segunda-feira, 6 de julho de 2009

TRIBUTOS


Governo atingiu R$ 500 bilhões em arrecadação de tributos em 30 de julho
Número é do Impostômetro, painel eletrônico instalado no Centro de São Paulo e alimentado com dados do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT)
02/7/2009
14h19
Redação

O Impostômetro, painel eletrônico que calcula quanto o brasileiro pagou de tributos para os para os governos Federal, Estaduais e Municipais, atingiu a marca de R$ 500 bilhões, no dia 30 de junho, por volta das 15h20. Os cálculos são de acordo com estimativas feitas pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário – IBPT.
Localizado no prédio da Associação Comercial de São Paulo – ACSP, no Centro da cidade, o Impostômetro alcançou essa mesma marca, em 2008, cinco dias antes, no dia 25 de junho, apresentando uma redução de 2,07%. “Mesmo com a leve queda de arrecadação em 2009 e com a redução do IPI prorrogada pelo Governo, prevemos que novamente o valor de R$ 1 trilhão será ultrapassado, chegando a R$ 1.030 trilhão até o fim de 2009”, comenta o presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral.

TELESENA



Fácil de ganhar?

A pedido de Contigo!, José Dutra Vieira Sobrinho, economista e professor de matemática financeira, calculou as chances de ganhar na Tele Sena em comparação à Loteria Federal :


1 em 525 vezes é a probabilidade de ganhar em qualquer prêmio na Tele Sena .


1 em 5 vezes é a chance na Loteria Federal


105 vezes mais fácil ganhar um prêmio na Loteria Federal do que na Tele Sena


1 em 3,5 milhões de vezes é a possibilidade de ganhar sozinho um dos prêmios de 500 mil reais da Tele Sena


1 em 75 mil vezes é a chance de levar sozinho a bolada da Loteria Federal


47 vezes mais fácil ganhar sozinho o primeiro prêmio da Loteria Federal do que na Tele Sena

OS PERIGOS DA DESMORALIZAÇÃO ...


OS PERIGOS DA DESMORALIZAÇÃO DA CLASSE POLÍTICA E DA FUNÇÃO PÚBLICA

Artigo publicado no DCI, edição de 30/06/09
Paulo Sérgio Xavier Dias da Silva

psxds@hotmail.com


A sucessão de escândalos parece infindável. Toda semana surgem mais novidades escabrosas e os nossos poderes constituídos revezam-se nas manchetes dos jornais, ora o executivo, ora o legislativo e, em menor escala, até o judiciário.
Os maus políticos e executivos corruptos da alta administração governamental confundem cada vez mais a sua vida particular com a vida pública.
Utilizam-se da Praça dos Três Poderes, para Poder desviar e se apropriar do dinheiro público, para Poder ganhar sem precisar trabalhar e para Poder ignorar e se lixar para a opinião pública.
A sociedade brasileira já está cansada de tanta patifaria, tanto que até já se acostumou com essas notícias e parece desanimada, o que é um sério perigo.
A situação está ficando insuportável e a desmoralização pode se generalizar, colocando, no mesmo saco de gatos, bons e maus servidores, sérios e picaretas políticos.
Devemos evitar, a todo custo, que as nossas instituições sejam abaladas, antes que apareça um grupo reacionário de plantão e se aproveite de um agravamento do quadro político, pois o regime democrático, que às vezes pode parecer inoperante e injusto, é , sem dúvida, o melhor regime de governo existente no nosso planeta.
Neste triste cenário, configura-se a necessidade da ocorrência de uma verdadeira revolução moral e ética, por parte de toda nossa sociedade, induzida e convocada principalmente pelos segmentos mais esclarecidos e formadores de opinião, como os meios de comunicação, empresários, sindicatos de trabalhadores e associações de classe, professores, religiosos, bons funcionários públicos e políticos sérios.
Estes dois últimos, mais interessados e afetados por aquela mancha moral, deveriam sair na frente, protestando de forma veemente, demonstrando que não fazem parte daquela corja e denunciando os bandidos e todos seus atos escusos, que sejam de seu conhecimento.
Aliás, o servidor público comum é, via de regra, honesto, trabalhador, bem intencionado e mal remunerado, com exceção de alguns cargos, particularmente os de comissão.
Observa-se uma melhoria gradativa do nível dos funcionários, com o ingresso na carreira pública, de pessoal mais qualificado, admitido através de concursos públicos cada vez mais concorridos e com provas cada vez mais complexas.
Desde recém formados de nossas universidades até profissionais mais experientes e categorizados estão sendo atraídos pela vantagem da estabilidade, em função das dúvidas sobre o futuro da economia e das ameaças do desemprego.
No entanto, o nível de qualidade do serviço público poderia ser melhor, e contar com mais e melhores funcionários, se os objetivos primordiais para a sua admissão fossem o interesse em servir o bem comum e orgulho de pertencer a uma classe respeitada e admirada por toda a população.
Além do mais, funções típicas do Estado, como saúde, educação, segurança e justiça deveriam ser mais valorizadas e receber maior atenção e recursos financeiros do governo.
É evidente que temos na classe política, representantes que merecem nossa consideração, que são honestos e bem intencionados, mas que precisam se unir, criar coragem e expurgar os seus péssimos pares do Congresso Nacional.
Os partidos políticos deveriam também fazer uma verdadeira faxina moral, selecionando melhor seus afiliados e candidatos, atraindo cidadãos idôneos e comprometidos com o bem-estar público. Só assim teríamos a verdadeira reforma política.
Retomemos aos maus servidores, locados em sua quase-totalidade no alto escalão, e os políticos sem escrúpulos, que apresentam como grande atributo, a cara de pau, lustrada com óleo de peroba.
Tomemos alguns exemplos, desde o mais antigo, como de um famoso professor, “candidato ao Prêmio Nobel de Economia e Mestre em Finanças“, ao nos ensinar que não havia caixa dois no episódio do famigerado mensalão e sim, movimentação financeira não contabilizada.
Outros mais, que vêm constantemente ocorrendo, como afirmar com convicção: “não sei de nada do que aconteceu”, apesar de tudo ter ocorrido na minha sala ou na sala vizinha, “não se pode sair acusando ninguém sem provas“, mesmo tendo todas evidências e várias provas, “por aquele companheiro, eu ponho a minha mão no fogo“, desde que o fogão esteja desligado e sem gás, “vamos apurar todas essas denúncias”, mas vai ser praticamente impossível superar todos os obstáculos que iremos colocar, “o tempo dirá que tenho razão“, pois o brasileiro tem memória curta e na certa vou me reeleger tranquilamente na próxima eleição.
Um dos mais recentes, “parentes e amigos façam turismo e viajem á vontade, que tudo fica por minha conta”, digo das contas públicas, e, o último, “nesta casa tem muita transparência”, só os vidros da janela, porque o resto está debaixo dos tapetes e relacionado nos atos secretos.

Se esta situação continuara se deteriorar, a Praça dos Três Poderes poderá ficar mais conhecida como a Praça dos “Três Podreres“, e muitos políticos e administradores públicos vão ter que ouvir, contrariados, o povo cantar aquele antigo samba, com o famoso refrão: “ Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão“.



Paulo Sérgio Xavier Dias da Silva
Economista graduado pela USP, consultor e assessor empresarial, especializado na recuperação e expansão de empresas em dificuldades financeiras.
www.paulosergioxavier.zip.net

sábado, 4 de julho de 2009

O MELHOR ESTÁ PARA VIR.



Entrevista: Carlota Pérez
Revista VEJA.
O melhor está por vir
A economista de Cambridge vira estrela acadêmica com a tese de que uma era de ouro impulsionada pela tecnologia da informação espera o mundo depois da crise.
Diogo Schelp
Tommy Clancy
"Depois da recessão virá um período de bonança, com o capital produtivo dirigindo os investimentos"
Economistas com visão histórica e capazes de fazer análises consistentes de longo prazo parecem ser uma espécie em extinção. A esse grupo pertence a venezuelana Carlota Pérez, de 70 anos, professora da Universidade Cambridge, na Inglaterra. Seu Revoluções Tecnológicas e Capital Financeiro, de 2002, adquiriu a dimensão de clássico ao colocar o atual momento econômico no contexto das grandes reviravoltas no campo da técnica que ocorrem a cada cinquenta anos, em média. Para Carlota, estamos em plena era da informação, iniciada em 1971 com a produção em série dos chips de computador e sua quase universalização nas três décadas subsequentes, que ela chama de "fase de instalação". Na etapa seguinte, que o mundo começa a viver em breve e pode durar de vinte a trinta anos, as novas tecnologias vão, enfim, produzir o grande salto na qualidade de vida da maioria da população mundial. A esse período Carlota dá o nome de "fase de desdobramento". A crise atual seria, para ela, apenas uma transição dolorosa entre essas duas fases. De seu escritório em Cambridge, ela deu a seguinte entrevista a VEJA.

A crise atual não assusta tanto?

A economia de mercado é naturalmente instável. Quando está no auge, peca pelos excessos; quando está em baixa, autocorrige-se. No entanto, esta crise, em conjunto com o estouro da bolha da internet em 2000, é de uma natureza distinta. Estamos presenciando hoje um colapso de envergadura muito maior que a usual. O atual fenômeno equivale ao pânico provocado pelos investimentos em massa nas estradas de ferro, em meados do século XIX, na Inglaterra, ou à quebra da Bolsa de Nova York, em 1929. Colapsos como esses só ocorrem a cada meio século, no meio do caminho de grandes revoluções tecnológicas.

Qual é a relação entre o recente colapso financeiro e o estouro da bolha da internet, no início da década?

O colapso atual representa a continuação da queda da Nasdaq, a bolsa eletrônica de Nova York, mas com outro foco. A bolha da internet baseava-se na inovação tecnológica; a que estourou agora, na inovação financeira. Enquanto o inchaço financeiro foi induzido pela existência de crédito abundante e fácil, o da internet atraía investimentos pela fé no poder das novas tecnologias de proporcionar lucros extraordinários. Em 1929, tudo entrou em colapso ao mesmo tempo. Desta vez, isso aconteceu em dois capítulos. Eu esperava que, depois do estouro da bolha da internet, viessem a regulação financeira e as políticas a favor da expansão produtiva. No meu livro, de 2002, eu já expressava grande preocupação com a continuidade do cassino financeiro. Mas as autoridades não prestaram a mesma atenção.

O que virá depois da atual crise?

Provavelmente um período de bonança, em que o estado voltará a ser um ator mais presente na economia e o capital produtivo vai direcionar os investimentos, tomando o lugar do capital financeiro, como até pouco tempo atrás. Antes de chegar a essa fase, é claro, será preciso superar a recessão que sempre sucede aos desastres.

Quanto tempo pode durar a recessão mundial?

Tudo depende da interpretação que os governos dos países mais ricos darão à natureza dessa crise. Se eles acreditarem que se trata apenas de um problema de falta de confiança do mercado financeiro, vão se empenhar em aplicar políticas superficiais e injetar dinheiro no sistema, para reavivar os mercados de valores e imobiliário. Nesse caso, há duas opções: ou a recessão vai ser muito longa ou surgirá uma nova bolha seguida de um colapso ainda maior. A história mostra que um período recessivo pode durar apenas dois anos, como ocorreu em meados do século XIX, ou quinze anos, como no caso de 1929.

Que políticas parecem mais adequadas neste momento?

Para começar, é preciso reconhecer que não se trata de regressar ao estágio em que estávamos antes do colapso, e sim de dar um passo adiante. Os governos terão de criar um mecanismo regulatório global para as finanças. Dentro dos países, deve-se reformular o mercado financeiro por meio de um conjunto de políticas fiscais e de controle. Os gastos públicos devem ser direcionados para favorecer os investimentos produtivos e inovadores. Os maiores lucros dos investidores têm de passar a vir da produção real. Os lucros fáceis com especulação devem ser contidos com impostos mais altos. Deve-se deixar para trás a máxima "Não trabalhe por dinheiro, deixe que o dinheiro trabalhe para você". Será preciso criar mais e melhores empregos que produzam e distribuam a riqueza segundo outro critério: o esforço empreendedor e de trabalho. O mundo financeiro terá de ser reorientado para criar formas de investir no setor produtivo. O essencial é favorecer a expansão e a inovação na produção.

As bolhas são evitáveis ou são males necessários?

A legitimidade do capitalismo está em fazer da busca pelo enriquecimento individual um benefício para toda a sociedade. Nas bolhas, isso se perde e ocorre uma forte concentração da renda. Os períodos de bonança tendem a reverter esse processo, e por isso mesmo costumam ser chamados de "eras de ouro". Mas as bolhas têm o mérito de construir infraestruturas que ampliam os mercados a custo muito baixo e estabelecem novos paradigmas tecnológicos. Esse período de instalação permite modernizar a indústria e colocá-la em condições de inovar e crescer ainda mais velozmente.

De que forma isso ocorreu nas revoluções tecnológicas do passado?

Quando se fala da Revolução Industrial do fim do século XVIII, na Inglaterra, sempre se pensa na introdução das máquinas têxteis e no enorme salto de produtividade que isso acarretou, mas poucas vezes se menciona a rede de canais de distribuição que permitiu carregar o algodão, o carvão e os produtos por todo o país, passando de um rio a outro e dali para o mar. Essa foi a internet daquele período. Já a revolução tecnológica seguinte, a da máquina a vapor, no século XIX, levou à criação de ferrovias, do telégrafo e do sistema de correio padronizado. Nos anos 1920, começou a substituição dos trens, das carruagens a cavalo e dos vapores pelo automóvel e pelo avião, que necessitavam de uma vasta rede de estradas e aeroportos. Essas novas tecnologias, assim como o rádio, foram objeto de intensa especulação e também contribuíram para o colapso de 1929. As redes de distribuição da primeira Revolução Industrial, as ferrovias do século XIX e as estradas do início do século XX são exemplos de redes de infraestrutura que só se conseguiu construir porque havia grandes investidores dispostos a gastar seu dinheiro em algo que demorou muito para dar lucros operacionais. São investimentos baseados no tudo ou nada: ou há uma cobertura quase completa ou não se obtêm as vantagens prometidas. A disposição ao risco é alimentada pelo entusiasmo que as novas tecnologias despertam e pela expectativa de conseguir gordos lucros. Sempre há algum Bill Gates que se tornou milionário para dar o exemplo. Quando chega o colapso, muita gente perde grandes somas de dinheiro, mas a infraestrutura fica para todos. Portanto, em essência, a grande bolha e seu colapso são uma forma brutal de conseguir o investimento necessário para instalar o novo e destruir o velho. É o que ocorre com a atual revolução, baseada na tecnologia da informação. Ela embute um enorme potencial de criação de riqueza. Se as forças políticas e econômicas entenderem esse processo e estabelecerem as condições sociais adequadas, o que virá em seguida beneficiará a todos.

A senhora pode dar um exemplo?

No ciclo tecnológico anterior, que estabeleceu a produção em massa, a criação do estado de bem-estar social nos países desenvolvidos elevou o salário dos trabalhadores a um nível tal que lhes permitiu ter um lar confortável, cheio de eletrodomésticos, e um carro na porta. Isso, somado à construção em massa de casas a baixo custo, aos bancos de crédito ao consumidor e ao seguro-desemprego, possibilitou décadas de mercados dinâmicos e crescentes que beneficiaram tanto o mundo dos negócios quanto a população como um todo. Um enriquecimento semelhante pode parecer impossível agora, mas as coisas sempre parecem inviáveis quando se está a meio caminho entre uma fase e outra de uma revolução tecnológica.

Que países se sairão melhor da crise atual, os emergentes ou os ricos?

Os anos de bolha financeira permitiram intensificar a globalização, e a alta dos preços das matérias-primas deu fôlego a muitos países emergentes. Há o risco de a contração da demanda golpear mais duramente os países exportadores, mas os ganhos dos últimos anos permitiram a eles colocar-se em uma posição melhor para enfrentar os reveses. Nos países desenvolvidos, porém, a profundidade da tragédia financeira pode ser um fardo demasiado grande para a economia real e, portanto, para a população. Tudo vai depender, como disse, do desenho de políticas adequadas, assim como da determinação política para pôr na linha o mundo financeiro.

O que a América Latina pode fazer para aproveitar melhor a nova fase de ouro da economia que a senhora prenuncia?

Para aproveitar a próxima etapa, é preciso encontrar um espaço tecnológico próprio. A Ásia, em geral, transformou-se na grande linha de montagem do planeta. Esse continente, com mão de obra abundante e recursos naturais escassos, tem vantagens insuperáveis no setor manufatureiro, que cobre de produtos eletrônicos a têxteis. A América Latina, por sua vez, é um subcontinente muito rico em recursos naturais e com pequena densidade populacional. As indústrias de processamento, da agroindústria à metalurgia e química, são um espaço de especialização e inovação repleto de oportunidades.

Não é um papel menor?

Os recursos naturais, em um mundo globalizado, jamais serão baratos. Ainda que seus preços caiam com a recessão, os limites da oferta sempre serão uma barreira contra prejuízos. Além disso, o mundo das commodities já não se limita às matérias-primas tradicionais. Basta entrar em um supermercado moderno para verificar como a combinação de recursos naturais com tecnologia o ampliou. Ao mesmo tempo, podemos esperar que o processo de globalização, que hoje favorece a Ásia, sofra uma inversão à medida que o custo das matérias-primas e da energia suba. Gradualmente, o gasto com transporte de matérias-primas até aquele continente, e depois dos produtos lá fabricados até os mercados consumidores dos Estados Unidos e da Europa, se tornará relevante em comparação com o custo da mão de obra. Não é improvável, ainda, que o mundo imponha impostos à emissão de gás carbônico – o que encarecerá a produção asiática. Tudo isso vai redesenhar o processo de globalização. Com a estratégia correta, os países latino-americanos podem complementar-se, aproveitando a disponibilidade de recursos de cada um. As nações do subcontinente deveriam, assim, adotar uma estratégia conjunta para aproveitar suas características específicas. A especialização em ciências da vida e de materiais nos colocaria em posição vantajosa para a próxima revolução tecnológica, baseada em biotecnologia, bioeletrônica e nanotecnologia. O Brasil tem ótimas condições para assumir a liderança desse processo.

Por quê?

O tamanho da economia e o potencial do mercado interno, a diversificação da indústria, a capacidade tecnológica e o fato de muitas empresas brasileiras terem vocação global fazem com que o país se destaque no conjunto latino-americano. O Brasil reúne todas as condições necessárias para ter êxito em muitas frentes. Para aproveitar todo esse potencial, o país precisa ainda ampliar suas já extraordinárias conquistas obtidas nos setores de petróleo, química, metalurgia, agropecuária e biotecnologia.

Postado por Marcelo Gostinski


CONFIANÇA DO BRASILEIRO


Confiança do brasileiro supera média global
Consumidor está menos otimista, mas nem por isso pensa em abandonar os gastos e aumentar as aplicações.


por Agência Estado

Brasília. O brasileiro está menos confiante desde que a crise econômica mundial se tornou mais aguda, mas nem por isso pensa em abandonar os gastos e aumentar as aplicações. É o que mostra pesquisa global Nielsen sobre a confiança do consumidor, feita com 25.140 usuários de internet em 50 países. Em outubro do ano passado, quando foi realizado o levantamento anterior, o índice de confiança do brasileiro era de 109 e agora diminuiu para 88. Apesar da queda de 19 pontos, ainda é acima da média vista nos países da América Latina, de 82 pontos.
A média global é de 77 (queda de sete pontos porcentuais em relação ao segundo semestre de 2008), a dos Estados Unidos é de 80 e da China, de 89 pontos. Apenas Dinamarca e Indonésia não caíram abaixo da média apontada no índice. E dos países que formam os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), só a China não teve queda de dois dígitos.
Ao todo, 77% dos brasileiros admitem que o País está em recessão, a mesma média global. Para 65% dos entrevistados, a situação não deve mudar em 12 meses (a partir de maio, quando a pesquisa foi feita). A média latino-americana é mais baixa, 58%, e a global é de 52%. Só 18% acreditam que o Brasil sairá da recessão econômica até o primeiro semestre de 2010.
Apesar dessa consciência de que a melhora não está tão próxima de ocorrer, 81% dos entrevistados do Brasil disseram que as perspectivas de emprego nos próximos meses são excelentes ou boas (ante 74% aferidos como média na América Latina). Talvez por esse motivo 57% afirmaram ter uma percepção excelente ou boa quanto as finanças pessoais no médio prazo (ante uma média mundial de 42%). Ou seja, a crise existe, mas as dificuldades parecem estar distantes do dia a dia do brasileiro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

FORÇA POLÍTICA SUPERA GESTÃO INEFICAZ



Artigo publicado no DCI, edição de 23/06/09

Paulo Sérgio Xavier Dias da Silva


psxds@hotmail.com


O governo do presidente Lula, mais se assemelha a uma máxima culinária transmitida desde o tempo de nossas avós, sobre as claras em neve, quando mais se bate, mais elas crescem.
De fato, o nível de popularidade do nosso presidente continua crescendo, superando todos os recordes, independentemente do aumento dos escândalos ocorridos no seu governo,“nunca já mais vistos na história desse País “, da incompetência da equipe econômica para enfrentar a atual crise internacional e da ineficácia na gestão dos programas de investimentos.
Os escândalos foram tantos, que não sobrou nenhum nome relevante do seu primeiro escalão ou do seu partido, o PT, para ser indicado como seu sucessor para as eleições presidenciais de 2010.
A saída, foi tirar do fundo do baú, o nome da atual ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff e ungi-la como candidata, mas a justificativa da escolha não foi muito feliz. Alegar a sua extrema competência administrativa e considerá-la como “mãe do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento”, foram os critérios fundamentais apregoados para a sua seleção.
Como já comentamos em artigos anteriores, o PAC está sendo mais conhecido como Programa de Adiamento do Crescimento, e decisivamente, não deve ser considerado como garoto-propaganda da candidata.
As obras contempladas naquele programa , em sua grande parte, estão muito atrasadas, e o nível de execução dos investimentos projetados só atinge um terço dos valores previstos.
Se o critério for eficiência na gestão de programas de investimentos, a nossa ministra estaria reprovada. Mas, carregada pelos ombros do presidente Lula, a candidata Dilma vem subindo nas recentes pesquisas de intenção de voto e se superar, se Deus quiser, seus problemas de saúde, vai disputar, para valer, a Presidência com o tucano José Serra.
Se a candidatura de Dilma não evoluir a contento, está no bolso do colete petista, o terceiro mandato presidencial, que seria uma excrescência constitucional.
Aliás, se o presidente Lula tiver bom senso e se livrar dos apelos desesperados do PT, deve envidar todos os seus esforços para terminar bem seu mandato e tentar voltar ao poder em 2014, e não incorrer no erro histórico do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de buscar uma reeleição a qualquer custo.
Voltemos à incrível resistência do presidente Lula em absorver qualquer tipo de impacto desfavorável. Mesmo com as notícias de que estamos em recessão técnica, com a segunda queda consecutiva do PIB, verificada no primeiro trimestre deste exercício, o governo suspirou aliviado, pois o estrago na economia foi menor do que o previsto e por incrível que pareça, aumentou seu índice de popularidade.
Enfatizando que o Brasil foi o último país a entrar e vai ser o primeiro a sair da atual crise. Lula, esqueceu-se, mais uma vez, de comparar o fraco desempenho econômico brasileiro com o da China e da Índia, nossos maiores concorrentes entre os países emergentes, já que a Rússia, com a redução dos preços do petróleo, sofreu um desgaste ainda maior.
Ocultou também a política monetária equivocada do Banco Central, que perdeu o andar do bonde da história e não aproveitou a oportunidade para sair na frente na reversão da crise, ao manter, por longo tempo, a política de juros altos.
Só recentemente, o Banco Central resolveu reduzir, de forma mais adequada, a taxa Selic, que apesar de salutar, foi muito tarde. Será que o presidente do BC, Henrique Meirelles também foi picado pela mosca azul da popularidade, virou bonzinho e já se apresenta como futuro candidato a governador de Goiás, seu reduto eleitoral ?
Pouco se fez para melhorar a infraestrutura, reduzindo o custo-Brasil e não se avançou nada em termos de reforma tributária, além do excessivo aumento das despesas de custeio e do quadro de pessoal, entre outras medidas, que foram relegadas para um segundo plano.
Só foram adotadas ações pontuais, sem uma política econômica definida e consistente, mais a reboque de pressões de alguns setores mais influentes e do esquema de apagar incêndios.
A recessão só não foi maior, pelo comportamento dos gastos de consumo das famílias e do governo, mas os investimentos representados pela formação bruta de capital fixo ficaram muito abaixo do patamar necessário.
O desemprego continua em alta e o setor industrial, com raras exceções, vem apresentando dificuldades.
Os empresários não estão satisfeitos, mas o que fazer, se a recente pesquisa encomendada pela própria CNI registra índices de aprovação presidencial elevados ?
A oposição parece que já jogou a toalha e nem tem mais força para criticar o presidente Lula e vem até solicitando sua participação na celebração de acordos, mesmo que informais, nos diversos estados, para composições políticas para as próximas eleições.
Ela reconhece que não adianta mais criticar, pois o presidente Lula parece aquele brinquedo, João Bobo, que a gente bate, bate, e ele balança , balança, mas não cai.
Posição discordante neste contexto é a adotada pelo PMBD paulista, comandado pelo ex-governador Orestes Quércia, que apesar de seu partido apoiar o governo, em nível nacional, faz severas críticas ao governo federal, superando a atitude oposicionista de seu aliado em São Paulo e candidato à Presidência, José Serra.
Assim, o foco dos disparos da oposição vai ter que ser direcionado diretamente à candidata do PT, mas com muito cuidado, pois ela representa a nova tendência mundial do sexo feminino no poder e vale a pena lembrar os casos recentes do Chile e da Argentina.
Seria mais fácil brigar com o José Dirceu, Palloci ou Genuíno & Cia Ltda.
É aconselhável elaborar, urgentemente, um bom programa de governo alternativo e copiar a cartilha de marketing político usada pelo Palácio da Alvorada. Vai ficar faltando o carisma popular, o jogo de cintura e os bons fluidos energéticos e de sorte, marcas registradas do nosso atual presidente.
Quem sabe, para começar, o governador José Serra participa da gravação de um capítulo da novela global,” Caminho das Índias “ e aproveita para tomar um banho nas águas do rio Ganges.






quinta-feira, 4 de junho de 2009

“ O PERIGO DE INADIMPLÊNCIA DOS EUA “




Paulo Sérgio Xavier Dias da Silva
psxds@hotmail.com

Qualquer dona de casa, que administra a maior parcela dos rendimentos de sua família e aplica com muita propriedade os fundamentos econômicos básicos no seu difícil dia a dia, sabe que não pode gastar mais do que ganha, por um tempo muito prolongado.
Em épocas de crises e dificuldades, como numa fase de desemprego, após efetuar todos cortes e ajustes de despesas necessários, pode até se utilizar de empréstimos temporários para equilibrar seu orçamento doméstico. Mas, tem consciência, de que se trata de um expediente urgente, breve e em caráter excepcional e que terá de buscar, rapidamente, outras soluções para reverter o seu déficit.
Esse preceito deveria também ser obedecido pelas empresas e principalmente pelos governos.
Os empresários bem sucedidos já aprenderam essa lição fundamental e só buscam empréstimos e financiamentos para investimentos produtivos e alicerçados em projetos exaustivamente analisados, que conduzam a uma taxa de retorno atrativa.
No setor público, a adoção daquele princípio fica mais complicado, como no exemplo brasileiro, em que os gastos com o custeio da máquina administrativa são exagerados, a parcela destinada aos investimentos é mínima e, na maioria das vezes, ocorrem déficits orçamentários nominais ou primários, apesar da excessiva tributação. De qualquer maneira, a dívida pública sempre é significativa.
Na teoria econômica, em situações especiais, particularmente em crises de desemprego é até admissível que os governos promovam déficits orçamentários com objetivo de reativar a economia, mas esses gastos adicionais devem ser prioritariamente direcionados para investimentos em infraestrutura e para setores que absorvam mão de obra intensiva e os que atendam demandas sociais carentes e, por um período de tempo determinado.
Não é o caso que vem ocorrendo, há várias décadas, na economia americana, que incentiva um consumo exagerado para os seus cidadãos, sempre acreditando no seu potencial de crescimento econômico contínuo e nas facilidades de crédito abundantes e com menores taxas de juros.
Os governos americanos vêm acumulando déficits públicos internos gigantescos e se não bastasse, aumentam constantemente seu desequilíbrio externo.
Além de não tomarem medidas de ajustes fiscal, se aventuram numa política externa intervencionista e equivocada, ostentando com certa soberba, o título de maior potência do planeta, interferindo em questões internas de outros países e participando de conflitos e guerras desnecessários e muito onerosos.
Essa situação anômala só vem sendo mantida, através da emissão maciça de títulos do tesouro americano, até algum tempo considerados de liquidez extremamente elevada, que financiam todo esse desajuste orçamentário, com juros bastante reduzidos.
Assim sendo, para viabilizar o pagamento das despesas exageradas da maior economia mundial é exigida cada vez mais a participação de credores internacionais.
Como consequência a dívida externa dos EUA está se tornando uma bola de neve e começa a assustar os analistas econômicos mais ponderados e alguns dos investidores daqueles títulos. A ocorrência da recente crise internacional acendeu o sinal amarelo.
Em conversas informais com clientes e amigos, sempre expressamos nossa preocupação com aquele esquema artificial e como resposta ouvíamos que o império americano era praticamente invulnerável, pelas proporções de sua economia, grande participação no mercado internacional e enorme influência política e cultural.
Mas, o panorama mundial mudou, com a crise econômica gerada no próprio seio americano e países como o Japão e principalmente, a China, já estão com as barbas de molho e estão iniciando um movimento de desconfiança no poder de gestão dos EUA em financiar seu déficit fiscal, desequilíbrio externo e na tomada de medidas de aperto necessárias.
Se esse cenário se agravar, a primeira consequência será a elevação dos juros a serem pagos pelos títulos do tesouro americano e pode até chegar a uma perda acentuada de interesse em suas aquisições pelos investidores estrangeiros, derivada do crescente grau de risco envolvido.
Teríamos a inusitada situação de acompanhar, no mercado financeiro internacional, as alterações das pontuações do risco-pais dos EUA.
Deve-se enfatizar também que o dólar, considerado como moeda oficial de trocas internacionais, vem perdendo valor frente outros meios de pagamento e pode deteriorar ainda mais o quadro econômico e financeiro norte-americano.
Felizmente, o novo presidente dos EUA, Barack Obama, parece estar preocupado com esta situação incômoda e, em discurso recente, abordou o grave problema do montante da dívida de seu país.
Se esta preocupação não for traduzida em medidas urgentes e eficazes, os EUA correm o risco de se tornarem, em futuro não muito distante, a maior nação inadimplente do mundo, com sérias implicações para toda a economia global.
Como a maior parte de nossas reservas está lastreada em dólar e aplicada em títulos do tesouro americano, seria prudente o governo brasileiro já ir tomando providências para efetivar uma maior diversificação dos nossos ativos financeiros.


Paulo Sérgio Xavier Dias da Silva
Economista graduado pela USP, consultor e assessor empresarial especializado
Na recuperação de empresas em dificuldades financeiras.
www.paulosergioxavier.zip.net