terça-feira, 7 de abril de 2009

SE QUEM ME CONHECE NÃO ME QUER MAIS, QUEM HÁ DE QUERER?




Se quem me conhece não me quer mais, quem há de querer?
Tem sido intensa, nos últimos anos, a migração de profissionais para o segmento de consultoria. Essa busca pela atividade é uma tendência e se deve ao fato de o mercado constantemente receber executivos qualificados, geralmente na faixa dos 50 anos, em busca de uma segunda carreira após desligamentos provocados por fusões, aquisições, enxugamento de postos de trabalho ou demissão por motivo de faixa idade mais avançada. Com 39 anos de vivência no segmento, Luiz Affonso Romano, presidente do Instituto Brasileiro dos Consultores de Organização (IBCO), professor e consultor da Fundação Getulio Vargas e coordenador e professor do Curso Capacitação em Consultoria, inspirou-se na situação para escrever este ensaio, que reproduz um encontro real com um executivo, o nome é fictício, com pouco mais de 50 anos, que procurou o aconselhamento do consultor após ter sido informado pela empresa que o desligamento por tempo de serviço não se daria mais aos 55 anos, e sim dali a alguns meses. O primeiro diálogo com o executivo, na jovialidade dos 50 anos, está retratado a seguir:Consultor – O que você pensou e sentiu quando foi avisado?Executivo – É que chego aos cinqüenta capitalizado em saber, maduro, com um MBA, apartamento próprio, casa na praia, poupança, plano de previdência, cargo na alta direção, enfim, tudo a que tinha direito... Além disso, no setor, conheço quem importa e interessa e sou reconhecido pelo nome.Consultor – Ótimo, e a saúde? Executivo – A pressão às vezes escapole e o colesterol está um pouco acima do normal – nada grave. Faço lá meus exercícios e ando quando posso, quando não estou viajando.Consultor– Bem, e como vão os contatos sociais?Executivo – Pois é, estou no primeiro casamento . De quando em vez, ainda vamos ao teatro e cinema. Acho que me comunico bem com as pessoas, com os companheiros do clube, por exemplo. Aliás, até escuto mais do que falo e acho que estou por dentro do que ocorre no mundo. Tenho dois filhos cursando a universidade.Consultor – Educação?Executivo – Preparei–me e fui bem preparado pelos meus pais. Estudei em, bons não, ótimos colégios particulares; inglês, etc. Aulas de judô para diminuir a agressividade... Formei–me em Engenharia – era bom com os números –, fiz estágios diversos e acabei por ser efetivado numa multinacional. Daí, fui ficando por lá, fazendo carreira. Acabei por alcançar a Diretoria Financeira, na qual estou até hoje...Consultor – Como será a dispensa?Executivo – Prometeram-me ajuda na recolocação. Indenização e salário de 6 meses, seguro médico... Mas se a empresa que me conhece há mais de vinte anos não me quer mais, quem há de querer?Consultor – E quando se dará o desligamento?Executivo – Acho que daqui a um ano. Por isso estou aqui, preciso dos seus conselhos O que faço agora?Consultor – E até agora, após a notícia, o que você fez em relação a isso?Executivo – Fiquei meio que paralisado. Engraçado, não havia pensado nisso antes. Imprudência, é claro, pois havia de ocorrer algum dia. Mas achava que daria um jeito de permanecer mais tempo, após os 55. Afinal, eles precisavam de mim – não tem ninguém com minha experiência. Comuniquei a minha mulher– que ficou bastante preocupada, embora não quisesse revelar e conversei com o meu gerente, mais moço um ano que eu, que ficou atordoado. Consultor – Por quê?Executivo – É que ele é meio pessimista e pensou no daqui a dois anos e demonstrou as suas preocupações. Disse-me: "Não tenho casa na praia e ainda pago pensão a minha primeira mulher, dois filhos com a primeira e um com a segunda. Acabei por parar meu MBA – a empresa só pagava parte. E mais, sou meio sedentário, hipertenso, vivo de casa para o trabalho e vice–versa. Minha diversão é a televisão e fazer contas para pagar gás, luz, condomínio, pensão, escola, plano de saúde, previdência, prestações do carro, TV plana... haja carnê! Enfim, ficou assustado.Consultor – E você? Executivo – Bem, disse a ele que, com mais tempo que eu, tratasse de correr. Quanto a mim, tenho uma larga experiência na área de Finanças. Daí que agora estou propenso a procurar uma oportunidade em Consultoria, na área financeira. É cedo para só ver o sol se pôr, ser babá de neto – que nem os tenho –, fazer compras no mercado ou dar milho aos pombos, como dizia Raul Seixas.Consultor – Ótimo, mas como acha que o mercado o percebe?Executivo – Acho que sou visto como um bom executivo de finanças, atualizado, com os cursos em dia, leio bastante acerca da área e participo de um comitê. Mas uma coisa é a competência técnica, na área financeira – o que, por si só, não me credencia a trabalhar em Consultoria. Vou precisar, antes, conhecer as diversas facetas dessa atividade, e até mesmo saber se é isso mesmo que desejo.Consultor – E como você crê que é e será lembrado?Executivo – Sou conhecido como Nestor da WYZ, o nome do crachá. Além de não ter trabalhado o meu nome real – a minha marca –, não me afastei do enredo traçado pelos meus pais e por mim e cantei a mesmíssima música por 20 anos. Agora, vejo com nitidez que perdi a possibilidade de dirigir a minha vida, tornei–me vulnerável a mudanças.Consultor – É que é mais cômodo e fácil ser dirigido. No entanto, você não começa do zero. Trará a memória idéias e projetos que aprovou ou não, teorias e práticas, padrões, exceções e modismos gerenciais e quem sabe, fazer a conversão de forma planejada, com um bom plano de trabalho, revendo conceitos e premissas . Formatará um rico banco de dados, bem segmentado – companheiros, fornecedores, clientes, bancos, seguros, governos, advogados, para se apresentar ao mercado de forma articulada e convincente, no momento oportuno.Executivo – Mas como fazer isso? Vou ter que aprender tudo de novo aos cinqüenta anos?Consultor – Esquecemos que o cérebro quanto mais estímulos recebe mais capacitado está para fazer uma grande dobradinha com a experiência. A maturidade passa a ser um trunfo. O Niemeyer, por exemplo, não abandonou o trabalho e é um exemplo para todo mundo. Agora, aos cem anos, sabe mais e cria mais do que um jovem ou, digamos, um novo idoso de cinqüenta. Executivo – É, tem razão. Eu, por exemplo, não me surpreenderia com os subprimes, os indícios estavam à vista, como estão hoje os excessos nas vendas dos carros por aqui. Sou experiente e já enfrentei inflação de 5.000%, arrochos, moratória, congelamentos, desvalorizações... Para quem está maduro, isso é café pequeno, principalmente, para os que também leram os capítulos certos dos livros de economia e de gestão.Consultor – Certo, apenas você terá que aprender, talvez, a se programar e dirigir melhor a sua carreira, redirecionando–a.Executivo – Parece–me uma boa idéia. Quando começamos o programa para a Consultoria? Consultor – Pelo início. Adotaremos o seu próprio nome e sobrenome, o de batismo, o da certidão de nascimento. Escolha, preferencialmente, o primeiro, que por acaso não é comum, e o último sobrenome. Será uma bela placa.Executivo – Ótimo, mas não posso ainda usá–la pela minha posição na empresa. O contrato impede–me e estou negociando empréstimo, contatos com o governo, importações de insumos e matéria–prima, analisando a exportação de produtos de alto valor agregado. A situação pode ser explorada pela concorrência. Estou retido ainda no atropelo das minhas atribuições.Consultor – Boa conduta. Vamos traçar um plano de vida e trabalho e aprender a dirigi–la. Vamos analisar o que você sabe e o que fará com que sabe e o que ainda vai agregar de novo. Lembre-se, o futuro é filho do passado.Executivo – Muito bem. Acho que podemos iniciar já. Afinal, tenho pressa, só me resta um ano.Consultor – Pois então, iniciemos com um Plano de Vida e Trabalho para os próximos dez anos. Assim, discutiremos à exaustão como você se vê, como crê que os outros o vêem, como o mercado o enxerga, como você gostaria de ser visto, como montar a rede de contatos, os bons hábitos da comunicação, o grau da sua visibilidade, da sua exposição, aprendendo a se apresentar, a ensaiar o improviso, saber ouvir e saber perguntar é importante, intervir na hora certa... Em Consultoria, por exemplo, a primeira reunião, de contato com o cliente, é sempre importante, assim como tudo aquilo que você deve saber antecipadamente sobre ele, e também, como poderá ajudá–lo a superar problemas e dificuldades. Sempre é bom indagar de quanto tempo dispomos nas apresentações; ser conciso e não levar adiante um trabalho que não saiba como fazê–lo... Além disso, terá que avaliar se há informações suficientes para elaborar uma boa proposta para as duas partes, qual o instrumento de trabalho que utilizará na intervenção, se ela exigirá um período de treinamento ou não, quais as mudanças pretendidas, como avaliar seus resultados. Quais foram as razões para a contratação, como elaborar o diagnóstico e o Plano de Trabalho, quais são os fatores críticos, quando e como apresentar os relatório. A implementação, o acompanhamento e a tão aguardada recontratação. O mercado, quem são os clientes tradicionais e os novos, as formas de atuação dos consultores, o marketing de serviços, as formas de atuação em consultoria...Como aprender tudo isso? Ora, por isso mesmo estamos nós dois a conversar. Quem sabe, após o nosso programa, lá na frente, poderá contemplar, com tranqüilidade e satisfação, que ultrapassou, capitalizado em saber, experiente e com uma rede de relacionamento esmerada, os desafios do 2ª trabalho, que achava insuperáveis. E que consegue se manter fora do mundo do emprego, da carteira assinada.Perceberá então que aprendeu, principalmente, que as ocorrências do amanhã serão certamente encaradas com serenidade e até bom humor, porque já dominará a arte de planejar e dirigir a “segunda” vida com mais qualidade, satisfação e auto–crescimento.


Assim, vamos lá, Nestor, mãos à obra


.Luiz Affonso Romano é consultor organizacional e de pessoas há 30 anos e professor do Curso Capacitação em Consultoria.


12 de dezembro de 2008 às 16:01Leia na integra pelos sites ....



segunda-feira, 6 de abril de 2009

FMI pressiona leste da UE a adotar o Euro.




Os Estados da União Europeia atingidos pela crise na Europa central e oriental deveriam considerar abrir mão de suas moedas em favor do euro mesmo sem se juntarem formalmente à eurozona, de acordo com o Fundo Monteário Interncional.A eurozona poderia afrouxar suas regras de adesão para que os países pudessem entrar como semimembros, sem cadeiras no conselho do Banco Central Europeu, diz o fundo."Para os países da UE, a euroização oferece os melhores benefícios para resolver o acúmulo de dívida em moeda estrangeira, removendo a incerteza e restaurando a confiança.""Sem a euroização, alguns países teriam de fazer uma contenção de gastos massiva para lidar com a dívida em moeda estrangeira, contra uma resistência política crescente".A divulgação do relatório confidencial, preparado há cerca de um mês, pode reacender o debate violento em relação às estratégias de assistência para a Europa central e oriental.Ainda que os líderes globais tenham elogiado o sucesso da cúpula do G20 na semana passada, os desafios da Europa oriental continuam existindo. Em meio a uma recessão que se aprofunda, Ucrânia e Latvia, dois Estados que já estão em programas do FMI, recentemente recusaram-se a aprovar as reformas exigidas pelo FMI. Um terceiro país, a Hungria, está com dificuldades para criar um governo capaz de implementar as reformas.O relatório do FMI foi compilado para apoiar uma campanha de Reconstrução e Desenvolvimento do Fundo, do Banco Mundial e do Banco Europeu para persuadir a UE e os Estados do leste europeu a apoiarem uma estratégia anti-crise de amplitude regional, incluindo um fundo de resgate regional. A campanha fracassou em meio a uma oposição generalizada tanto dos Estados do oeste quanto do leste europeu.Membros da eurozona também são contra facilitar as regras de entrada no grupo, assim como o BCE.O FMI, que prevê um declínio de 2,5% n produto interno bruto regional em 2009, estima que a "Europa emergente" - incluindo a Turquia - precisará rolar US$ 413 bilhões de dívida externa que vencem em 2009 e cobrir US$ 84 bilhões em dívidas de conta corrente projetadas.O relatório estima que o "abismo financeiro" - dinheiro que as instituições financeiras internacionais, a UE e os governos precisarão - será de US$ 123 bilhões este ano e US$ 63 bilhões no próximo, ou seja, US$ 186 bilhões no total.A maior parte disso poderia vir do FMI. Mas o relatório diz que "até US$ 105 bilhões" teriam de vir de outras fontes, inclusive da UE.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

BOVESPA EM ALTA



Saldo estrangeiro na Bolsa atinge R$ 1,44 bi e é o melhor em quase um ano


Pelo segundo mês consecutivo, o investidor estrangeiro atuou com mais intensidade na ponta compradora da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O saldo de negociação direta fechou o mês de março positivo em R$ 1,44 bilhão, melhor resultado desde abril do ano passado. Com isso, o saldo no acumulado do ano passa a ser positivo em R$ 1,33 bilhão.De acordo com a Gradual Investimento, o retorno do investidor estrangeiro reflete o arrefecimento da crise de confiança, seguindo medidas sem precedentes tomadas por governos e bancos centrais para conter a crise de crédito.
Lula propõe substituir dólar por real e yuan em comércio





Fora isso, a política monetária expansionista de muitos países desenvolvidos para tentar debelar a recessão jogou para praticamente zero a rentabilidade dos títulos de renda fixa. Com isso, é natural que alguns gestores voltem a ter o Brasil no radar como opção de investimento.Mas, por ora, os economistas da Gradual acreditam que ainda é cedo para afirmar que esta seja uma tendência. Os riscos ainda são altos para o estrangeiro aplicar no país. O exemplo dado é a taxa de câmbio, que ainda não tem tendência definida, e é fator crucial para a tomada de qualquer decisão de investimento. " No entanto, é interessante notar, com certo alívio, que a bolsa está sendo vista com bons olhos de novo. " A compra líquida de ações durante o mês passado ajuda a explicar o desempenho positivo do Ibovespa no período. O principal índice da bolsa brasileira acumulou alta de 7,18% em março, melhor desempenho mensal desde abril de 2008.No mês passado, os não residentes efetuaram compras no valor de R$ 30,908 bilhões, enquanto as vendas somaram R$ 29,467 bilhões.(Eduardo Campos Valor Online)

domingo, 29 de março de 2009

“ PROGRAMA PARA ADIAR O CRESCIMENTO “




Artigo publicado no DCI, edição de 19/02/09


O governo precisa agir rápido para que a sigla PAC, não se transforme em mais um plano de adiamento do crescimento.
Conversando com empresários e clientes de nossa assessoria, identificamos quais os principais entraves que deveriam ser removidos para que seus negócios possam deslanchar, e como o governo deveria agir para superá-los.
O consenso obtido reflete os principais tópicos abordados no nosso artigo anterior, que podem ser assim resumidos:
- redução da carga tributária;
- diminuição dos encargos trabalhistas e flexibilização dos contratos de trabalho;
- crédito mais abundante, menos seletivo e desburocratizado;
- diminuição das taxas básicas de juros e do spread bancário;
- maiores incentivos para investimentos privados e inovação tecnológica;
- melhoria na infraestrutura;
- gerenciamento eficaz das contas públicas e da máquina estatal.

Falemos sobre esses dois últimos itens . A nossa infraestrutura é um grande óbice, cuja solução vem sendo relegada pelos últimos governos e deveria merecer, neste momento, uma atenção especial.
Como já afirmamos em outra ocasião, o empresário brasileiro é o mais preparado do universo para enfrentar dificuldades e crises. Mas, como concorrer com vantagens comparativas no mercado externo e praticar preços menores internamente, se a nossa infraestrutura é bastante deficiente? As nossas estradas, por onde são transportadas a maior parte das cargas, estão em péssimo estado, acarretando custos elevados nos fretes rodoviários.
Uma porcentagem significativa do produto de nossas safras, não chega ao seu destino final em quantidade, qualidade e no momento certo, apresentando um elevado índice de desperdício.
Também, não temos silos e locais necessários para armazenagem e para regular adequadamente a oferta e a demanda dos produtos agrícolas. Os portos brasileiros estão no seu limite operacional e nas épocas de grandes safras, como a da soja, por exemplo, propiciam um triste espetáculo de filas enormes de caminhões aguardando embarque dos contêineres.
Nossa matriz energética, se por um lado melhorou com o sucesso do etanol e do petróleo, mas o mesmo não ocorreu com a energia elétrica, e, se não fosse pela redução do ritmo econômico derivado da atual crise, estaríamos sujeitos a um novo apagão, já que os investimentos na área não foram suficientes e os atuais projetos caminham a passos lentos, sem contar com a dependência exagerada do fornecimento do gás da Bolívia, que não tem correspondido como bom parceiro comercial e aliado político.
E as nossas ferrovia ? Que dizer de um país com dimensão continental dispor de uma ínfima malha ferroviária, ficando muito abaixo não só de países desenvolvidos, como também dos emergentes Rússia e China, entre outros. Como se sabe, trata-se de um meio de transporte de carga dos mais econômicos.
O transporte marítimo e fluvial não mereceu a atenção devida e ficamos a mercê de fretes elevados praticados por embarcadores estrangeiros. Os estaleiros nacionais só recentemente vêm sendo ativados, muito mais a reboque das encomendas da Petrobrás.
Os aeroportos também estão com suas capacidades operacionais próximas de saturação, e, além de não atender satisfatoriamente o setor de cargas, em épocas de maior demanda de passageiros, “ piscam, piscam “, avisando que a qualquer hora teremos “ um novo apagão aéreo “.
Para viabilizar os projetos de infraestrutura, que requerem elevados aportes , além de contar com a participação fundamental da iniciativa privada, que neste momento de crise fica um pouco comprometida, o governo tem que desempenhar seu papel de indutor maior do desenvolvimento econômico, alocando mais verbas de investimento ao orçamento.
A administração pública precisa rever a equação orçamentária, destinando cada vez mais recursos para investimento e reduzindo com rigor a participação dos gastos de custeio da máquina estatal.
O governo do Presidente Lula, até setembro do ano passado, foi beneficiado com os resultados de uma economia internacional bastante favorável e um mercado interno aquecido , que consolidaram grande parte, o atendimento dos fundamentos macroeconômicos exigidos para colocar o País numa situação mais estável.
Foram acumuladas reservas em níveis nunca vistos, o Brasil foi considerado com país de menor risco, zeramos a dívida com o FMI e arrecadação de impostos vem batendo sucessivos recordes, ou seja, temos condições financeiras necessárias para enfrentar a crise.
Falta definir prioridades, atuar com mais determinação e melhorar a gestão dos programas em andamento. Esta última pode ser considerada o calcanhar de Aquiles, do atual governo.
O setor público tem que evoluir muito o gerenciamento dos projetos de investimentos e da administração da máquina estatal. Se estivéssemos numa empresa privada, os executivos responsáveis seriam afastados por incompetência. Não seria admitido que os investimentos programados não fossem implementados no tempo previsto, havendo recursos disponíveis no caixa.
Antes de ocorrer a crise, o governo federal havia elaborado o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento,que visava entre outros objetivos, a melhoria da nossa infraestrutura.
O nível de execução dos projetos contemplados no PAC ainda está muito abaixo das expectativas, com grande parte das obras está atrasadas.
Numa fase difícil em que atravessamos, o PAC , além da exigência de melhor desempenho, deveria ser ampliado e administrado com mais eficiência e eficácia, sendo considerado como prioridade máxima.
Os governos estaduais já se movimentam para minimizar os efeitos da crise em seus territórios, como o de São Paulo, que recentemente editou programa semelhante, batizado de PAC Paulista. Vamos observar o seu nível de execução, que poderá ser utilizado como parâmetro de comparação política, na corrida presidencial de 2010.
Em épocas de crises e de dificuldades, o tempo é uma variável estratégica e o governo federal precisa agir rápido. Caso contrário, o PAC pode ficar mais conhecido como “ o Programa de Adiamento do Crescimento “.

Paulo Sérgio Xavier Dias da Silva
Economista graduado pela USP, com créditos de mestrado em administração.
Consultor e Assessor Empresarial, especialista em recuperação de empresas em dificuldades financeiras.
www.paulosergioxavier.zip.net
psxds@hotmail.com

terça-feira, 24 de março de 2009

PRÓSPERO 2010


O titulo acima não é fruto de erro de impressão gráfica, mas da avassaladora “tsunami financeira” que, partindo de seu epicentro, os Estados Unidos, espalhou pânico aos quatro cantos do planeta. Nem todo conhecimento acumulado, sobre economia e finanças, consegue diagnosticar a profundidade e a longevidade da crise.
O ano de 2009 poderá ficar marcado de maneira indelével, em termos de gestão de resultados, pois caberá a ele o desafio de enfrentar, e nocautear, as maiores adversidades da atualidade: a queda do PIB mundial, a recessão e, Deus nos livre! a depressão econômica. Será o ano de ouro dos empreendedores, das pessoas criativas, das mulheres guerreiras, da juventude determinada, dos executivos experientes, dos profissionais pró-ativos, dos funcionários receptivos às mudanças de paradigmas, enfim, daqueles que têm esperança, sonham e...fazem acontecer. Administração compartilhada ganha espaço nas organizações inovadoras, que partem da gestão solitária para a gestão solidária.
Com a espada de Dâmocles sobre a cabeça, a classe política, tem a missão de tranqüilizar a população sobre os efeitos sociais da crise, conter um provável salto inflacionário e adotar estratégicas eficazes para reverter a turbulência. A primeira medida deve ser o “corte na própria carne”,ou seja, reduzir as despesas de custeio, nos três poderes. A recomendação é clássica e tem mais de dois mil anos. “Vamos equilibrar o orçamento, proteger o tesouro, combater a usura, e reduzir a burocracia. Caso contrário... afundaremos todos”. Essa máxima é do célebre prosador, político e orador romano, Cícero (106-43 a.C.).
No campo mercadológico a competitividade estará mais acirrada do que nunca. Vacilou? Quebrou. O noticiário internacional nos mostra que,até, “monstros sagrados” da economia mundial perdem o fôlego, reduzem investimentos, fecham unidades produtivas, escritórios e filiais e sinalizam para o mais temido dos estragos sociais; demissão de milhões de trabalhadores. A palavra de ordem, para que a crise seja minimizada, abreviada e, definitivamente debelada, atende pelo nome de – inovação – a arte de transformar dificuldades em oportunidades de negócios. Inovar significa agregar valor às estratégias organizacionais, sistemas administrativos e operacionais, políticas de recursos humanos, atendimento e o relacionamento com os clientes, intercâmbio de informações e experiências com os fornecedores, projetos sociais e ambientais e aos processos da qualidade de produtos, de serviços e de vida.
A inovação tem como meta melhorar a qualidade – adequação ao uso com satisfação total dos clientes - , aumentar a produtividade – fazer cada vez mais,e melhor, com cada vez menos – e, reduzir custos.”Inovação é uma ferramenta específica dos empresários,por meio do qual eles exploram a mudança como oportunidade para um negócio ou um serviço diferente.É possível apresenta-la sob forma de disciplina, aprende-la e praticá-la.”(Peter Drucker – 1909-2005)
Aos consumidores vorazes o alerta pode ser encontrado no samba Argumento, do consagrado cantor, compositor e músico brasileiro, Paulinho da Viola: “Faça como um velho marinheiro/Que durante o nevoeiro/ Leva o barco devagar”.


Próspero 2010Enviado pelo autor, Jundiaí (terra da uva)-SP
Por Faustino Vicente - Consultor de Empresas E-mail:
faustino.vicente@uol.com.br - Tel (11) 4586-7426

segunda-feira, 23 de março de 2009

COLUNA DO DELFIM NETO.

Vamos jogar a toalha?

20/03/2009 15:33:31

Delfim Netto

Apenas duas vezes, desde 1985, a economia brasileira cresceu a uma taxa maior do que a média mundial por um período consecutivo de três anos: no governo Sarney (1985-1987) e na gestão Itamar Franco (1993-1995). No governo Lula, depois de quatro anos com crescimento menor do que o mundo, o Brasil recobrou um crescimento vigoroso de 5% ao ano, que tinha condições objetivas de prosseguir. A tabela mostra a taxa de crescimento anual do PIB entre trimestres homólogos de anos consecutivos (um trimestre de 2007, por exemplo, ante o mesmo trimestre de 2006), com o que se evita a influência das variações estacionais. A partir do terceiro trimestre de 2006, o crescimento começou a acelerar e superou o do mundo. Os números mostram um avanço em 2008 que provavelmente seria insustentável, do ponto de vista do balanço em conta corrente nas condições vigentes. Houve o acúmulo de déficits desde janeiro, em razão da supervalorização cambial produzida pela política monetária autista. Havia uma pressão inflacionária com um componente duvidoso de excesso de demanda global, com salários reais crescendo abaixo da produtividade e um seguro componente externo que se manifestou quando o aumento dos preços das commodities não pôde mais ser compensado pela supervalorização cambial. Para combater os efeitos secundários da elevação dos preços, o Banco Central iniciou, em abril de 2008, uma nova escalada do juro real. A taxa de inflação média do IPCA em 2004-2006 foi de 5,5%. No último trimestre de 2007, andou às voltas de 4,2% e, no terceiro trimestre de 2008, em torno de 6,3%. De forma que, em condições normais, talvez a ação do BC tivesse alguma razão de ser. Mas a situação não era normal. Havia um grave problema. A crise financeira iniciada com as hipotecas subprime já tinha se manifestado e praticamente todos os países haviam iniciado um movimento de baixa das taxas de juro. Em julho, a supervalorização do real atingiu o ápice, dando a doce ilusão de que se controlava a taxa de inflação cortando a demanda global. Na verdade, o BC ignorou e subestimou a crise financeira porque não tinha a menor ideia do que ocorria. Trata-se apenas de um pecado venial, porque o Federal Reserve também não sabia. Basicamente, isso explica o mergulho do crescimento no quarto trimestre de 2008. A crise precipitada pela barbeiragem do Tesouro americano, secundado pelo Fed, quando se meteu na arriscadíssima operação do Lehman Brothers, caiu como um raio sobre o sistema bancário brasileiro. Em 16 de setembro, desapareceu instantaneamente todo o crédito interbancário (até hoje inexistente) e instalou-se uma espécie de pânico que interrompeu o circuito econômico. Um sistema bancário hígido, em um país relativamente fechado e ligado ao sistema financeiro internacional apenas por algum capital subordinado, por algum funding e pelo financiamento de parte do comércio, paralisou preventivamente as concessões de crédito pelas incertezas que envolviam a renovação de suas operações externas. A verdade é que a própria política econômica consagrada depois do bem-sucedido Plano Real e a expansão da economia mundial a partir de 2002, haviam dado suficiente musculatura ao nosso BC para enfrentar agressivamente o problema e dar conforto imediato ao assustado sistema bancário e, assim, reduzir os efeitos da crise. Ele dispunha: 1. Da certeza de que a taxa de inflação iria cair, em razão da redução do duvidoso excesso da demanda global. 2. De uma taxa de juro real teratológica que poderia ser manobrada. 3. De uma relação Dívida/PIB em declínio. 4. De um extravagante nível de depósito compulsório. 5. De um nível de reservas da ordem de 200 bilhões de dólares, reforçado pelo swap do Fed de mais 30 bilhões de dólares. 6. Do compromisso do governo, que faria a política fiscal necessária para ajudar a política monetária. A tragédia é que os movimentos do BC sempre foram na direção correta, mas, invariavelmente, atrasados e homeopáticos. O mal está feito. Começamos 2009 em uma situação muito delicada, mas o jogo não está totalmente perdido. Restam nove meses para trabalhar duro. Com alguma inteligência e ousadia poderemos ter um crescimento maior do que o do mundo, o que não será pouco.
Delfim Netto

segunda-feira, 16 de março de 2009

Lula analisa mudanças na caderneta de poupança


NOVA YORK (Reuters) - O governo estuda uma possível alteração para o rendimento da caderneta de poupança que pode passar a competir com a rentabilidade dos títulos do governo indexados à taxa básica de juros, a Selic.
"Vamos discutir. Não posso ficar adivinhando o que vamos fazer. Vamos sentar para ver como ela vai ficar", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a jornalistas em Nova York, após participar de seminário para investidores.
Ele lembrou que já houve alteração nas regras da caderneta de poupança há dois anos. "Quando gente que tinha muito dinheiro queria colocar na poupança, nós mexemos para garantir a poupança apenas para os pequenos poupadores, para quem precisa da poupança", completou, afirmando que grandes investidores têm que procurar outro tipo de investimento.
Com a expectativa de futuras quedas da taxa Selic, que atualmente se encontra em 11,25 por cento ao ano, os títulos do governo brasileiro podem se tornar menos atrativos do que a caderneta de poupança, que rende TR (Taxa Referencial) mais 6 por cento ao ano.
(Reportagem de Walter Brandimarte)