sábado, 2 de agosto de 2008

Importações da China destroçam a economia palestina

Ana Carbajosa

Em Jerusalém Há 41 anos, Abdelaziz El Karaki tece os típicos lenços palestinos ("kufias") em uma fábrica decadente em Hebron, a única em toda Gaza e Cisjordânia. El Karaki viu o negócio evoluir ao ritmo dos acontecimentos políticos. Na primeira Intifada, nos anos 1980, cobrir o rosto com o lenço palestino se transformou em símbolo de resistência e as vendas dispararam, enquanto nos períodos mais tranqüilos as receitas diminuíram. Mas nenhum acontecimento político atingiu tanto a fábrica de Karaki quanto a chegada aos territórios de lenços "made in China", a preços com os quais não consegue concorrer. "Antes esta fábrica dava de comer a 50 pessoas, agora trabalho sozinho e apenas algumas horas. Se continuar assim, logo terei de fechar", lamenta Karaki, tendo como pano de fundo o matraquear de quatro das 15 vetustas máquinas da indústria. Desmoralizado, Yasir Hamad Hirbawi, o dono da fábrica, confirma a tese de seu empregado enquanto fuma com parcimônia no armazém onde guarda milhares de kufias, na esperança de um dia poder vendê-las. "Nas décadas em que trabalhei como empresário, nunca vi uma mudança tão grande", afirma. "Estamos resistindo, queremos sobreviver e produzir na Palestina, mas..." Os lamentos de Hirbawi se repetem em todo o território palestino, principalmente em Hebron, seu parque industrial. A chegada das importações chinesas deu o pontapé em uma economia debilitada em boa parte pelas restrições à liberdade de movimentos de trabalhadores e mercadorias impostas por Israel e sua rede de postos de controle, como indicou o Banco Mundial em seu último relatório. Foram-se os tempos dos famosos sapatos, vidros e têxteis de Hebron. A etiqueta "made in China" entrou nos territórios como um rolo compressor, causando o fechamento de fábricas e a demissão de milhares de trabalhadores. Os números coletados pela Câmara de Comércio de Hebron indicam que, das 120 fábricas têxteis que havia antes de 2000, hoje ficam somente dez e que dos 10 mil trabalhadores empregados pelo setor de calçados só 2.500 conseguiram manter o emprego. O restante passou a engordar a cifra do desemprego, que beira os 32%, segundo dados oficiais.É verdade que o caso palestino não é um fenômeno isolado, que a locomotiva chinesa não conhece fronteiras, mas os palestinos empobrecidos - com receitas que beiram os US$ 1 mil anuais per capita - são especialmente propensos a consumir produtos baratos, seja quem for o fabricante. "A ocupação destruiu a economia das famílias, que agora começam a comprar produtos chineses baratos", explica Jales Osaily, prefeito de Hebron, para quem sobreviver aos vaivéns da globalização é tão preocupante quanto resistir à ocupação israelense.Osaily, membro da chamada Terceira Via palestina, o partido minoritário criado em torno do primeiro-ministro Salam Fayyad, acredita que a única solução é se concentrar no desenvolvimento tecnológico e no setor de serviços. Como explicou ao ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, enviado especial da comunidade internacional ao Oriente Médio, sua idéia é montar zonas francas em Hebron que atraiam os investidores estrangeiros e que sejam capazes de concorrer com a produção chinesa, graças aos acordos de isenção fiscal que a Autoridade Palestina mantém com os EUA e a União européia. "Mas tudo isso só será possível se melhorar a liberdade de movimento dos palestinos", afirma em seu elegante escritório na prefeitura. Na sede da Câmara de Comércio de Hebron, seu diretor Maher Haimuni conta que, apesar do desembarque de importações chinesas "ter destruído nossa economia", alguns poucos, mais ousados, souberam tirar partido da nova realidade e embarcaram no trem das importações. São centenas de hebronitas que viajam regularmente à província chinesa de Guangdong para fazer negócios e comprar mercadorias.Haimuni conta que o cônsul chinês em Ramala se desloca até Hebron, onde assina centenas de vistos de uma vez. Alguns empresários palestinos acabam morando na China e outros, embora já casados, aproveitam as viagens de negócios para se casar com chinesas, recorrendo à poligamia que o islamismo permite. Os rumores sobre casamentos de hebronitas com chinesas percorrem os territórios palestinos como pólvora.Hamed Shawar afirma que ele não tem outra mulher na China, apesar de ter sido dos primeiros a se aventurar no mercado asiático e a cada dois meses viajar à Ásia para controlar o andamento de seus negócios. Hoje administra um próspero comércio de lenços, no qual as importações substituíram progressivamente a produção local. "Foi muito triste a decisão de deixar de produzir aqui. Tínhamos 30 trabalhadores e agora restam só dez, que nem sequer me fazem falta. Prefiro os chineses. Se não fosse por suas famílias, os demitiria", confessa sem rodeios em sua loja no centro de Hebron, no meio de sutiãs e túnicas ao gosto palestino, mas, sim, fabricados na China. Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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Um império em liquidação




A crise da economia dos Estados Unidos, o dólar barato e a ascensão dos emergentes vêm fazendo com que ícones do capitalismo americano passem para as mãos de estrangeiros

Por Marcelo Onaga e Angela Pimenta


EXAME

Há pouco mais de 20 anos, no fim da década de 80, empresas japonesas iniciaram uma onda expansionista nos Estados Unidos. Com a economia em alta graças à força de suas exportações, os japoneses passaram a comprar corporações até então intocáveis, assumiram estúdios de cinema, invadiram ruas e estradas com seus carros inovadores e baratos e encheram as prateleiras de lojas do maior mercado consumidor do mundo com seus aparelhos eletrônicos de última geração. A ousadia foi tão longe que eles chegaram a arrematar o Rockefeller Center, mítico edifício no centro de Manhattan e um dos maiores símbolos do sucesso do capitalismo nos Estados Unidos. Essa invasão japonesa fez sangrar o orgulho americano. Sem ter como impedir que os asiáticos comprassem suas empresas e instalassem fábricas no país, associações em defesa do patrimônio nacional foram formadas e chegaram, em vão, a propor um boicote aos produtos asiáticos. Passados 20 e poucos anos, os americanos agora deparam com uma nova invasão. No lugar dos japoneses, cuja economia perdeu o vigor dos anos 80, chegaram investidores de todos os cantos do mundo, boa parte de países emergentes. Com dinheiro vindo do sucesso de suas empresas ou de fundos soberanos bilionários, eles têm comprado grandes companhias, uma após a outra, e preparam-se para novas investidas em breve. “Isso é só o começo. Muitas empresas nos Estados Unidos ainda serão vendidas a estrangeiros”, diz o espanhol Mario Guillén, diretor do Instituto Joseph H. Lauder de Administração e Estudos Internacionais, da escola de negócios Wharton.
O exemplo mais recente dessa “invasão bárbara” foi a compra da centenária cervejaria Anheuser-Busch pela belgo-brasileira InBev. A dona da Budweiser, marca tão conhecida nos Estados Unidos quanto o Mickey Mouse e a Coca-Cola, resistiu por pouco mais de um mês à oferta feita pelo brasileiro Carlos Brito, presidente mundial da InBev. Apesar de rápida, a negociação não foi das mais suaves. Brito e August Busch IV, o polêmico herdeiro e agora ex-presidente da Anheuser, travaram uma batalha alicerçada em dinheiro e imagem pelo controle da companhia, e o resultado, para desespero dos americanos mais patriotas, foi trágico: o negócio foi fechado por 52 bilhões de dólares. No passado recente, poucos poderiam imaginar que uma empresa com capital brasileiro pudesse ter fôlego, coragem e recursos para uma aquisição dessa natureza. Pois teve. E não foi a única. Recentemente, duas outras companhias do Brasil, Gerdau e JBS-Friboi, tiveram a “ousadia” de comprar empresas nos Estados Unidos. A compra da Anheuser-Busch chegou a gerar uma reação bem-humorada de um desses desbravadores. Ao saber da compra, Joesley Batista, presidente do frigorífico JBS-Friboi, que fez uma série de aquisições nos Estados Unidos e hoje domina 30% do mercado americano de carnes, ligou para Carlos Alberto Sicupira, um dos maiores acionistas individuais da InBev. “Agora o churrasco do americano é brasileiro. Nós temos a carne e vocês a cerveja”, disse Batista.
Para uma economia como a americana, tão acostumada aos fundamentos básicos do capitalismo, o jogo de fusões e aquisições não chega a causar surpresa. Apesar de não ter sido uma constante, outras companhias americanas foram arrematadas por investidores estrangeiros durante o século 20 (inclusive na invasão japonesa da década de 80). O que chama a atenção nesse novo ciclo é o tipo de companhia que vem sendo comprada e a intensidade com que isso tem acontecido. Nos últimos três anos, empresas e ícones do capitalismo americano, como os computadores IBM, o Chrysler Building e a marca de artigos esportivos Reebok, apenas para citar alguns poucos exemplos, foram parar em mãos estrangeiras. Somente no primeiro semestre deste ano, as transações de fusões e aquisições tendo corporações americanas como alvo movimentaram uma cifra superior a 700 bilhões de dólares — e boa parte dos compradores veio de países emergentes. A presença de companhias americanas na última edição da lista das 500 maiores empresas do mundo da revista Fortune é a menor nesta década. Apenas 153 companhias com sede nos Estados Unidos fizeram parte da última lista. Enquanto isso, a presença de emergentes cresce. Há menos de dez anos, Índia, México e Rússia tinham apenas uma empresa na lista. Na última edição, a Índia aparece com sete, enquanto México e Rússia têm cinco cada um. O Brasil, que tinha três, hoje aparece com cinco representantes e deve aumentar sua presença no ranking do ano que vem.
A explicação para essa alteração de forças na economia mundial está, em grande parte, no enfraquecimento do dólar. A moeda americana vem perdendo valor quase diariamente. Em comparação com o real, o dólar atingiu no meio de julho sua pior cotação em dez anos e não há sinais de recuperação à vista. Além disso, a crise da economia americana fez com que o valor de mercado de muitas empresas despencasse, transformando-as em barganha aos olhos de investidores no mundo inteiro — especialmente companhias de países emergentes. Nos últimos anos, embaladas pela valorização das commodities, essas nações vêm crescendo acima da média mundial e algumas de suas companhias estão com grandes recursos em caixa. Forma-se então a equação que propicia essas aquisições. De um lado, a economia americana precisando de capital. De outro, a abundância de recursos. “Mas esse é um movimento bom para todos. Alguns empresários americanos precisam salvar o que resta de seus patrimônios, os Estados Unidos precisam atrair recursos para equilibrar sua balança de pagamentos e os estrangeiros têm acesso ao maior mercado do mundo”, diz Guillén, de Wharton.
Maiores compradores
Origem das empresas que mais fizeram aquisições nos Estados Unidos em 2007(1)

(em bilhões de dólares)
Arábia Saudita 12,8
Cingapura 11,2
Kuait 9,5
Emirados Árabes 9,2
Brasil 8,8
Índia 5,3
Coréia do Sul 5
China 3,6
Israel 2,5
Barein 1,4
(1) Entre os países emergentes

Fonte: Dealogic


A visão otimista do professor de Wharton não é compartilhada por todos os americanos. A venda de companhias a investidores estrangeiros tem causado uma série de reações na sociedade americana — especialmente entre sindicatos e políticos. Os alvos da expansão internacional são, normalmente, companhias com custos altos e gestão pouco eficiente. Para os trabalhadores, a chegada de estrangeiros significa demissões à vista. “A InBev é conhecida por não ter os mesmos valores da Anheuser-Busch. Isso pode não só prejudicar os empregados mas também as comunidades de forma generalizada”, disse a EXAME Jack Cipriani, diretor do sindicato da cervejaria americana. O segundo grupo — formado pelos políticos — está reagindo por razões tão pragmáticas quanto as do primeiro: a proximidade da eleição presidencial. Em um de seus discursos, o candidato do Partido Democrata, Barack Obama, também fez referências negativas à compra da Anheuser-Busch pela InBev. Seu comportamento, porém, já era esperado. Tradicionalmente, os democratas são muito mais protecionistas do que os republicanos — e os sindicatos são parte importante de apoio ao partido de Obama. Como é ano de eleição, o democrata precisava dar uma satisfação a seu eleitorado. Mas tudo leva a crer que, se ele ganhar o pleito, esse discurso não se transformará numa caça às bruxas ao investidor estrangeiro.
Historicamente, essa resistência nos Estados Unidos é muito mais retórica do que prática. Apesar do discurso protecionista, a economia americana continua sendo uma das mais abertas do mundo. Uma pesquisa feita pelo centro de estudos Heritage Foundation, dos Estados Unidos, coloca o país como o quinto mais aberto do planeta e o primeiro entre as grandes nações. Já o Brasil aparece em 101o lugar. “Os Estados Unidos só não entraram em recessão por causa do alto volume de exportações”, diz Jim Roberts, diretor de pesquisa da Heritage Foundation. O que se deve esperar para os próximos anos é uma reação mais intensa em relação aos negócios envolvendo o que os americanos consideram “segurança nacional”. Algumas negociações nessas áreas têm sido barradas pelos órgãos de regulação do país. Recentemente, o Congresso vetou a venda de seis portos para uma companhia dos Emirados Árabes Unidos, alegando questões de segurança. Há cerca de um ano, a companhia de petróleo chinesa Cnooc também foi impedida, pelos mesmos motivos, de comprar a americana Unoco. A administração Bush intercedeu para que a Chevron apresentasse uma proposta e, gentilmente, pediu ao governo chinês que não insistisse na oferta.
Engana-se, porém, quem vê nesses sinais provas de que o capitalismo americano está derretendo. Até agora, apenas empresas de setores que envolviam pouca ou nenhuma necessidade de inovação e desenvolvimento tecnológico foram adquiridas por investidores estrangeiros. Em sua maioria, essas companhias utilizavam mão-de-obra de forma intensiva e competiam diretamente com produtores de países emergentes. Por causa de fatores como o alto custo dos salários, elas eram mais ineficientes que suas congêneres estrangeiras. Mas não se tem notícia de que empresas como Apple, Google e Microsoft, que dependem fortemente de inovação e criatividade, estejam passando para as mãos de companhias indianas, chinesas ou brasileiras. Em negócios com essas características, o predomínio dos americanos ainda é confortável. “O acionista não vê vantagem em vender uma empresa como a Apple a um investidor que não terá como substituir o Steve Jobs à altura”, diz Danny Claro, coordenador do Centro de Pesquisas em Estratégia do Ibmec São Paulo. Ao menos por enquanto apenas companhias de “coleções passadas” ou com algum pequeno defeito entraram na liquidação americana.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Rating : Brasil.



Standard & Poor's diz que Brasil se beneficia de estabilidade política




da Efe, em Nova Yorkda Folha Online
A agência de classificação de risco Standard & Poor's afirmou nesta quarta-feira (30) que o Brasil se beneficia de uma estabilidade política, de uma melhoria significativa na economia e dos altos preços das matérias-primas.
Neste ano, a expansão do mercado de créditos impulsionou o crescimento da negociação da dívida, apesar das pressões inflacionárias e do aumento das taxas de juros.
A agência informa que "houve um crescente interesse" por parte de investidores estrangeiros em negociar empréstimos no mercado brasileiro desde que, em abril, elevou a qualificação da dívida soberana do Brasil.
"Prevemos que a titulação continuará sendo uma alternativa de financiamento atraente para companhias e instituições financeiras de pequeno e médio porte em 2008 e 2009", disseram os analistas da firma.
Já em relação ao entorno econômico do Brasil, a agência considera que é algo mais incerto e lembra as altas nas taxas de juros e um pouco do arrefecimento da atividade, mas acredita que ainda é positivo para as companhias brasileiras em geral.
O acesso a novos créditos "piorou" nos últimos meses, segundo a S&P, devido a maiores limitações nos mercados de capital tanto em nível doméstico quanto internacional, mas considera que as empresas não sofrem pressões de liquidez a médio prazo.
O aumento dos preços é o principal risco no curto prazo para setores com uma grande dependência do custo das matérias-primas.
A agência lembra que o mercado de dívida estruturada cresceu no Brasil até US$ 7,2 bilhão, frente aos US$ 7,1 bilhão do exercício anterior.
Grau de Investimento
Em maio, o país alcançou o feito inédito ao entrar para o grupo dos países com investment grade --o
grau de investimento. Com a nota, concedida primeiramente pelo Standard & Poor's, o Brasil poderá receber recursos de grandes fundos internacionais que só têm autorização para investir em mercados que já conquistaram essa chancela de bom pagador.
Entenda o que é "rating" ou nota de risco
Na ocasião, a Standard & Poor's elevou a nota de crédito de BB+ para BBB- como reflexo da "maturidade das instituições do Brasil e da política monetária" e da "melhoria das tendências de crescimento".
No final do mesmo mês, a agência de classificação de risco
Fitch Ratings também elevou a nota do Brasil para grau de investimento.
Para a terceira grande agência de classificação, a Moody's, a dívida pública brasileira ainda é um dos principais empecilhos à melhora na avaliação do rating soberano do país. A atual nota (Ba1), segundo o grupo, ainda classifica o Brasil como grau especulativo


quarta-feira, 23 de julho de 2008

Argentina


1 ) Brasil deixa de ser ameaça e vira modelo aos argentinos
04.08.2008 08.00

Por AE
Agência Estado O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Brasil tornaram-se, nos últimos anos, uma fonte de admiração e saudável inveja na Argentina. As lideranças da oposição recorrem constantemente à figura do presidente brasileiro para citá-lo como exemplo de consenso, em contraposição às personalidades adeptas do confronto político, como a presidente Cristina Kirchner e seu marido e ex-presidente Néstor Kirchner.
Os empresários suspiram ao ver os grandes empréstimos concedidos pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), lamentam a inexistência de um banco público desse tipo na Argentina e sonham com os generosos financiamentos "à moda brasileira" ao setor agropecuário (enquanto que na Argentina, os ruralistas são alvo de retaliações do governo local). A própria presidente Cristina Kirchner, no comício de lançamento de sua campanha eleitoral, há exatamente um ano, fez uma única referência à uma empresa. A companhia citada foi a Embraer. "Um exemplo a ser seguido”, disse Cristina na ocasião.
"O Brasil é um exemplo a imitar", sustenta Alieto Guadagni, ex-diretor da Argentina no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Depois, espeta o governo Cristina: "O Brasil responde aos desafios estimulando sua produção, e não colocando um monte de impostos sobre ela. Enquanto isso, a Argentina optou por desestimular a oferta produtiva."
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

2 ) Inflação 'aumenta' pobreza na Argentina, diz consultoria

Marcia Carmo
De Buenos Aires para a BBC Brasil


Estudo calcula em 31,6% a proporção de pobres na população argentina
A alta da inflação gerou 420 mil pobres e 335 mil indigentes na Argentina durante os últimos seis meses, de acordo com levantamento da Sociedade de Estudos Trabalhistas (Sel Consultores, na sigla em espanhol).
De acordo com o estudo, a pobreza afeta hoje 31,6% da população e a indigência, 10,8%.

Em entrevista à BBC Brasil, Ernesto Kritz, diretor do instituto e economista, afirmou que o aumento da exclusão social passou a ser evidente desde o ano passado, pela primeira vez desde a crise de 2001, e tem se agravado aceleradamente.

"O aumento da inflação está devolvendo para o nível de pobreza pessoas que tinham saído desta situação durante estes últimos anos de crescimento econômico", disse Kritz, especializado em economia trabalhista e social.

Para ele, a diferença entre os números da inflação do governo e das consultorias privadas dificulta a solução dos problemas sociais.

"Se o governo reconhecesse o problema real da inflação seria mais fácil combater a pobreza. Seria possível ajudar, principalmente os indigentes, com planos sociais. Sabemos que resolver os problemas estatísticos não resolverá a pobreza, mas não é possível encarar a realidade com estes dados", afirmou.

Na comparação entre o levantamento do Sel Consultores e do Indec (Instituto de Estátisticas e Censos), existem cerca de 1,7 milhão de pessoas a menos no índice de indigência do governo e quatro milhões a menos de pobres.

O último dado do Indec corresponde ao período de outubro de 2007 a março deste ano e mostrou uma pobreza de 20,6% e uma indigência de 5,7%.

De acordo com estudos privados, citados no documento do Sel Consultores, a cesta básica de alimentos aumentou 13,6% no primeiro semestre deste ano.

Para o Indec, a alta foi de 2,8%. Na opinião de Kritz, a inflação, principalmente desta cesta básica, foi o principal motivo para o incremento no total de pobres e indigentes.

Nos últimos tempos, analistas econômicos de diferentes tendências e técnicos do Indec questionam os dados oficiais, acusando-os de "maquiados".

Na terça-feira, trabalhadores do Indec voltaram a realizar um protesto, bloqueando o trânsito, para chamar a atenção das autoridades para a questão, que foi levada, recentemente, pela oposição à Justiça argentina.

Para o governo, a inflação está em torno dos 8% e para diferentes consultorias econômicas privadas, nos últimos 12 meses, ela estaria acima dos 25%.

Até a histórica crise de 2001, a Argentina não tinha indigência e, atualmente, continua sendo apontada pela Cepal como um dos países mais igualitários da América Latina.

Gestão de Finanças.



Confira erros na gestão das finanças que podem "quebrar" até os milionários


SÃO PAULO - Acordar milionário! Quem já não sonhou com isso?

Ganhar um dinheiro extra que justifique abandonar o emprego, comprar "aquele" carro esportivo, a mansão com piscina, casa na praia e tantos outros "mimos" que a quantia lhe permitir. Mas, sem querer parecer derrubar ninguém das nuvens, vale lembrar que muitas pessoas perdem grandes fortunas, confirmando o bom e velho ditado: "dinheiro que vem fácil, vai fácil!"E você sabe por que isso acontece? Listamos abaixo alguns erros que podem comprometer até os sonhos de quem, teoricamente, poderia realizá-los: os milionários.
Considerar sua fonte de recursos como inesgotávelVocê trabalha como assalariado e, de repente, uma quantia inesperada lhe cai nas mãos. Com o dinheiro, você imagina que poderá curtir tudo o que a vida pode lhe oferecer. Cuidado: embora pareça óbvio, durante um momento de empolgação, é bastante natural esquecer que a quantia, por maior que pareça, acaba. A conta é simples: se você só pensa em que e como gastar, inevitavelmente, mais dia ou menos dia, enfrentará problemas. Afinal, além de conquistar e acumular riquezas, é preciso saber administrar muito bem um patrimônio. É necessário entender muito bem qual a quantia em mãos, para depois partir ao planejamento do que fazer com ela. Não queira decidir tudo num dia. E lembre-se: quanto maior o número de sonhos a realizar, menor será a quantia que, caso bem investida, poderia lhe garantir uma boa renda mensal por muitos anos.
Descartar o planejamento financeiro. Um dos obstáculos que o vencedor da loteria tem de enfrentar é o fato de que o prêmio acaba tendo um impacto emocional significativo na forma como ele se relaciona com as pessoas.Muitos vencedores passam a acreditar que sabem mais do que efetivamente sabem, pelo simples fato de que ganharam uma grande quantia de dinheiro. Infelizmente, os prêmios de loteria não são acompanhados de um kit com os princípios básicos do planejamento.Assim, o que se vê são pessoas muitas vezes inteligentes, mas sem educação financeira, cometendo erros básicos que lhe custam não só o prêmio, mas também acabam prejudicando o seu relacionamento com amigos e familiares.Com pouco ou com muito dinheiro, a falta de planejamento e organização de suas finanças pode causar um verdadeiro estrago.Por isso, sair comprando carros, jóias, presentes, imóveis, pacotes de viagem e outros itens dos sonhos, sem qualquer planejamento do dinheiro disponível, é um verdadeiro perigo.
Antecipar sua aposentadoriaPense só: você ganhou na loteria e não precisa mais do seu emprego. Após anos engolindo os desagrados em seco e aguardando a tal promoção, seu sonho é poder pronunciar, em claro e bom tom, uma frase curta que mudará sua vida: "eu me demito".Até aí, tudo bem. O erro, no entanto, é fazer desse pronunciamento sua declaração de aposentadoria antecipada. Lembre-se: o dinheiro acaba! Procure nova fonte de receita, fazendo o que gosta. Mas parar de trabalhar agora, não!
"Virar" empresário da noite para o dia. Cuidado. Não é porque você tem dinheiro para investir que o negócio escolhido será sucesso na certa. Abrir sua empresa exige planejamento, pesquisa de mercado e uma análise de suas habilidades e conhecimentos.
Tornar-se um investidor, simplesmente "seguindo a onda"Acreditar que investindo ao acaso você poderá assegurar bons ganhos é um grande erro.
É preciso informação e entendimento das alternativas disponíveis no mercado, de forma a diversificar, administrar bem os riscos e garantir melhores resultados. Nada de seguir conselhos infundados ou imitar o que outros têm feito, simplesmente porque em algum momento o resultado foi positivo. Analise bem a sua realidade e o seu perfil de investidor e comece devagar. Lembre-se: se você não tem o hábito de poupar, dificilmente conseguirá investir. Está certo que não houve esforço para ganhar a quantia, mas isso não quer dizer que deva jogá-la fora por isso!

O mistério sagrado do capital.


Julian Gough*
A idéia da economia como sendo uma religião não é nova. Como apontou Max Weber, os primeiros protestantes viam o sucesso econômico como um sinal de Deus de que alguém era celestialmente eleito. Foi um pequeno passo passar disso a buscar o sucesso para assegurar a salvação. O capitalismo, como disse Walter Benjamin, pegou discretamente a Reforma Protestante e substituiu a religião por si mesmo: ele se tornou uma religião, a religião ocidental. Logo, quando o protestantismo chegou aos Estados Unidos, em sua forma mais pura, o capitalismo fez o mesmo: as Américas espanholas católicas nunca prosperaram economicamente, diferentemente da América do Norte anglo-saxã protestante.
Mas as religiões evoluem, e os eventos recentes mostram que o capitalismo começou a evoluir menos como os tentilhões de Galápagos (cujos bicos se ajustaram ao longo de milênios para se adequar às bagas de sua ilha individual), e mais como o Incrível Hulk. O capitalismo Incrível Hulk pode expandir seus músculos de crédito tão rapidamente que suas roupas de ativos do mundo real não podem se expandir rápido o suficiente para contê-los. Expansão, explosão, colapso - o capitalismo Incrível Hulk cai, atordoado e encolhido de novo, nas trapos de seus ativos. Ou, retornando à nossa analogia religiosa, se o capitalismo fosse uma religião, ela agora seria um culto pseudocientífico prazerosamente demente.
O capitalismo Incrível Hulk está para o capitalismo de Adam Smith como a Cientologia está para cristianismo de Cristo. Tanto as altas finanças modernas quanto a Cientologia usam a linguagem e instrumentos da ciência para fins que são religiosos, não científicos. Ambos atendem uma necessidade, um anseio que as antigas formas de religião e capitalismo não mais atendem. A necessidade de um poder misterioso maior do que nós, no qual possamos acreditar. Ele precisa ser poderoso - mas também deve ser misterioso. E o mistério vem desaparecendo do mundo cada vez mais rápido, desde Galileu.
Nós sabemos do que são feitas as estrelas e podemos computar seu curso pelos céus pelos próximos 10 mil anos. Nós podemos explicar as tempestades e inundações que antes eram evidência da ira de Deus. Mas à medida que o avanço da ciência removeu o mistério divino de grande parte da vida, o avanço do capitalismo de livre mercado o devolveu. Apenas a economia moderna pode atualmente fornecer forças que não entendemos. E precisamos disso em nossas vidas.
De Adam Smith até o presente se passaram pouco mais de 200 anos. O Islã, o cristianismo e as religiões do Oriente levaram muito mais tempo para cobrir territórios bem menores. Por que o capitalismo moderno acelerou repentinamente, de forma explosiva, sua disseminação nos últimos 30 anos?
Para um sistema substituir sem derramamento de sangue outro sistema entrincheirado, o novo deve oferecer alguma melhoria significativa. E deve oferecê-la a todos. A religião de Abraão e Moisés não explodiu pelo mundo até que Paulo decidiu tornar a versão do judaísmo pregada por Jesus aberta a todos, independente de seu nascimento. Da mesma forma, o capitalismo à moda antiga era incapaz de se tornar uma religião universal, porque não oferecia esperança de salvação para todos. Apenas aqueles nascidos em uma elite de proprietários de terras e donos de capital podiam ter acesso ao capital. Mas o recente aumento do capital de risco abriu o capitalismo a todos e finalmente o tornou uma religião potencialmente universal.
Apenas mais uma mudança era necessária, e ela veio em 1971. Pois enquanto o dinheiro precisava ser apoiado pelo ouro, a economia estava enraizada no mundo material (da mesma forma que o cristianismo era apenas uma filosofia interessante enquanto Cristo estava vivo). O abandono do padrão ouro foi a crucificação e ressurreição do capitalismo; o evento traumático e libertador que permitiu ao capitalismo ser puramente religioso e totalmente movido pela fé. E como todas as religiões, assim que seu elo com o mundo físico foi partido, o capitalismo de livre mercado lamentou brevemente, então experimentou um aumento de energia e expansão.
Em uma explosão dos mercados de crédito, gastos geradores de déficit e dinheiro baseado em fé, ele subjugou os soviéticos e chineses e sacudiu as sociedades islâmicas até suas raízes. Ele se expandiu mais longe e mais depressa que o Islã após a morte de Maomé. O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial enviaram seus missionários para cada país. E sua língua agora substituiu o latim como língua universal, falada por uma casta sacerdotal sombria, vestida de preto, mas expressa sem o entendimento das pessoas comuns.
As pessoas precisam disso, elas anseiam por mistérios, um sacerdócio, xamãs em contato com grandes forças. E as altas finanças modernas, como o latim da igreja cristã, têm mistérios profundos em seu âmago. Nem mesmo banqueiros sabem o que uma obrigação de débito colateralizada ao cubo realmente é.
Enquanto antes o mistério essencial estava contido na frase "fiat lux" - que haja luz - ele agora está contido na frase "fiat money" (moeda fiduciária). O dinheiro, essa coisa sem peso, esse espírito que está em toda parte e em lugar nenhum: este nada em tudo, é o Espírito Santo do capitalismo. E seu toque pode transformar você nesta vida, dando a ele uma grande vantagem sobre religiões anteriores, que oferecem apenas consolo na próxima. Um banco com uma base de capital de US$ 10 bilhões pode emprestar US$ 100 bilhões. Mas com esse dinheiro, as pessoas constroem casas reais, dirigem carros reais, comem pão real e bebem vinho real. Este não é um ato de criação? Não é um mistério digno de Deus?
Um banqueiro pode fazer um empréstimo de US$ 1 bilhão para uma empresa de mineração. Este dinheiro baseado em fé, apoiado por nada, transferido eletronicamente, é usado para transformar colinas em buracos. A mineradora envia o minério resultante para todo o mundo. Nós vivemos na primeira era em que a fé pode literalmente mover montanhas.
Os críticos do capitalismo de consumo se desesperam diante da tolice das massas, que compram o que querem embalado como se fosse o que precisam. Mas este é um entendimento equivocado da transação. Nós rezamos com nosso dinheiro, que é apoiado por nada a não ser fé, e um milagre acontece - nossas cestas se enchem de bens, muito mais coisas do que poderíamos produzir ou cultivar nós mesmos. Em todas as outras religiões, você vai ao templo e dá aos guardiões alimentos que você cultivou com dificuldade. Sob esta nova religião melhorada, o templo dá alimento a você. O que acontece, toda vez que realizamos compras, é um milagre semelhante ao dos pães e peixes.
Muitos falam sobre as desigualdades do capitalismo moderno. Mas a verdade é mais sutil e estranha. O cristianismo antes pregava a igualdade do homem, mas não conseguiu encontrar um modo de tornar real a visão. O comunismo tentou e fracassou em impor a igualdade a nós. Mas apenas nosso capitalismo moderno, excitável, baseado na fé, conseguiu este grau de uniformidade e igualdade. A Ikea, com suas cadeiras de US$ 10, está proporcionando não apenas o céu cristão, mas também o comunista: todos iguais, sentados nas mesmas cadeiras, iluminados pelos mesmos abajures, em todo o mundo.
*Julian Gough conquistou o prêmio BBC National Short Story em 2007.
Tradução: George El Khouri Andolfato
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terça-feira, 22 de julho de 2008

Mundo Ético.


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