Soros e dono da empresa de investimentos Rogers Holdings. “Agora estamos em pleno momento de depuração.” E isso não é necessariamente ruim.
O principal alimento da turbulência recente na bolsa brasileira é o histórico de más notícias vindas dos Estados Unidos. “Cresce a percepção de que não haverá uma solução rápida e fácil para essa situação”, diz o americano Robert “Bear” Arnott, sócio da consultoria financeira Research Affiliates. Dias atrás, o IndyMac, banco com nome de lanchonete e uma carteira carregada de hipotecas podres, quebrou na Califórnia. As próximas semanas e meses prometem surtos de grandes emoções. O governo americano quer colocar em prática o plano de salvamento das companhias Fannie Mae e Freddie Mac, que correm o risco de quebrar. Juntas, elas respondem por quase metade dos 12 trilhões de dólares de hipotecas nos Estados Unidos. É improvável que a falência se concretize, mas a má situação dessas companhias é mais uma demonstração de fragilidade na maior economia do mundo, responsável por cerca de 30% do consumo do planeta. E isso já é suficiente para despertar — como diria Newton — o medo e a loucura dos homens. “Fannie e Freddie são parte do problema, mas, mesmo depois que se encontre uma solução para essas empresas, muito mais sangue será derramado”, diz Kenneth Rogoff, professor de economia da Universidade Harvard e ex-economista-chefe do FMI. Em setembro, três grandes bancos de investimento publicarão seus resultados trimestrais — entre eles o Lehman Brothers, um dos que estão em situação mais vulnerável. Ao longo desse caminho, as bolsas devem continuar reagindo aos anúncios do desempenho da economia americana e às oscilações na cotação do petróleo.
É nesses momentos que o investidor se torna mais seletivo, premia as ações de empresas consideradas sólidas e foge do risco. Muito da performance razoável da Bovespa ante outros pregões do mundo aconteceu por causa da atração que papéis de empresas como Vale e Petrobras exercem. Juntas, as ações das duas companhias representam 30% de todo o volume transacionado na Bovespa. Quando os preços dessas ações sobem puxados pelo boom das commodities — como tem sido o caso nos últimos tempos devido à crescente demanda de China e Índia —, o Índice Bovespa acompanha o movimento. A cada anúncio de descoberta de petróleo da Petrobras, aumenta o apetite dos investidores pelos papéis da estatal. Além disso, a pulverização no número de investidores ajudou. Hoje, cerca de 500 000 brasileiros aplicam diretamente na bolsa. “Existe uma forte correlação entre o aumento da riqueza de um país e a entrada de investidores locais na bolsa de valores”, diz Jim O’Neill, chefe do departamento de pesquisas econômicas do banco Goldman Sachs e autor do termo Bric, que designa o grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia e China. E, mais do que uma mudança quantitativa, houve um avanço em termos de qualidade. Uma parcela considerável desses investidores tem seguido o célebre conselho de John Templeton, um dos maiores financistas americanos: o melhor momento para investir em ações é quando “o pessimismo está no auge”. Nos últimos seis meses, investidores estrangeiros em fuga tiraram 6,7 bilhões de reais em ações da Bovespa, enquanto aplicadores brasileiros colocaram os mesmos 6,7 bilhões na bolsa, ajudando, assim, a diminuir o impacto da queda. Essa tendência se manterá? É difícil dizer.
Mercados de ações funcionam, basicamente, movidos por expectativas e, nesse ponto, mesmo com a desaceleração da economia americana e global, as projeções para o Brasil são positivas. Economistas do FMI que acabaram de atualizar suas previsões estimam que o Brasil crescerá 4,9% neste ano e 4% no ano que vem. Apesar da perspectiva de queda no ritmo da expansão, a economia brasileira, segundo o FMI, deve ficar acima da média mundial. Se essas previsões se materializarem, o país completará seis anos de crescimento superior a 3%. “Mesmo com o aumento da inflação e dos juros, a economia brasileira segue robusta”, diz Zeina Latif, economista-chefe do banco Real. Caso se confirme esse ambiente de crescimento econômico puxado por um mercado interno aquecido e pela produção de commodities, aumenta a chance das companhias de entregar os resultados prometidos aos investidores. É graças a essa expectativa que a maioria dos analistas ainda acredita que a bolsa brasileira sairá dos atuais 60 000 pontos para fechar o ano com 80 000.
Mesmo em meio à crise — e com o segmento de IPOs e ofertas de ações praticamente parado —, as empresas brasileiras vêm conseguindo se financiar lançando mão de outros mecanismos do mercado de capitais. As emissões de títulos de dívida somaram 17 bilhões de reais no primeiro semestre deste ano, quase 30% mais que no mesmo período de 2007, por exemplo. “Isso não ocorria no passado, quando os mercados costumavam ficar fechados para companhias sediadas no Brasil”, diz o advogado José Eduardo Carneiro Queiroz, sócio responsável por mercado de capitais do escritório Mattos Filho, de São Paulo. Há quem aposte que, além de sustentar a expansão das empresas para fazer frente à demanda crescente do mercado interno, esses recursos poderão ser utilizados para promover uma nova onda de internacionalização — dessa vez, tendo os Estados Unidos como alvo preferencial. “É um momento único: as empresas americanas estão baratas em razão da crise e da desvalorização do dólar, e as companhias brasileiras estão sólidas”, diz Charlie Welsh, fundador da Mergermarket, empresa inglesa especializada em estudos sobre fusões e aquisições. Para ele, um exemplo desse movimento foi a compra da cervejaria Anheuser-Busch pela belgo-brasileira InBev.
Apesar do otimismo, é possível que esse prognóstico positivo sobre o futuro da economia e da bolsa brasileira sofra alterações. Quedas bruscas no preço das commodities e uma drástica piora do quadro econômico nos Estados Unidos são os principais temores. Nos próximos meses, a economia americana viverá em meio a duas pressões conflitantes. “Por um lado, é preciso conter o crescimento para controlar a alta dos preços, mas o desaquecimento não pode ser forte demais ou haverá recessão mais adiante”, diz Vincent Reinhart, ex-diretor do Federal Reserve e atual membro do American Enterprise Institute, de Washington. Logo nos primeiros meses da crise, uma facção dos economistas achava que a melhor imagem para descrever o futuro da economia americana seria uma linha em V (ou seja, a atividade cairia rapidamente e teria uma recuperação igualmente veloz). Hoje, com o aperto do crédito, os especialistas se dividem entre os que acham que a atividade fará um traçado em U (queda, estabilidade em patamares baixos e aumento firme da atividade) e os que apostam num W (períodos de oscilações bruscas e radicais). Ninguém consegue dizer com segurança se já se chegou ao fundo do poço, e não está descartado o cenário de estagflação, a conjunção perversa de estagnação econômica com inflação, cenário que se concretizou pela última vez na década de 70. “A história é pontuada por momentos de expansão interrompidos por períodos de rupturas”, diz Nouriel Roubini, professor de economia da Universidade de Nova York que foi assessor da Presidência durante o governo de Bill Clinton. Quando cada um deles vai começar e terminar é algo que nem mesmo os grandes gênios foram capazes, até agora, de prever.