domingo, 15 de março de 2009

SEGURADORA AIG


AIG paga US$ 165 milhões em bonificações a executivos


da Folha Online

da Efe
A seguradora AIG, a mesma empresa que precisou de US$ 180 bilhões de
empréstimos do governo norte-americano, vai pagar US$ 165 milhões em bonificações a executivos.

Leia a cobertura completa da crise nos EUA
Entenda a evolução da crise que atinge a economia dos EUA
Entenda como a crise financeira global afeta o Brasil

Os prejuízos da AIG foram de US$ 99,3 bilhões em 2008.
A notícia está causando grande repercussão pelo mundo neste domingo e deve provocar reações dos mercados da Ásia e da Europa, quando abrirem nesta segunda-feira (16).
O empréstimou levou o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, a protestar ao principal executivo de AIG, Edward Liddy, nesta semana.
Liddy aceitou reduzir alguns pagamentos, mas, em carta enviada a Geithner, alertou para o perigo que a companhia correria de perder alguns de seus executivos, "se eles achassem que a compensação está submissa a um ajuste contínuo e arbitrário por parte do Departamento do Tesouro".
A AIG sustenta que as bonificações estão estipuladas nos contratos e não pode simplesmente suspendê-las.
"É um escândalo!", esbravejou Larry Summers, diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, em entrevista hoje à emissora rede de televisão "ABC".
No entanto, ele afirmou que os Estados Unidos "são um país de leis, há contratos e o Governo não pode revogá-los".
A reação no Congresso foi parecida. O democrata Barney Frank, presidente do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara de Representantes (Deputados), disse hoje à TV "Fox News", que o Governo deveria ter imposto à AIG "regras mais estritas desde o início" em troca de fornecer dinheiro público.
A intervenção na AIG começou pelas mãos do Federal Reserve (Fed, banco central americano), ainda durante o mandato de George W. Bush.
Apesar disso, o líder dos republicanos no Senado, Mitch McConnell, acusou o Governo de Barack Obama de "simplesmente ficar parado olhando e acusar a Administração anterior".
Na prática, os contribuintes americanos reembolsarão "alguns dos empregados que nos introduziram nesta confusão", disse o senador à "ABC".
As bonificações irão para o departamento de produtos financeiros de AIG, cujas apostas no mercado afundaram a empresa.

sexta-feira, 13 de março de 2009

CUSTO BRASIL


Custo Brasil (1) Texto publicado em 03 de Março de 2009 -
por Carlos Pimentel Mendes *


Volta-se a discutir, sob diversas formas, o chamado "Custo Brasil" – nome dado coletivamente à soma de despesas que o empresário enfrenta ao lidar com ineficiências e desperdícios causados pela burocracia, lentidão nos procedimentos, necessidade de oferecer propinas para obter documentos e serviços que são de seu direito legal, afora o excesso de impostos característico deste país. São todos fatores conhecidos que oneram os produtos e serviços ofertados aos mercados interno e mundial, tirando importante parcela da competitividade brasileira, às vezes inviabilizando certas atividades. No momento em que a situação econômica internacional força cada país, cada empresa, a controlar centavos de custo, é menos lícito ainda que o Brasil desperdice oportunidades em razão de acréscimos de custo que nunca deveriam existir.

Este Custo Brasil pode ser dividido em três: o da incompetência, o da burocracia e o da ganância. Os três se entrelaçam, entretanto, e características de uns passam a alimentar os processos que levam aos outros custos. A incompetência aumenta a burocracia (até pela necessidade de controles maiores sobre esses incompetentes). A ganância aumenta a incompetência (ao deixar de contratar os competentes, preferindo os que se sujeitam a ganhos menores) e a burocracia (célebre história de criar dificuldades para "vender" facilidades...). A burocracia privilegia muitas vezes a incompetência, pela falta de lógica de certas rotinas impostas, e abre espaços para a ganância (pela inadequação de controles sobre as atividades ou por induzir a gastos adicionais que só ocorrem pela vontade dos governantes de arrecadar mais e mais).

O problema, evidentemente, não é apenas brasileiro, existe em escala planetária e decerto ocorre desde tempos pré-históricos. Incompetência existe mesmo nos países mais adiantados, o mesmo vale para ganância e burocracia – é só analisar os fundamentos da dita "crise mundial", que não passa de uma crise de competência, ganância e controles governamentais registrada dentro de um país dito de primeiro mundo, como sejam os Estados Unidos.

Quando se fala de Custo Brasil, a questão não é a existência desses fatores, mas sim a sua quantidade específica e a sua soma final, insuportáveis para a sociedade brasileira e para a competitividade da economia deste país frente às demais nações. E volta-se a falar do assunto porque - quando todas as nações estão espremendo seus custos – ressalta cada vez mais o tamanho do problema brasileiro.

Já dissemos algumas vezes que o Brasil faz jus à fama imemorial de "paraíso terrestre". Séculos atrás, quando das primeiras navegações ibéricas, o fabuloso Éden era mostrado nas cartas náuticas como sendo situado numa então mítica ilha "Hi-Brazil". Quando Pedro Álvares Cabral aqui chegou, a flora e fauna exuberantes e exóticas motivaram os europeus a continuarem acreditando que no centro do território brasileiro ficaria mesmo o Paraíso descrito nos livros bíblicos. Mil teses foram formuladas provando tais afirmações, seja pela existência dos quatro grandes rios que, saindo do Éden, alcançariam o mar, seja pelo encontro das maravilhosas "aves falantes" etc. Ao descobrirem ouro e pedras preciosas, riquezas que sustentaram monarquias européias por vários séculos mais, o mito fugidio ganhava novas cores, mas ainda se reafirmava.

Porém, o paraíso brasileiro foi conspurcado pelos mesmos que o idealizaram. A ganância veio na frente, com os exploradores do pau-brasil, dos minerais, do trabalho escravo. A incompetência foi estimulada pela ganância: não interessava aos europeus que os brasileiros aprendessem ofícios nos quais poderiam depois concorrer com o Velho Mundo. E a burocracia veio como conseqüência: a cultura cartorialista, as normas sem lógica, a proibição de contestar ordens, a inadequação das regras européias à realidade do Novo Mundo. Deu no que deu

quinta-feira, 12 de março de 2009

O Brasil em 2050



Autor(es) : :: Delfim Netto
Carta Capital - 10/03/2009




Uma das variáveis estruturais críticas para a formulação de políticas econômicas, capazes de acelerar o desenvolvimento econômico com o uso dos mecanismos do mercado e de políticas públicas que deem moralidade à dura competição que nele prevalece, é a estrutura demográfica. O número de habitantes, a taxa de crescimento, a distribuição etária e, por gênero, a distribuição geográfica, a urbanização e a dinâmica interna, que é controlada pela evolução das taxas de natalidade e de mortalidade. Sua projeção é sempre difícil e sujeita a erros gerados pela própria endogeneidade do processo. Não é um problema trivial prever os efeitos finais de boas políticas. Por exemplo, a melhoria do nível de educação das mulheres tende a reduzir a taxa de mortalidade infantil pelo maior cuidado com sua higiene pessoal e com a da criança. Ao mesmo tempo, modifica o seu papel na divisão do trabalho no lar. Dá-lhes melhores condições de escolher a sua vida, o que estimula o uso de técnicas anticoncepcionais. Estas possibilitam o maior controle da taxa de fertilidade, o que tende a reduzir a taxa de natalidade. Uma coisa parece clara: boas políticas públicas de assistência social, de saúde e de educação tendem a reduzir, simultaneamente, a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade. Isso torna incertos os efeitos sobre a taxa de crescimento da população, mas trabalha na direção de envelhecer a estrutura etária. Pesquisas demográficas da ONU mostram que a idade mediana da população nas nações mais desenvolvidas cresceu de 29 anos, em 1950, para 37 anos, em 2000, e está projetada em 46 anos em 2050. O último trabalho do IBGE, Uma Abordagem Demográfica para Estimar o Padrão Histórico e os Níveis de Subnumeração de Pessoas nos Censos Demográficos e Contagem da População, incorpora uma projeção da população por sexo e idade até 2050, com as informações sobre a taxa de fecundidade dos dados da Pesquisa Nacional de Domicílios (Pnad) de 2002 a 2006. O trabalho constrói uma trajetória provável da taxa de fecundidade até 2050 e chega à conclusão que, no limite, ela será de 1,5 filho por mulher. Esse número seria alcançado entre 2027 e 2028. Obviamente, em certo momento isso estagnará o crescimento da população. Ela passará, em seguida, a decrescer. Verificadas as hipóteses, a população brasileira passaria por um máximo próximo a 220 milhões de habitantes em torno de 2040. O resultado não deixa de ser surpreendente e deve ser levado em conta na formulação de nossas políticas econômica e social, uma vez que o envelhecimento da população será rápido e dramático. A idade mediana da população saltará de 20 para 40 anos de 1980 a 2030 e deve atingir 46 anos em 2050, a mesma estimada pela ONU para o mundo desenvolvido. O gráfico dá uma ideia da evolução da população do Brasil entre 1872 (o primeiro censo imperial) e 2008, e mostra as projeções da população e a composição etária até 2050. Grosseiramente, até 2050 (que em termos de país é amanhã), o número de crianças cairá 56% (21,9 milhões) e o número de idosos aumentará 294% (36,5 milhões). É preciso formular políticas públicas que aumentem a produtividade dos que podem eventualmente trabalhar, que crescerá apenas 8,7% (11,1 milhões). A maior lição desses números é mostrar a futilidade das vinculações constitucionais para proteger certos setores, como se as necessidades da sociedade fossem fixas e eternas.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Brasil é o segundo mais atingido pela crise, aponta estudo da Fiesp



Da Agência Brasil


Um estudo apresentado nesta quarta-feira pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) diz que o Brasil é o segundo país mais prejudicado pela crise internacional. Em comparação com vários países, entre os quais Alemanha, Espanha, Reino Unido, Estados Unidos, Japão, Canadá, China, México e Coreia, o Brasil foi o que apresentou maior retração acumulada do Produto Interno Bruto (PIB) desde o início da desaceleração da economia mundial.De acordo com a pesquisa, o Brasil acumulou queda de 5,3 pontos percentuais do PIB (soma de todos os bens e riquezas produzidos no país) desde que a crise começou a afetar seu crescimento, no fim do ano passado. De um crescimento de 1,7% ocorrido no terceiro trimestre de 2008, o país apresentou variação do PIB de -3,6% no quarto trimestre.Os Estados Unidos, por exemplo, apresentaram diferença acumulada de -2,8 pontos percentuais: de um crescimento de 1,2% no terceiro trimestre de 2007 -o último antes do início da desaceleração-, o país fechou o quarto trimestre de 2008 com queda de 1,6% no PIB. No Japão, a variação foi de -4,2 pontos percentuais e na Zona do Euro, de -2,2 pontos.Levando em consideração as premissas do estudo, o Brasil só tem melhor resultado do que a Coreia, que acumula diferença de -7,2 pontos percentuais. O resultado, porém, foi acumulado em quatro trimestres de retração da economia. No Brasil, isso ocorreu em um trimestre."O que sente a sociedade são os pontos percentuais de queda do PIB", afirmou Paulo Francini, um dos responsáveis pelo estudo. "O Brasil, em termos de amplitude e em termos de prazo, não tem paralelos."

A crise e o fracasso dos economistas




O fracasso da economia acadêmica
Brasil
Autor(es): Antonio Delfim Netto
Valor Econômico - 10/03/2009




Em 1609, Galileu Galilei, (1564-1642) depois de ter aperfeiçoado um instrumento construído um pouco antes por óticos holandeses, produziu uma luneta que chamou de "Perspicillum". Com ela deu origem a uma revolução na astronomia. Por isso, a União Astronômica Internacional e a Unesco elegeram 2009 como o Ano Internacional da Astronomia. Qual é a profunda importância de Galileu? A resposta é simples, como nos informa o ilustre prof. Antonio Augusto Passos Videira (revista "Ciência Hoje", jan./fev. 2009: 18): "Suas descobertas contribuíram para minar a primazia da concepção aristotélica do cosmo, baseada na beleza dos corpos celestes e na imutabilidade dos céus. Em longo prazo, suas ideias - sustentadas pela matemática, por medidas e por uma retórica afiada - ergueram uma visão do mundo na qual se buscavam leis para os fenômenos naturais".
Mas qual a importância disso agora, há de perguntar-se, irritado, um daqueles economistas que se pensa portador da "verdadeira" ciência econômica? Eu também uso a matemática! A pequena diferença é que o seu "tipo" de conhecimento tem muito mais a ver com Aristóteles esteticamente matematizado do que com Galileu. Em lugar de tentar entender como funciona o sistema econômico, tenta ensiná-lo como deveria funcionar em resposta à beleza dos seus axiomas...
Essa é uma crítica antiga, mas que a corrente majoritária dos economistas (que à falta de nome melhor chama-se a si mesma de neoclássica) recusava-se a considerar diante do aparente sucesso da sua teoria na "explicação" do mundo dos últimos 25 anos. A cavalar crise financeira (em parte produzida pelos equívocos propagados pela própria "teoria") desconstruiu essa ilusão. Um grupo de oito importantes economistas (todos um pouco mais ou um pouco menos críticos, mas sem dúvida, competentes membros do "mainstream" e senhores da mais sofisticada matemática e econometria) acabam de publicar um trabalho, "A Crise Financeira e o Fracasso Sistêmico da Economia Acadêmica" 1. É um verdadeiro réquiem de corpo presente para a economia pré-galileliana, que foi dominante na última geração.
A síntese do artigo (em tradução livre) é a seguinte:
"A profissão dos economistas parece ter ignorado a longa construção que terminou nesta crise financeira internacional e ter significativamente subestimado as suas dimensões quando ela começou a manifestar-se. Na nossa opinião, essa falta de entendimento foi devida à má alocação dos recursos de pesquisa na economia. Fixamos as raízes profundas desse fracasso na insistência da profissão em produzir modelos que - por construção - ignoram elementos fundamentais que controlam os resultados no mundo dos mercados reais. A profissão falhou, lamentavelmente, na comunicação ao público das limitações e fraquezas e, mesmo, dos perigos que caracterizam os modelos de sua preferência. Esse estado de coisas deixa claro a necessidade de uma fundamental reorientação das pesquisas que devem ser feitas pelos economistas e, também, do estabelecimento de um código de comportamento ético, que exija deles o conhecimento e a comunicação (para o público) das limitações e dos maus usos potenciais possíveis de seus modelos".
O final do trabalho é ainda mais preocupante:
"Acreditamos que a teoria econômica caiu numa armadilha de um equilíbrio subótimo, no qual o grosso do esforço de pesquisa não foi dirigido para as mais angustiantes necessidades das sociedade. Paradoxalmente, um efeito retroativo, que se autorreforça dentro da profissão, levou à dominância de um paradigma que tem base metodológica pouco sólida e cuja performance empírica é, para dizer o menos, apenas modesta. Pondo de lado os mais prementes problemas da moderna economia e fracassando na comunicação das limitações e das hipóteses contidas nos seus modelos mais populares, a profissão dos economistas tem certa responsabilidade na produção da crise atual. Ela falhou na sua relação com a sociedade. Não produziu tanto conhecimento quanto seria possível sobre o comportamento da economia e não a alertou dos riscos implícitos nas inovações que criava. Além do mais, relutou em enfatizar as limitações da sua análise. Acreditamos que o seu fracasso em sequer antecipar os problemas gerados pela crise do sistema financeiro e a sua incapacidade de prover qualquer sinal antecipado dos eventos que iriam se passar exigem uma reorientação fundamental dessas áreas e uma reconsideração de suas premissas básicas".
Trata-se de um trágico "requiescat in pace", não para a teoria econômica, mas para o "mainstream" pré-galileliano, que se apropriou dela com imensa irresponsabilidade. Podemos voltar agora à modesta e útil economia política?
1 Os autores são David Colander, Katarina Inlesuis, Alan Kirman e outros
Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento.

Miguel Jorge diz que acharia ótimo se Selic caísse para menos de 10%





da Agência Brasil
O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, disse hoje que acharia "ótimo" se o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central pudesse reduzir a taxa básica de juros, a Selic, para um patamar inferior a 10% ao ano. A taxa está em 12,75% ao ano, e o mercado espera um corte entre 1 e 2 pontos percentuais.
O comitê anuncia nesta quarta-feira, após o fechamento do mercado financeiro, a taxa básica de juro para os próximos 45 dias.
"Se pudéssemos chegar a um dígito depois da decisão de hoje, seria ótimo", disse o ministro. Quanto ao resultado negativo do PIB (Produto Interno Bruto) no quarto trimestre (caiu 3,6% ante o terceiro trimestre), o ministro afirmou que o índice deve ajudar na reflexão para que seja tomada a decisão adequada (do Copom).
Miguel Jorge disse ainda que o governo vai trabalhar muito para que não haja uma recessão no Brasil, porque dispõe das ferramentas adequadas para que isso não ocorra.
Ontem, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anunciou que o PIB referente ao quarto trimestre de 2008 caiu 3,6% em relação ao terceiro trimestre do mesmo ano, o maior recuo da séria histórica, que começou em 1996. Mesmo assim, a economia cresceu 5,1% em 2008, movimentando a R$ 2,9 trilhões.

domingo, 8 de março de 2009

AMERICANOS FICAM US$ 16.5TRI MAIS POBRES.



Montante corresponde a 13 PIBs do Brasil e foi perdido principalmente com a queda das Bolsas e do valor dos imóveis

Com patrimônio reduzido, americanos compram cada vez menos e tentam poupar, alimentando círculo vicioso que derruba a economia

FERNANDO CANZIANDE NOVA YORK

Os norte-americanos estão enfrentando um súbito processo de empobrecimento que já destruiu cerca de US$ 16,5 trilhões da riqueza disponível entre as famílias nos últimos 15 meses. O valor equivale a mais do que tudo o que os EUA produzem em um ano e a quase 13 PIBs do Brasil. Só de setembro para cá, as famílias ficaram US$ 9,5 trilhões mais pobres.Os números são do IIF (Instituto de Finanças Internacionais), que reúne 380 grandes bancos, e foram divulgados em antecipação a dados semelhantes a serem publicados pelo Fed (o banco central dos EUA) nos próximos dias.São duas, basicamente, as principais fontes de poupança dos norte-americanos: seus imóveis e as aplicações que detêm, geralmente na Bolsa de Valores. Mesmo o dinheiro para a educação dos filhos são normalmente investidos em fundos de ações, que concentram mais da metade da riqueza das famílias, estimada hoje em US$ 61,4 trilhões.Há ainda uma parcela menor de aplicações em contas correntes remuneradas e em outros tipos de investimentos.Embora os preços dos imóveis continuem a cair sem parar nos EUA há quase três anos, a velocidade da queda diminuiu nos últimos meses. O impacto maior e direto da "destruição da riqueza" das famílias está concentrado na Bolsa, onde fica a poupança líquida que pode ser sacada a qualquer hora.De setembro de 2008 para cá, houve uma perda líquida entre as famílias de US$ 7,8 trilhões nesses investimentos na Bolsa (de US$ 33,6 trilhões para 25,8 trilhões). Como comparação, a perda com imóveis é estimada em US$ 1,8 trilhão no período.Obviamente, a queda dos índices no mercado de ações é o termômetro dessa perda. No ano, o índice Dow Jones da Bolsa de Nova York despencou cerca de 25%. Isso não significa que não possa haver uma reação, e as famílias voltarem a ficar um pouco mais ricas.O problema, porém, é que ao terem sua poupança dizimada, as famílias estão comprando cada vez menos e tentando poupar (o nível de poupança em janeiro atingiu o maior patamar em 14 anos).Essa combinação de fatores só reforça mais o já vicioso círculo em que a economia norte-americana está metida: o crédito secou, os consumidores compram menos, as empresas demitem e cada vez mais as famílias evitam gastar.Na sexta-feira, o Departamento do Trabalho dos EUA divulgou que mais 651 mil empregos foram cortados em fevereiro nos EUA, o que só reforça o ciclo descrito acima."Não há nenhum sinal de fim desse processo no horizonte. Em março ainda teremos o mesmo e não vejo nenhuma melhora para abril", afirma Tig Gilliam, executivo da Adecco, empresa de recrutamento de mão-de-obra para grandes companhias, como o Wal-Mart.O fenômeno de "destruição da riqueza" não é só americano (o índice FTSEurofirst 300, referência para as principais ações na Europa, está no seu nível mais baixo em 12 anos), mas em nenhum outro país há tanto dinheiro de pessoas físicas investido em ações.Além da perda nos valores das ações, os dividendos pagos pelos papéis aos investidores está hoje no nível mais baixo desde 1938, segundo cálculos da agência Standard & Poor's.Tamanha é a queda no mercado desde outubro de 2007 que cresceu dez vezes o número de ações negociadas abaixo de US$ 1, levando a Bolsa de Nova York a rever sua política de retirar de negociações papéis abaixo desse valor.Fantasma da DepressãoO empobrecimento das famílias, seu endividamento recorde e a necessidade de poupança são tão grandes que redes de varejo gigantes nos EUA, como Kmart e Sears, já ressuscitam modalidades de vendas que ficaram populares na Grande Depressão dos anos 1930.A principal é conhecida como "layaway", uma espécie de consórcio que ajuda consumidores indisciplinados a poupar antes de adquirir o produto. O cliente paga aos poucos pelo artigo e só o leva para casa quando tiver pago 100% do valor.Já o Wal-Mart, maior rede de varejo do mundo, iniciou estratégia agressiva para distribuir cartões de débito entre os estimados 35 milhões de americanos sem contas bancárias.Os cartões podem ser "carregados" com dinheiro nas lojas, mas a empresa informa que muitos consumidores que costumavam gastar cerca de US$ 1.500 ao mês cortaram suas despesas para US$ 800, valor médio do seguro-desemprego nos EUA.Mesmo assim, o resultado do varejo em fevereiro nos EUA só não foi negativo porque a venda cresceu 5,1% no Wal-Mart."Pouquíssimas redes têm boas estratégias de vendas voltadas exclusivamente para as classes mais pobres, mas quem as serve direito é rei em um momento como o atual", diz Bernard Sosnick, analista da Gilford Securities.