quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Fundo Soberano



Câmara aprova criação do Fundo Soberano do Brasil

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, por 291 votos a 78 e 4 abstenções, o substitutivo do deputado Pedro Eugênio (PT-PE) para o projeto que cria o Fundo Soberano do Brasil (FSB).
Em maio, Mantega falava em "cofrinho contra crises"
Ao anunciar no dia 13 de maio a criação do Fundo Soberano do Brasil, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse: "É como um cofrinho. Você recebe o seu salário, faz despesas, aí sobra um recurso. Aí você coloca no cofrinho"
Leia maisO fundo criado será composto de recursos excedentes ao superávit primário (que, atualmente, é de 3,8% do PIB) com a finalidade de financiar projetos empresariais estratégicos do Brasil no exterior e de permitir aplicações em ativos mais rentáveis, como ações e títulos privados. Ele funcionaria como uma espécie de poupança do governo para permitir o financiamento de investimentos. Além do excesso de superávit primário, outras fontes de recurso para a formação do fundo poderão vir da venda de ações de empresas de economia mista e da emissão de títulos públicos.Com a aprovação do projeto no Congresso, o governo espera a colocar R$ 14,2 bilhões no fundo com recursos do excesso de superávit primário.
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Veja a lista de medidas já anunciadas no Brasil para combater a criseOs deputados acompanharam o parecer do deputado Pedro Eugênio (PT-PE) e rejeitaram todas as 12 emendas de plenário.Em seguida, o presidente Arlindo Chinaglia encerrou os trabalhos e convocou sessão extraordinária para esta quinta-feira (30), às 10 horas, quando o plenário começará a analisar os destaques do projeto para votação em separado.Os líderes dos partidos fizeram um acordo, proposto pelo líder do DEM, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), para agilizar as votações relativas ao projeto. A oposição, capitaneada por DEM, PSDB e PPS, antes, vinha tentando adiar a votação da criação do fundo. Os três partidos obstruíam os trabalhos, posicionando-se contra a criação do fundo durante a crise internacional de crédito e diante de expectativas de recessão nos próximos anos, com possível redução de arrecadação tributária -a principal fonte de recursos do fundo.Dois destaques para votação em separado serão analisados nesta quinta-feira e outros quatro na próxima semana.(* com informações da Agência Câmara)

Peço Desculpas ....



Estou gravemente enfermo. Gostaria de manifestar publicamente minhas escusas a todos que confiaram cegamente em mim. Acreditaram em meu suposto poder de multiplicar fortunas. Depositaram em minhas mãos o fruto de anos de trabalho, de economias familiares, o capital de seus empreendimentos.Peço desculpas a quem assiste às suas economias evaporarem pelas chaminés virtuais das Bolsas de Valores, bem como àqueles que se encontram asfixiados pela inadimplência, os juros altos, a escassez de crédito, a proximidade da recessão.Sei que nas últimas décadas extrapolei meus próprios limites. Arvorei-me em rei Midas, criei em torno de mim uma legião de devotos, como se eu tivesse poderes divinos. Meus apóstolos – os economistas neoliberais – saíram pelo mundo a apregoar que a saúde financeira dos países estaria tanto melhor quanto mais eles se ajoelhassem a meus pés. Fiz governos e opinião pública acreditarem que o meu êxito seria proporcional à minha liberdade. Desatei-me das amarras da produção e do Estado, das leis e da moralidade. Reduzi todos os valores ao cassino global das Bolsas, transformei o crédito em produto de consumo, convenci parcela significativa da humanidade de que eu seria capaz de operar o milagre de fazer brotar dinheiro do próprio dinheiro, sem o lastro de bens e serviços.Abracei a fé de que, frente às turbulências, eu seria capaz de me auto-regular, como ocorria à natureza antes de ter seu equilíbrio afetado pela ação predatória da chamada civilização. Tornei-me onipotente, supus-me onisciente, impus-me ao planeta como onipresente. Globalizei-me. Passei a jamais fechar os olhos. Se a Bolsa de Tóquio silenciava à noite, lá estava eu eufórico na de São Paulo; se a de Nova York encerrava em baixa, eu me recompensava com a alta de Londres. Meu pregão em Wall Street fez de sua abertura uma liturgia televisionada para todo o orbe terrestre. Transformei-me na cornucópia de cuja boca muitos acreditavam que haveria sempre de jorrar riqueza fácil, imediata, abundante. Peço desculpas por ter enganado a tantos em tão pouco tempo; em especial aos economistas que muito se esforçaram para tentar imunizar-me das influências do Estado. Sei que, agora, suas teorias derretem como suas ações, e o estado de depressão em que vivem se compara ao dos bancos e das grandes empresas. Peço desculpas por induzir multidões a acolher, como santificadas, as palavras de meu sumo pontífice Alan Greenspan, que ocupou a sé financeira durante dezenove anos. Admito ter ele incorrido no pecado mortal de manter os juros baixos, inferiores ao índice da inflação, por longo período. Assim, estimulou milhões de usamericanos à busca de realizarem o sonho da casa própria. Obtiveram créditos, compraram imóveis e, devido ao aumento da demanda, elevei os preços e pressionei a inflação. Para contê-la, o governo subiu os juros... e a inadimplência se multiplicou como uma peste, minando a suposta solidez do sistema bancário.Sofri um colapso. Os paradigmas que me sustentavam foram engolidos pela imprevisibilidade do buraco negro da falta de crédito. A fonte secou. Com as sandálias da humildade nos pés, rogo ao Estado que me proteja de uma morte vergonhosa. Não posso suportar a idéia de que eu, e não uma revolução de esquerda, sou o único responsável pela progressiva estatização do sistema financeiro. Não posso imaginar-me tutelado pelos governos, como nos países socialistas. Logo agora que os Bancos Centrais, uma instituição pública, ganhavam autonomia em relação aos governos que os criaram e tomavam assento na ceia de meus cardeais, o que vejo? Desmorona toda a cantilena de que fora de mim não há salvação.Peço desculpas antecipadas pela quebradeira que se desencadeará neste mundo globalizado. Adeus ao crédito consignado! Os juros subirão na proporção da insegurança generalizada. Fechadas as torneiras do crédito, o consumidor se armará de cautelas e as empresas padecerão a sede de capital; obrigadas a reduzir a produção, farão o mesmo com o número de trabalhadores. Países exportadores, como o Brasil, verão menos clientes do outro lado do balcão; portanto, trarão menos dinheiro para dentro de seu caixa e precisarão repensar suas políticas econômicas.Peço desculpas aos contribuintes dos países ricos que vêem seus impostos servirem de bóia de salvamento de bancos e financeiras, fortuna que deveria ser aplicada em direitos sociais, preservação ambiental e cultura.
Eu, o mercado,peço desculpas por haver cometido tantos pecados e, agora, transferir a vocês o ônus da penitência. Sei que sou cínico, perverso, ganancioso. Só me resta suplicar para que o Estado tenha piedade de mim. Não ouso pedir perdão a Deus, cujo lugar almejei ocupar. Suponho que, a esta hora, Ele me olha lá de cima com aquele mesmo sorriso irônico com que presenciou a derrocada da torre de Babel. Frei Betto é escritor, autor de “Cartas da Prisão” (Agir), entre outros livros.

ARGENTINA : FUNDOS REPATRIAM DÓLARES.


A CRISE FOI EXTERNA E AFETOU DIRETAMENTE NOSSA ECONOMIA, NA MEDIDA EM QUE FOI AVANÇANDO E O BRASIL FOI JULGANDO - SE " BLINDADO ", CONFORME DECLARAÇÕES DAS TRÊS MAIORES AUTORIDADES, O PRESIDDENTE LULA, O MINISTRO MANTEGA E O PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL. APENAS ESQUECERAM-SE QUE OS GRANDES INVESTIDORES DAS BOLSAS SÃO ESTRANGEIROS E FUNDOS DE PENSÃO QUE EM PANICO, VIERAM BUSCAR SUAS RESERVAS AQUI, O MESMO OCORRENDO COM AS GRANDES EMPRÊSAS MULTINACIONAIS QUE AVANÇARAM NO MERCADO DO DÓLAR PARA REPATRIAR SUAS ECONOMIAS E COBRIR OS GRANDES ROMBOS . EIS UM BOM EXEMPLO DO QUE ESTÁ OCORRENDO HOJE. DESTA VEZ É NOSSO VIZINHO A ARGENTINA !!


O EDITOR.

Argentina pede a fundos de pensão que repatriem 544 milhões de dólares do Brasil

BUENOS AIRES, 29 Out 2008 (AFP) -


O governo argentino pediu aos fundos de pensão que repatriem 544 milhões de dólares investidos no Brasil, com o objetivo de estabilizar o mercado interno de capitais."Há um projeto de resolução para repatriar os fundos comuns de investimento do Brasil, para garantir um maior nível de liquidez no sistema financeiro local", declarou o gerente da Superintendência das Administradoras (de fundos de pensão)", Sergio Chodos.Chodos afirmou que "um depósito a prazo fixo na Argentina é um refúgio melhor para estes ativos, porque em momentos de muita volatilidade eles não estão sujeitos às flutuações de preço que afetam os bônus".Além disso, o gerente explicou que a repatriação dos 544 milhões de dólares "é um programa que será concluído em três dias", iniciado uma vez que o Banco Central ratifique a norma, que conta com o aval do organismo que controla os fundos de pensão privados

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Perdas globais com crise podem chegar a US$ 2,8 trilhões



da BBC Brasil
O Banco da Inglaterra (o banco central britânico) estima que as perdas globais para bancos e investidores na atual crise financeira podem chegar a US$ 2,8 trilhões.
Leia a cobertura completa da crise nos EUA10 questões para entender o tremor na economiaEntenda a evolução da crise que atinge a economia dos EUA
O número é equivalente a mais de duas vezes o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro (de US$ 1,3 trilhão, segundo dados do Banco Mundial) e mais de 5% do PIB mundial (de US$ 54,3 trilhões).
Segundo o analista de negócios da BBC Nils Blythe, o valor da nova estimativa é o dobro de uma anterior feita pelo Banco da Inglaterra em maio.
O banco também alertou que grandes riscos continuam ameaçando o sistema financeiro global mesmo depois das medidas adotadas por vários governos para fortalecer seus setores bancários.
O Banco da Inglaterra afirma que um novo sistema internacional de regulamentação é necessário para garantir que, durante períodos de crescimento robusto, os bancos reservem dinheiro para cobrir perdas em uma eventual desaceleração.
Em relação à situação no Reino Unido, o banco estima que as seis maiores instituições de crédito do país podem ter perdas de até 50 bilhões de libras (cerca de US$ 78 bilhões) nos próximos cinco anos.
De acordo com Blythe, isso explica a grande quantidade de fundos que as instituições de crédito do país foram aconselhadas a aceitar.

domingo, 12 de outubro de 2008

Zona do Euro decide capitalizar bancos para evitar quebras.

Paris, 12 out (EFE).- Líderes dos países da Zona do Euro reunidos neste domingo em Paris decidiram permitir um refinanciamento bancário "limitado" até o final de 2009 e de acordo com as "condições do mercado", disse hoje o presidente francês, Nicolas Sarkozy.
Diretor do FMI diz que apóia plano da União EuropéiaUE anuncia até quarta montante de socorroCom a crise, intervir em bancos é fundamental, diz FMIPacote de resgate alemão pode chegar a 400 bi de eurosAustrália vai garantir todos depósitos bancários dos correntistasFMI vê sinais de tensão em mercados emergentesPresidente do Citibank pede urgência nas medidas contar a criseOpinião: mercados devem permanecer abertos durante a criseSiga os principais fatos da crise financeira mundial"Não será um presente para os bancos", declarou o presidente francês, que disse ainda que na cúpula realizada hoje em Paris foi decidido que os Estados-membros da eurozona "poderão reforçar o capital dos bancos de seus respectivos países"."O plano que aprovamos tem a vocação de ser aplicado em cada um de nossos Estados-membros com a flexibilidade que se necessite em função da diversidade de nossos sistemas financeiros e de nossas regras nacionais", advertiu Sarkozy.O presidente francês assegurou que "é preciso devolver aos bancos a liquidez que precisam, que possam obter financiamento a médio prazo e reforçar seus fundos próprios".
SOCORRO

Líderes europeus reuniram-se neste domingo em Paris, para estabelecerem ações conjuntas contra a crise financeira que tomou conta dos mercados mundiais
"Os Governos da eurozona darão garantias públicas para operações de refinanciamento bancário. Este dispositivo temporário, até 31 de dezembro de 2009, será naturalmente devolvido em condições de mercado. Não se trata de dar um presente aos bancos, mas de permitir seu funcionamento", frisou Sarkozy.O francês, que ocupa a Presidência rotativa da União Européia, explicou que "os Estados que quiserem poderão reforçar o capital dos bancos mediante a subscrição de ações preferenciais ou com títulos similares"."Com uma estrutura financeira dos bancos que seja mais forte eliminaremos a pressão que pesa sobre o crédito", afirmou Sarkozy, que disse que os governantes dos 15 Estados do Eurogrupo manifestaram sua satisfação com as decisões tomadas pelo Banco Central Europeu (BCE).O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, "nos comunicou sua determinação absoluta para pôr tudo que for necessário em andamento para permitir o retorno à normalidade", assinalou Sarkozy.Encontro dos poderososOs chefes de Estado e de Governo dos países do Eurogrupo, além do presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, e do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, se reuniram neste domingo em Paris para discutir medidas que tirem o sistema financeiro mundial da crise.Entre os assuntos, discutiu-se a nacionalização parcial dos bancos, coordenação das intervenções de cada Estado, garantia de depósitos dos poupadores e controle das remunerações dos dirigentes, segundo diversos meios de imprensa.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Nações avaliam uma abordagem global à medida que o caos financeiro se espalha

Os Estados Unidos e o Reino Unido parecem estar convergindo para uma solução comum para o caos financeiro que está tomando conta do mundo, um dia antes de um encontro crucial de líderes financeiros ter início em Washington, um que a Casa Branca espera que resulte em uma resposta mais unida.Os planos britânico e americano, apesar de longe de idênticos, têm dois elementos comuns: injeção de dinheiro do governo nos bancos em troca de participação acionária e garantias de quitação de vários tipos de empréstimos.Ambos os remédios estarão no centro das atenções no sábado, quando o presidente Bush se reunirá com os ministros das finanças dos países mais ricos do mundo em um encontro incomum na Casa Branca para troca de idéias.O convite de Bush aos ministros das finanças do Reino Unido, Itália, Alemanha, França, Canadá e Japão ocorreu em um dia de telefonemas e troca de cartas entre líderes europeus e Washington. As autoridades lutavam para elaborar uma resposta coordenada ao sistema bancário global em dificuldades antes de seguirem para Washington para as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial."À medida que esta coisa se espalhou, surgiram as oportunidades de cooperação", disse David H. McCormick, o subsecretário do Tesouro para assuntos internacionais. "Nós precisamos promover e destacar essas áreas comuns."Com os mercados de crédito ainda congelados e os mercados de ações de todo o mundo desfalecendo, há um crescente consenso de que a crise agora está avançando tão rapidamente e é tão prejudicial à economia mundial que exige um grau sem precedente de coordenação mundial.A abertura do Tesouro a injeções diretas de dinheiro é uma mudança notável de tom em relação há poucas semanas, quando o secretário do Tesouro, Henry M. Paulson Jr., e o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben S. Bernanke, desencorajavam essas ações em um depoimento perante o Congresso."Colocar capital nas instituições representa fracasso", declarou Paulson em 23 de setembro. "Isto se trata de sucesso."Mas as autoridades do Tesouro disseram que a ênfase mudou na semana passada, em grande parte por causa do contínuo mergulho em parafuso dos mercados de ações.O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, defendeu em uma carta ao presidente da França, Nicolas Sarkozy, outra opção que está ganhando força entre os economistas - a garantia aos empréstimos de curto e médio prazo entre bancos. Ao persuadir os bancos a retomarem os empréstimos uns aos outros, o plano visa retirar da paralisia o mercado de crédito. "Esta é uma área onde uma abordagem internacional orquestrada poderia ter um efeito muito poderoso", disse Brown na quinta-feira, na carta de duas páginas.Funcionários do governo americano estão discutindo aspectos da proposta britânica, mas disseram que economias diferentes têm regras diferentes que complicam uma ação conjunta.Um alto funcionário do governo argumentou que a expectativa por um acordo em torno de propostas como a de Brown "elevaria irracionalmente as expectativas".Ainda assim, a recapitalização dos bancos e fazê-los retomarem os empréstimos estão no topo da lista de remédios que muitos economistas estão sugerindo. Ao agir de forma orquestrada, os países podem maximizar o impacto de suas ações, disseram esses especialistas, evitando ao mesmo tempo as distorções que ocorrem quando países agem de formas diferentes."No mínimo, você deseja reduzir os danos", disse Carmen M. Reinhart, uma professora de economia da Universidade de Maryland. "Você não deseja as políticas 'empobreça teu vizinho' que caracterizaram a Grande Depressão.""No máximo", ela continuou, "você consegue os princípios gerais - a necessidade de rápida recapitalização dos bancos, a necessidade de liquidez - para não termos um arrocho de crédito ainda maior".Dominique Strauss-Kahn, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), alertou os países contra tomarem medidas que possam desestabilizar os sistemas financeiros de seus vizinhos. Medidas unilaterais, ele disse, "precisam ser evitadas e inclusive condenadas".O diretor do FMI anunciou que o fundo ativou um mecanismo de financiamento de emergência, que lhe permitiria emprestar dinheiro mais rapidamente para os países com problemas financeiros, em conseqüência da crise.A Casa Branca confirmou que o Departamento do Tesouro está considerando adquirir participações acionárias dos bancos como parte de seu pacote de resgate de US$ 700 bilhões. Mas os funcionários disseram que a idéia está menos desenvolvida do que o plano para compra de ativos problemáticos dos bancos por meio "leilões reversos".A meta, disseram os funcionários do Tesouro, é um plano que esteja amplamente disponível para todos os bancos, em vez de pacotes de resgate específicos negociados caso a caso. Isso torna provável que o governo possa arcar em assumir apenas uma pequena participação em cada instituição individual.As injeções diretas de dinheiro seriam para bancos comparativamente saudáveis. Se um banco estiver correndo risco de falência e precisar ser resgatado ou fechado, o Seguro Federal de Depósitos Bancários seria o encarregado por meio de seus próprios procedimentos.A proposta do Tesouro de recapitalizar os bancos vem do entendimento de que à medida que o mercado de ações continua caindo, e os ativos ligados a hipotecas presentes nos balancetes dos bancos também despencam, fica cada vez mais difícil para os bancos levantarem capital junto aos investidores.O governo concluiu que poderia fornecer o capital mais rapidamente e com maior garantia se o fizesse diretamente.A mudança também pode refletir as crescentes dúvidas em torno do plano do Tesouro de compra dos ativos ligados a hipotecas. Por meio dos leilões reversos, os interessados em se desfazer dos ativos difíceis de vender competiriam para oferecê-los ao governo. Os leilões supostamente reanimariam o mercado para esses ativos e permitiriam aos investidores atribuir um valor para eles nos balancetes. Assim que os balancetes dos bancos estiverem limpos dos ativos tóxicos, prossegue a teoria, eles seriam capazes de atrair novo capital.Mas o conceito nunca foi testado, disseram especialistas, e a deterioração das condições do mercado diminui ainda mais suas perspectivas."Eu não acho que o plano esteja decolando", disse Martin N. Baily, um economista da Instituição Brookings. "Eu não sei se obteríamos a descoberta do preço, mas mesmo que conseguíssemos, quantos Warren Buffetts ou xeques do Oriente Médio existem que estejam dispostos a investir em bancos?"Outra vantagem do plano de recapitalização é mais sutil: o Tesouro receberia um retorno maior pelo dinheiro investido. Como os bancos têm uma relação de dívida para patrimônio de 10 para 1 ou mais, um dólar gasto na compra de uma participação acionária apoiaria 10 vezes mais ativos do que um dólar gasto comprando ativos individuais.Funcionários disseram que o governo poderia adquirir participações acionárias na forma de ações comuns, ações preferenciais pagando dividendos específicos ou alguma outra forma de participação. Mas os funcionários disseram que a oferta pelo governo de capital adicional deve ser feita de forma uniforme a todos os bancos.Está longe de claro que outros países aceitarão a necessidade de uma recapitalização por atacado de todos os bancos. Mesmo se aceitarem, nem o plano britânico e nem o americano necessariamente seriam um modelo."Há muita gente esfolando o gato de muitos modos diferentes", disse McCormick, o responsável do Tesouro pela organização das reuniões dos ministros das finanças, em uma entrevista. "Está claro que um modelo tamanho único não serve."Por sua vez, os funcionários americanos questionaram como o governo britânico e os bancos avaliariam o capital injetado nestes, para fins de tomada de participações acionárias. Eles também disseram que a proposta era vaga a respeito de como o governo trataria da remuneração dos executivos.Na lei de resgate aprovada na semana passada, o Congresso americano estipulou que o Tesouro deve limitar severamente a remuneração dos executivos de bancos aos quais fornecer capital - incluindo artigos que proíbem os ricos pacotes de rescisão e que ordenam que o governo retome os bônus baseados em lucros declarados que provarem estar incorretos.O plano do Reino Unido também depende da disposição de vários grandes bancos - Royal Bank of Scotland, Barclays e HSBC Holdings, entre eles - de vender ações preferenciais para o governo. Não está claro, disseram funcionários do governo, se os grandes bancos americanos concordariam com isso, particularmente dadas as restrições à remuneração dos executivos.Outra preocupação que os bancos provavelmente terão é que qualquer participação acionária do governo diluiria a participação dos atuais acionistas.Para os europeus, encontrar um ponto em comum tem sido difícil. Sarkozy tentou sem sucesso unir os líderes europeus em torno de um esforço de resgate. A Alemanha, em particular, resistiu ao esforço europeu, em parte por acreditar que acabaria resgatando seus vizinhos."Apenas uma ação coordenada por parte dos governos e bancos centrais será capaz de deter o risco ao sistema e assegurar o financiamento das economias", disse Sarkozy. Ele sugeriu um encontro especial de líderes do Grupo dos Oito países industrializados antes do fim do ano.Na quinta-feira, Nancy Pelosi, a presidente da Câmara federal dos Estados Unidos, e Harry Reid, o líder da maioria no Senado, fizeram o mesmo, dizendo que Bush deveria convocar uma reunião de emergência do G-8, que também inclui a Rússia. A Casa Branca já disse que Bush está aberto a essa reunião.Enquanto o mercado de ações despencava para seu ponto mais baixo em cinco anos na quinta-feira, a Casa Branca anunciava que Bush apareceria no Jardim das Rosas na manhã de sexta-feira para fazer uma declaração sobre a economia. Um alto funcionário do governo disse que seus comentários novamente buscariam acalmar os nervos, argumentando que o governo está fazendo tudo o que pode dentro do pacote de resgate, mas que isso leva tempo.Steven Lee Myers contribuiu com reportagem Tradução: George El Khouri Andolfato
Visite o site do The New York Times

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Para compreender a crise financeira.



Mercados internacionais de crédito entraram em colapso e há risco real de uma corrida devastadora aos bancos. Por que o pacote de 700 bilhões de dólares, nos EUA, chegou tarde e é inadequado. Quais as causas da crise, e sua relação com o capitalismo financeirizado e as desigualdades. Há alternativas?



Antonio Martins

A sensação de pânico que tomou o sistema financeiro em todo o mundo, no início da semana, persiste nesta terça-feira. A bolsa de valores de Tóquio caiu mais 3%, apesar de o Banco do Japão injetar mais 10 bilhões de dólares no sistema bancário. Na Europa, houve frágil recuperação das bolsas no início do dia, revertida em seguida, quando se anunciou que a situação do Royal Bank os Scotland (RBJ) pode ser crítica. A crise iniciada há pouco mais de um ano, no setor de empréstimos hipotecários dos Estados Unidos, viveu dois repiques, nos últimos dias. Entre 15 e 16 de setembro, a falência de grandes instituições financeiras norte-americanas [1] deixou claro que a devastação não iria ficar restrita ao setor imobiliário. No início de outubro, começou a disseminar-se a sensação de que o pacote de 700 bilhões de dólares montado pela Casa Branca para tentar o resgate produziria efeitos muito limitados. Concebido segundo a lógica dos próprios mercados (o secretário do Tesouro, Henry Paulson, é um ex-executivo-chefe do banco de investimentos Goldman Sachs), o conjunto de medidas socorre com dinheiro público as instituições financeiras mais afetadas, mas não assegura que os recursos irriguem a economia, muito menos protege as famílias endividadas.
Deu-se então um colapso nos mercados bancários, que perdura até o momento. Apavoradas com a onda de falências, as instituições financeiras bloquearam a concessão de empréstimos – inclusive entre si mesmas. Este movimento, por sua vez, multiplicou a sensação de insegurança, corroendo o próprio sentido da palavra crédito, base de todo o sistema. A crise alastrou-se dos Estados Unidos para a Europa. Em dois dias, cinco importantes bancos do Velho Continente naufragaram [
2].
Muito rapidamente, o terremoto financeiro começou a atingir também a chamada “economia real”. Por falta de financiamento, as vendas de veículos caíram 27% (comparadas com o ano anterior) em setembro, recuando para o nível mais baixo nos últimos 15 anos. Em 3 de outubro, a General Motors brasileira colocou em férias compulsórias os trabalhadores de duas de suas fábricas (que produzem para exportação), num sinal dos enormes riscos de contágio internacional. Diante do risco de recessão profunda, até os preços do petróleo cederam, caindo neste 6/10 a 90 dólares por barril – uma baixa de 10% em apenas uma semana. A tempestade afeta também o setor público. Ao longo da semana, os governantes de diversos condados norte-americanos mostraram-se intranqüilos diante da falta de caixa. O governador da poderosa Califórnia, Arnold Schwazenegger, anunciou em 2 de outubro que não poderia fazer frente ao pagamento de policiais e bombeiros se não obtivesse, do governo federal, um empréstimo imediato de ao menos 7 bilhões de dólares.
Desconfiados da solidez dos bancos, os correntistas podem sacar seus depósitos, o que provocaria nova onda de quebras e devastaria a confiança na própria moeda. Em tempos de globalização, seria “a mãe de todas as corridas contra os bancos”
Nos últimos dias, alastrou-se o pavor de algo nunca visto, desde 1929: desconfiados da solidez dos bancos, os correntistas poderiam sacar seus depósitos, o que provocaria nova onda de quebras e devastaria a confiança na própria moeda. Em tempos de globalização, seria “a mãe de todas as corridas contra os bancos”, segundo a descreveu o economista Nouriel Roubini, que se tornou conhecido por prever há meses, com notável precisão, todos os desdobramentos da crise atual.
Os primeiros sinais deste enorme desastre já estão visíveis. Em 2 de outubro, o Banco Central (BC) da Irlanda sentiu-se forçado a tranqüilizar o público, anunciando aumento no seguro estatal sobre 100% dos depósitos confiados a seis bancos. Na noite de domingo, foi a vez de o governo alemão tomar atitude semelhante. Mas as medidas foram tomadas de modo descoordenado, porque terminou sem resultados concretos, no fim-de-semana, uma reunião dos “quatro grandes” europeus [
3], convocada pelo presidente francês, para buscar ações comuns contra a crise. Teme-se, por isso, que as iniciativas da Irlanda e Alemanha provoquem pressão contra os bancos dos demais países europeus, onde não há a mesma garantia. Além disso, suspeita-se que as autoridades estejam passando um cheque sem fundos. Na Irlanda, o valor total do seguro oferecido pelo BC equivale a mais do dobro do PIB do país...
Também neste caso, os riscos de contágio internacional são enormes. Roubini chama atenção, em especial, para as linhas de crédito no valor de quase 1 trilhão de dólares entre os bancos norte-americanos e instituições de outros países. É por meio deste canal, hoje bloqueado, que o risco de quebradeira bancária se espalha pelo mundo. Mesmo em países menos próximos do epicentro da crise, como o Brasil, as conseqüências já são sentidas. Na semana passada, o Banco Central viu-se obrigado a estimular os grandes bancos, por meio de duas resoluções sucessivas, a comprar as carteiras de crédito dos médios e pequenos – que já enfrentam dificuldades para captar recursos.
Em conseqüência de tantas tensões, as bolsas de valores da Ásia e Europa estão viveram, na segunda-feira (6/10) um dia de quedas abruptas. Na primeira sessão após a aprovação do pacote de resgate norte-americano, Tóquio perdeu 4,2% e Hong Kong, 3,4%. Quedas entre 7% e 9% ocorreram também em Londres, Paris e Frankfurt. Em Moscou, a bolsa despencou 19%. Em todos estes casos, as quedas foram puxadas pelo desabamento das ações de bancos importantes. Em São Paulo, os negócios foram interrompidos duas vezes, quando quedas drásticas acionaram as regras que mandam suspender os negócios em caso de instabilidade extrema. Apesar da intervenção do Banco Central, o dólar chegou a R$ 2,20.
Até o momento, tem prevalecido, entre os governos, uma postura um tanto curiosa: eles abandonam às pressas o discurso da excelência dos mercados, apenas para... desviar rios de dinheiro público às instituições dominantes destes mesmos mercados
A esta altura, todas as análises sérias coincidem em que não é possível prever nem a duração, nem a profundidade, nem as conseqüências da crise. Nos próximos meses, vai se abrir um período de fortes turbulências: econômicas, sociais e políticas. As montanhas de dinheiro despejadas pelos bancos centrais sepultaram, em poucas semanas, um dogma cultuado pelos teóricos neoliberais durante três décadas. Como argumentar, agora, que os mercados são capazes de se auto-regular, e que toda intervenção estatal sobre eles é contra-producente?
Mas, há uma imensa distância entre a queda do dogma e a construção de políticas de sentido inverso. Até o momento, tem prevalecido, entre os governos, uma postura um tanto curiosa: eles abandonam às pressas o discurso da excelência dos mercados, apenas para... desviar rios de dinheiro público às instituições dominantes destes mesmos mercados.
O pacote de 700 bilhões de dólares costurado pela Casa Branca é o exemplo mais acabado deste viés. Nouriel Roubini considerou-o não apenas “injusto”, mas também “ineficaz e ineficiente”. Injusto porque socializa prejuízos, oferecendo dinheiro às instituições financeiras (ao permitir que o Estado assuma seus “títulos podres”) sem assumir, em troca, parte de seu capital. Ineficaz porque, ao não oferecer ajuda às famílias endividadas — e ameaçadas de perder seus imóveis —, deixa intocada a causa do problema (o empobrecimento e perda de capacidade aquisitiva da população), atuando apenas sobre seus efeitos superficiais. Ineficiente porque nada assegura (como estão demonstrando os fatos dos últimos dias) que os bancos, recapitalizados em meio à crise, disponham-se a reabrir as torneiras de crédito que poderiam irrigar a economia. Num artigo para o Financial Times (reproduzido pela Folha de São Paulo), até mesmo o mega-investidor George Soros defendeu ponto-de-vista muito semelhantes, e chegou a desenhar as bases de um plano alternativo.
Outras análises vão além. Num
texto publicado há alguns meses no Le Monde Diplomatique, o economista francês François Chesnais chama atenção para algo mais profundo por trás da financeirização e do culto à auto-suficiência dos mercados. Ele mostra que as décadas neoliberais foram marcadas por um enorme aumento na acumulação capitalista e nas desigualdades internacionais. Fenômenos como a automação, a deslocalização das empresas (para países e regiões onde os salários e direitos sociais são mais deprimidos) e a emergência da China e Índia como grandes centros produtivos rebaixaram o poder relativo de compra dos salários. O movimento aprofundou-se quando o mundo empresarial passou a ser regido pela chamada “ditadura dos acionistas”, que leva os administradores a perseguir taxas de lucros cada vez mais altas. O resultado é um enorme abismo entre a a capacidade de produção da economia e o poder de compra das sociedades. Na base da crise financeira estaria, portanto, uma crise de superprodução semelhante às que foram estudadas por Marx, no século retrasado. Ao liquidar os mecanismos de regulação dos mercados e redistribuição de renda introduzidos após a crise de 1929, o capitalismo neoliberal teria reinvocado o fantasma.
Wallerstein vê nos sistemas públicos de Saúde, Educação e Previdência algo que pode ser multiplicado, e que gera relações sociais anti-sistêmicas. Se todos tivermos direito a uma vida digna, quem se preocupará em acumular dinheiro?
Marx via nas crises financeiras os momentos dramáticos em que o proletariado reuniria forças para conquistar o poder e iniciar a construção do socialismo. Tal perspectiva parece distante, 125 anos após sua morte. A China, que se converteu na grande fábrica do mundo, é governada por um partido comunista. Mas, longe de ameaçarem o capitalismo, tanto os dirigentes quanto o proletariado chinês empenham-se em conquistar um lugar ao sol, na luta por poder e riqueza que a lógica do sistema estimula permanentemente.
Ao invés de disputar poder e riqueza com os capitalistas, não será possível desafiar sua lógica? O sociólogo Immanuel Wallerstein, uma espécie de profeta do declínio norte-americano, defendeu esta hipótese corajosamente no Fórum Social Mundial de 2003 - quando George Bush preparava-se para invadir o Iraque e muitos acreditavam na perenidade do poder imperial dos EUA. Em outro
artigo, publicado recentemente no Le Monde Diplomatique Brasil, Wallerstein sugere que a crise tornará o futuro imediato turbulento e perigoso. Mas destaca que certas conquistas sociais das últimas décadas criaram uma perspectiva de democracia ampliada, algo que pode servir de inspiração para caminhar politicamente em meio às tempestades. Refere-se à noção segundo a qual os direitos sociais são um valor mais importante que os lucros e a acumulação privada de riquezas. Vê nos sistemas públicos (e, em muitos países, igualitários) de Saúde, Educação e Previdência algo que pode ser multiplicado, e que gera relações sociais anti-sistêmicas. Se a lógica da garantia universal a uma vida digna puder ser ampliada incessantemente; se todos tivermos direito, por exemplo, a viajar pelo mundo, a sermos produtores culturais independentes e a terapias (anti-)psicanalíticas, quem se preocupará em acumular dinheiro?
O neoliberalismo foi possível porque, no pós-II Guerra, certos pensadores atreveram-se a desafiar os paradigmas reinantes e a pensar uma contra-utopia. Num tempo em que o capitalismo, sob ameaça, estava disposto a fazer grandes concessões, intelectuais como o austríaco Friederich Hayek articularam, na chamada Sociedade Mont Pelerin, a reafirmação dos valores do sistema [
4]. Seus objetivos parecem hoje desprezíveis, mas sua coragem foi admirável. Eles demonstraram que há espaço, em todas as épocas, para enfrentar as certezas em vigor e pensar futuros alternativos. Não será o momento de construir um novo pós-capitalismo?
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1] Em 12/9, o banco de investimentos Lehman Brothers quebrou, depois que as autoridades monetárias recusaram-se a resgatá-lo. No mesmo dia, o Merrill Lynch anunciou sua venda para o Bank of America. Em 15/9, a mega-seguradora AIG (a maior do mundo, até há alguns meses) anunciou que estava insolvente, sendo nacionalizada no dia seguinte com aporte estatal de US$ 85 bilhões
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2] O Fortis foi semi-nacionalizado pelos governos da Holanda, Bélgica e Luxemburgo. O Dexia recebeu uma injeção de 6,4 bilhões de euros, patrocinada pelos governos da França e Bélgica. O Reino Unido nacionalizou o Bradford & Bingley (especialista em hipotecas), vendendo parte de seus ativos para o espanhol Santander. O Hypo Real Estate segundo maior banco hipotecário alemão entrou numa operação de resgate cujo custo podia chegar a 50 bilhões de euros, mas cujo sucesso ainda não estava assegurado, em 5/9. A Islândia nacionalizou o Glitnir, seu terceiro maior banco
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3] Alemanha, França, Reino Unido e Itália, os membros europeus do G-8
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4] Sobre a contra-utopia hayekiana, ler, no Le Monde Diplomatique, “Pensando o Impensável” , de Serge Halimi