segunda-feira, 24 de agosto de 2009

DÍVIDA PRIVADA SUPERA A DO SETOR PUBLICO.


Crescimento da classe média, estabilidade econômica e segurança institucional explicam mudança, segundo especialistas. Dívida de famílias, indivíduos e empresas chega a 52,9% do PIB; para economista, juro alto e prazo curto ainda são entraves ao crédito privado

TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
UOL ONLINE

A dívida de famílias, indivíduos e empresas privadas ultrapassou no ano passado, pela primeira vez desde o início do Plano Real, o total do endividamento do setor público, que até então absorvia a maioria dos recursos disponíveis para financiar a economia brasileira.
Trata-se, segundo especialistas, de mudança estrutural na forma como o país se financia, que sinaliza o amadurecimento do mercado de capitais e maior viabilidade do setor privado.
A virada ocorreu em abril de 2008, ainda no auge da expansão da economia, segundo o Cemec (Centro de Estudos do Mercado de Capitais), entidade ligada à Fundação Ibmec, criada pelas instituições do mercado para avaliar desempenho e dar suporte técnico para o comitê que define prioridades de autorregulação.
Segundo o economista Carlos Rocca, autor do estudo, a mudança é fruto da estabilidade da moeda, da emergência de uma nova classe média e da pujança do setor privado. Altera progressivamente o funcionamento da economia do Brasil, país com um dos menores patamares de crédito do mundo, quase sem financiamento imobiliário e de infraestrutura.
Para o economista Claudio Haddad, presidente do Insper e ex-diretor do BC, a mudança decorre também de ganhos institucionais que trouxeram mais transparência e reduziram o risco do investidor, como o Novo Mercado, a Lei de Falências, a alienação fiduciária e o crédito consignado. "Você não tem desenvolvimento de mercado privado sem que o investidor possa ter segurança e horizonte para suas aplicações."
No estudo, o setor privado somava em junho R$ 1,549 trilhão (52,9% do PIB) em empréstimos bancários, promissórias, debêntures, fundos de recebíveis, entre outros instrumentos, ante R$ 1,32 trilhão do endividamento público, incluindo empréstimos bancários das estatais. É o primeiro trabalho que considera dados de diferentes fontes e procura retirar duplas contagens.
Para Rocca, a mudança significa que o governo e as estatais começam a sair do centro das decisões financeiras, espaço que passa a ser ocupado pela iniciativa privada, pela sociedade civil e por entidades de classe e de defesa do consumidor, que podem não estar totalmente articuladas para assumir esse papel. "Falta investir em educação financeira em todos os níveis: pessoa física, Executivo, Legislativo e Judiciário."
Do ponto de vista da aplicação desse dinheiro, a mudança indica que as perspectivas de crescimento de empresas e as ambições da classe média, como comprar um carro, uma casa, viajar ou investir na educação dos filhos, tornam-se mais viáveis e com menor risco de dar errado -como em qualquer decisão de investimento, pautada pelo equilíbrio entre taxas de retorno e risco.
Para o economista Edmar Bacha, um dos formuladores do Plano Real, o crédito privado progrediu muito nos últimos cinco anos, mas o principal problema diz respeito aos prazos desses financiamentos, que seguem curtos e só devem aumentar com juros menores.
"Mais importante do que olhar quantidade é ver os prazos. Em que prazos estão sendo feitos esses financiamentos? Com taxa de juros muito elevadas, não dá para ter nem prazo nem muito crédito. Quem consegue pagar taxas de juros [altas]? Só o governo", disse.
Para Ricardo Carneiro, professor da Unicamp, não há uma disputa de recursos entre o setor público e o privado, mas um custo alto dos empréstimos no país. "O título privado sempre paga juro maior do que o público por uma razão muito simples: o risco [do título público] é menor, o governo coleta imposto e pode emitir moeda. As taxas do setor privado são feitas como desdobramentos das do setor público, por isso o crédito privado sempre teve taxas muito altas."

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

BANCO PÚBLICO E ELEVAÇÃO DO CRÉDITO




Paulo Sérgio Xavier Dias da Silva
psxds@hotmail.com

O governo acertou ao utilizar bancos públicos para expansão do crédito e para desobstruir o empoçamento da liquidez

Demorou, mas enfim chegou o momento de elogiar um dos poucos acertos da equipe econômica do atual governo.
Depois de perder um precioso tempo no processo de diminuição das taxas básicas de juros, da ineficácia na gestão dos programas de investimentos em infraestrutura e logística, do engavetamento da reforma tributária, da inércia na redução dos encargos trabalhistas e do custo Brasil, da falta de maior incentivo ao mercado interno e da ausência de uma política econômica mais consistente para o enfrentamento da atual crise, entre outros equívocos, temos que admitir o êxito na decisão do governo em utilizar os bancos públicos para a expansão do crédito e para desobstruir o empoçamento da liquidez da economia.
Atuando na defensiva, as instituições financeiras privadas usaram a tática dos times de futebol mais retranqueiros, ficando apenas com um atacante na frente e os demais jogadores, do meio de campo para trás, ou seja, mantiveram os juros em patamares elevados e atuaram com excessivo rigor na concessão de crédito.
Conforme já havíamos alertado em nosso artigo “Bancos e os riscos do negócio”, publicado no DCI, em 25/05/09, os bancos precisam relembrar que o risco faz parte de qualquer negócio e da necessidade de direcionar mais os seus recursos para créditos ao setor produtivo, já que a época das “vacas gordas” dos lucros exagerados e fáceis, oriundos das aplicações maciças em títulos públicos, estava acabando, com a redução gradual da taxa básica de juros, Selic.
Além da curiosa aversão ao risco, derivada daquele perfil demasiadamente conservador de seus investimentos, os bancos privados tentaram evitar ao máximo, a redução dos juros nos empréstimos concedidos e de qualquer ação que implicasse num decréscimo da margem de lucro de suas operações financeiras.
Neste cenário, exigiram até que o governo mudasse as regras de remuneração da caderneta, em vez de diminuir as absurdas taxas de administração dos seus fundos de investimentos, e só depois de perceberem que aquelas medidas anunciadas ficaram na geladeira é que iniciaram um processo forçado de redução.
Também não se esforçaram para a implantação do cadastro positivo, mesmo alegando que a inadimplência representava um terço do custo do spread bancário.
Quando postos em cheque porque não reduzem as suas taxas de juros e incrementam seus empréstimos ao setor produtivo, principalmente para as pequenas e médias empresas, defendem-se alegando o alto risco envolvido nessas operações.
Neste aspecto, quem diria, os bancos públicos deram uma verdadeira lição estratégica e apostaram na expansão do crédito, ampliando significativamente suas carteiras de empréstimos, enquanto os maiores bancos privados apresentaram redução.
Como resultado, o Banco do Brasil obteve um excelente desempenho no primeiro semestre, conseguindo conciliar o aumento da concessão de crédito com a queda da inadimplência.
Assim sendo, o Banco do Brasil (BB) apresentou um expressivo lucro - de R$ 4,01 bilhões - , apesar de registrar um pequeno crescimento em relação ao idêntico período de 2008, e voltou a liderar o ranking dos maiores bancos do País, com R$ 598,8 bilhões de ativos totais, recuperando a posição perdida anteriormente para o Itaú Unibanco.
A continuar nesse ritmo, o BB, em termos de lucratividade, poderá ultrapassar o Bradesco, que teve um lucro quase idêntico (R$ 4,02 bilhões) e a ameaçar a liderança do Itaú Unibanco (R$ 4,58 bilhões). Talvez isso explique o desabafo do ministro da Fazenda Guido Mantega, em resposta às provocações de Roberto Setúbal, do Itaú Unibanco, de que as taxas cobradas pelos bancos públicos são insustentáveis.
Além de lamentar “a dor de cotovelo” do representante do Itaú Unibanco, preferimos enaltecer as declarações do presidente do BB, Aldemir Bendine de que aquele banco público adotou a estratégia correta ao dar um voto de confiança ao País e trabalhar para o destravamento das linhas de crédito.
Devemos ressaltar também a mesma atitude adotada pela Caixa Econômica Federal, que vem expandindo suas operações de crédito e reduzindo as taxas de juros.
A partir deste momento, cabe aos bancos privados reverem seus critérios de concessão de crédito, reduzir os juros e acreditar mais no empresariado nacional, para não perder o bonde da história ou figurar como um dos vilões do crescimento econômico brasileiro.
O Brasil só conseguirá reverter os efeitos adversos desta crise internacional e partir para um desenvolvimento econômico sustentável se contar com a valorização do seu setor produtivo e com a presença de um setor financeiro atuante e parceiro.
A concorrência entre os bancos, como nos demais setores da economia, é salutar e não deve ser temida. Basta de premiar o ganho fácil e a especulação financeira.

Paulo Sérgio Xavier Dias da Silva, economista graduado pela Universidade de São Paulo (USP), consultor e assessor empresarial, especializado na recuperação e expansão de empresas em dificuldades financeiras.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

PERSONAGENS DO MERCADO ACIONÁRIO.


Joseph Kennedy e as lições de um engraxate

Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira
18/08/09 - 14h00
InfoMoney


SÃO PAULO - Muitas vezes, as lições mais valiosas de investimento são extraídas dos conceitos mais simples. Além de seus resultados como investidor, Warren Buffett é famoso nos mercados pela simplicidade característica de suas frases, que guardam grande conteúdo. Personagens do mercado desta vez conta outra história simples, valiosa e muito famosa nos mercados, mas não de Buffett.

Tal como o megainvestidor citado, o personagem desta matéria fez fortuna no mercado acionário. Ainda assim, é mais conhecido pela linhagem de sua família: Joseph Kennedy, pai do ex-presidente norte-americano John F. Kennedy, assassinado em 1963, e dos senadores Robert e Edward Kennedy. Mas para o caso em questão, o que interessa são as facetas do investidor Joseph Kennedy.

Irônico
A trajetória de J. Kennedy revela algumas curiosidades. Ironicamente, era conhecido como um investidor agressivo, extremamente ganancioso. Relatos apontam que ele chegou a comercializar bebidas alcoólicas durante o período de Lei Seca nos Estados Unidos, entre outras coisas.

Apesar deste perfil, Kennedy se tornou presidente da SEC (Securities and Exchange Commission), o órgão regulador do mercado norte-americano, entre 1934 e 1935, cargo geralmente associado a um perfil mais conservador. O que não era seu caso.

A origem da fortuna de Kennedy é associada a práticas especulativas com ações e contratos de commodities. No posto de chairman da SEC, entretanto, desenvolveu mecanismos de controle das atividades especuladoras e voltou esforços contra possibilidades de manipulação do mercado acionário e o uso de informação privilegiada.

Insider
Seu primeiro emprego após a graduação em Harvard foi como analista de um banco estatal. O perfil arrojado de Kennedy começou a aparecer quando o banco que seu pai possuía participação, o Columbia Trust Bank, se deparou com a possibilidade de concordata. Kennedy emprestou cerca de US$ 45 mil de familiares e amigos e assumiu o controle da instituição, se tornando presidente do banco aos 25 anos.

Além do setor financeiro, os negócios de Kennedy também circulavam pelo segmento imobiliário, com a aquisição de companhias que apresentavam problemas para se manter. Mas seu contato com o setor bancário que lhe rendeu o contato com Wall Street.

Naquela época, o mercado passava por fase de grande desenvolvimento, e enfrentava um prolongado bull market que acabaria por culminar na crise de 1929. As atividades eram pouco regulamentadas e Kennedy é reconhecido praticante de estratégias que depois seriam rotuladas de manipulação de ativos e insider trading - utilização de informações privilegiadas -, e seriam combatidas quando o próprio Kennedy assumiu a SEC.

O engraxate
Neste bull market, Kennedy operou contratos de commodities e ativos principalmente ligados ao setor imobiliário. Mas suas grandes tacadas sempre partiam dos períodos de adversidade. Aí aparece sua tão famosa lição.

A lenda conta que, já dono de uma vasta carteira de ações, Kennedy parou para engraxar seus sapatos numa quarta-feira e ficou surpreso ao receber conselhos de investimento de seu engraxate. Como o mercado de ações era ambiente de investidores ricos e pessoas de renome na época, Kennedy julgou que algo estava errado.

Após ouvir conselhos do engraxate, resolveu vender todas as ações que possuía no mesmo dia. Por timing ou ironia do destino, a quinta-feira seguinte ficou marcada na história como a "Black Thursday", a quebra da bolsa de Nova York e um dos marcos iniciais da Grande Depressão. O valor das ações derreteu, mas Kennedy estava fora.

O caso de Joseph Kennedy encobre um período de bolha nos preços dos ativos, de supervalorização dos papéis. Talvez pela tamanha popularidade que o mercado de ações havia atingido, pelas proporções surreais que os preços haviam tomado. Para a história, fica uma das mais famosas lições de investimento: quando até seu engraxate lhe dá conselhos sobre o mercado, talvez seja hora de sair dele. Sem desmerecer a profissão.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

COMO GANHAR DINHEIRO


Tem gente que procura no Google sobre como ganhar muito dinheiro. O fato é eu não há uma receita mágica e 100% eficiente para que o sonho de ganhar muito dinheiro realize-se de uma hora para outra. De qualquer modo, há algumas maneiras bem conhecidas do grande público para conseguir ganhar muito dinheiro. Vamos a elas:


1 - Ganhar na Mega-Sena. Essa é óbvia e não demanda grandes explicações. É só fazer uma aposta, acertar os 6 números e correr pro abraço;

2 - Investir na Bolsa de Valores. Investir é meio que um tipo de aposta, você pode ganhar muito dinheiro mas pode perder muito também. E isso pode demorar anos para acontecer, como acontecer repentinamente. Dia desses, uma das empresas com capital aberto na Bovespa teve suas ações valorizadas em 700% num único dia. Quem comprou R$ 1 milhão em ações da tal empresa, acabou o dia com R$ 8 milhões!!!

3 - Virar um blogueiro bem-sucedido. Os rendimentos não chegam nem perto das duas alternativas anteriores, mas já servem para alguma coisa. Sei de um blogueiro que chega a ganhar US$ 13 mil dólares por mês! (não sou eu :\);

4 - Virar vendedor. Mas não qualquer tipo de vendedor. Dependendo do ramo de atuação, dá pra faturar uma boa grana. Conheço um cara que vende açúcar para supermercados, ele é intermediário entre a indústria e o varejo. Outro dia estava contando que houve uma época em que o valor mensal de suas comissões chegava a R$ 100 mil reais. Mas é como eu disse, depende da área de atuação. Alguns vendedores faturam muito mais que isso, outros sofrem para faturar mil reais mensais.


UMA RESPOSTA ...
Ganhar “muito” dinheiro
Semana passada, escrevi aqui neste espaço sobre o tema “ganhar dinheiro”. Como disse na abertura do artigo, tratava-se de assunto polêmico. Não deu outra: choveram e-mails e telefonemas, com os mais diversos comentários. Muitos elogios, aprovações e boas reclamações também.

De alguns amigos eu já esperava a crítica. Conhecendo-os como conheço, sabia que estaria provocando-os com a abordagem. Afinal, para eles não existe simplesmente “ganhar dinheiro”. Somente interessa se for “ganhar muito dinheiro”. Entendo perfeitamente o ponto-de-vista dos que pensam assim. E, em alguns aspectos, até concordo. O único problema é que “muito” é um termo relativo. Muito quanto? Quanto é muito dinheiro para você? Em palestras, costumo perguntar aos participantes qual seria a renda mensal para que eles se tornassem ricos. As respostas variam de R$ 5.000,00 a R$ 10 milhões. Para algumas pessoas, uma renda mensal de cinco mil reais pode ser o sonho de uma vida; a verdadeira fortuna. Para outros, esse valor não cobre as despesas mensais com itens de higiene pessoal. O que é muito para uns, é pouco para outros. Por isso, deixo que cada leitor chegue às suas próprias conclusões sobre quanto dinheiro precisa para viver bem e ser feliz.

Certo é que a felicidade não está condicionada a esse montante. Para alguns, “muito dinheiro” pode representar a verdadeira desgraça, o infortúnio, o fim da vida. Conhecemos histórias reais que tiveram final trágico quando seus protagonistas foram “presenteados” com a fortuna. Por outro lado, há pessoas que com “pouco dinheiro” conseguem levar uma vida tranqüila e feliz. E que se dizem plenamente realizadas. Parece-me que o importante está na forma como cada um lida com o que tem, ou melhor, com sua própria vida, independente de ter muito ou pouco dinheiro.

Outra crítica à abordagem do artigo anterior foi o fato de eu ter condicionado “ganhar dinheiro” com trabalho (em alguns casos, com muito trabalho). É incrível, mas tem gente que ainda pensa em ficar rico, sem fazer nada, levando a vida na valsa.

Bom, em parte, essa crítica pode ter razão: se você pensar em evoluir financeiramente trabalhando muito, corre o risco de ver a vida passar, sem aproveitá-la. Há uma variável que precisa ser adicionada à equação para que ela traga melhores resultados. É o conhecimento! Uma nova perspectiva sobre as possibilidades de “ganhar dinheiro” pode acelerar o processo de evolução patrimonial; e melhorar a qualidade de vida. Aquela coisa de trabalhar, trabalhar, trabalhar, sem sair do lugar, realmente não é algo que eu recomendo. Trabalhar no sentido de correr atrás do dinheiro, também não.

As coisas adquirem nova forma quando começa a se perceber que o bom trabalho é o que nas traz satisfação e melhora nossa vida. Também, quando aprendemos que é preciso fazer o dinheiro trabalhar para nós, e não o contrário.

Portanto, nos exemplos do artigo anterior, em que alguns profissionais “trabalham” além do expediente normal, presumo que estão fazendo coisas que gostam de fazer, mais por prazer do que por necessidade. E que, naturalmente, são remunerados por isso, utilizando o ganho extra para o aumento de seus patrimônios, de maneira inteligente.

Você conhece alguém que não faz nada? Sempre estamos ocupados. E é muito bom quando nos ocupamos com coisas que gostamos de fazer e que de sobra ainda nos traz dinheiro. Fazer do lazer o ganha-pão ou transformar trabalho em lazer não é exatamente o que aprendemos nas escolas.

Agora, se isso vai trazer “muito” dinheiro para você, eu não sei. Pois, tudo dependerá daquilo que falei antes: quanto é “muito” para você.

O que eu sei é que conheço gente que está ganhando “muito” dinheiro porque está fazendo a coisa certa. Sabe o que fazer com o dinheiro que ganha; sabe como ganhar mais dinheiro; e sabe aproveitar a vida enquanto faz tudo isso ao mesmo tempo.

Assim, eu também acho bom.
Jornal de Hoje

domingo, 16 de agosto de 2009

ONIOMANIA : COMPRAR ACIMA DO PEMITIDO.


Transtornos da modernidade

Por Emanuelle Bezerra

A segunda metade do século XX foi marcada por muitas transformações na sociedade. Junto com todas as novidades tecnológicas, desenvolvimento econômico de muitos países e, por consequência disso, melhoria na qualidade de vida, surgiram novos problemas também. Alguns transtornos mentais anteriormente nunca documentados começaram a surgir em meio à criação de meios de comunicação que difundiram conceitos que muitas vezes não podem ser adotados por todos.

O incentivo ao consumo é um bom exemplo disso. A vontade de comprar desordenada tornou-se uma doença que já atinge 2% da população mundial. A oniomania – como é chamado este transtorno – pode demorar a ser diagnosticada, já que a prática do consumo é bem vista pela maioria da sociedade e pelo fato de muitos desejarem o status do poder de compra.

A oniomania é caracterizada pela deliberação que o desejo por determinado produto provoca no paciente. Não é apenas o consumo, o objeto, mas a satisfação ao concretizar a vontade crescente de compra que gera ansiedade e planejamento, tomando grande parte do tempo da pessoa. O Dr. Antônio Luciano, que trabalha em um programa da Associação Brasileira de Psiquiatria de desmistificação de transtornos e é coordenador científico da Interconsulta Psiquiatra Hospitalar, diz que existem pessoas com uma predisposição para a oniomania, mas que o problema é acentuado com a exposição à publicidade e à propaganda.

Segundo o especialista, apesar de muitos psiquiatras acreditarem que a oniomania seja um fenômeno da pós-modernidade, não há como se ter certeza, pois não existem artigos científicos que comprovem essa tese. O fato é que este e outros transtornos — como a síndrome do pânico, transtornos alimentares e compulsivos — começaram a ser identificados após os anos de 1950.

O tratamento

Nos Estados Unidos, o primeiro grupo de apoio para os dependentes de compras surgiu já na década seguinte ao início da identificação da doença, em 1968. Os Devedores Anônimos só chegaram ao Brasil em 1997, com reuniões em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Paraná. Os encontros semanais fazem parte do tratamento, que inclui ainda medicamentos e psicoterapia.

Além disto, é necessário dar fim a todas as formas de crédito do paciente, como cheques e cartões de crédito. Uma outra pessoa precisa assumir o controle financeiro da vida do paciente e ajudá-lo a se reorganizar. O Dr. Leandro diz que, apesar de a doença não ter cura, existem pessoas que conseguem recuperar o controle e deixar de tomar os medicamentos. Outras precisam do acompanhamento de remédios para sempre. “A pessoa cria estratégias internas que a ajudam a sofrer menos desta dependência”. Ele lembra também que esta compulsão é comum em pessoas portadoras de outros transtornos mentais, como o bipolar.

H. Vidal sofre de transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e apresentou a oniomania durante o tratamento. “Foi um efeito colateral do antidepressivo. Eu tive uma virada maníaca e gastei R$ 40 mil em livros e DVDs em dois meses”. O que diferencia o paciente que sofre de outra doença e apresenta a compulsão do portador de oniomania é justamente o imediatismo da compra. O Dr. Luciano explica que a pessoa compulsiva por compras delibera um tempo muito grande pensando na compra. “O processo da compra é o que caracteriza a oniomania. A pessoa passa horas ansiosa por satisfazer o desejo de ter algo e assim que o satisfaz já coloca outro no lugar. Ela não se importa com as dívidas, ou com o comprometimento de seus bens e renda. É de fato um vício. Diferente dos outros transtornos em que a pessoa olha, gosta e compra sem pensar como irá pagar”.

O psiquiatra também lembra que a oniomania, assim como os transtornos alimentares, atinge muito mais a população feminina. A média é de um homem para cada quatro mulheres afetadas pela doença. “No homem isto é menos característico ou menos divulgado por eles. Pode ser por uma questão cultural, o homem pode sentir vergonha desta exposição, ou mesmo pelos hábitos de compras serem diferentes entre os gêneros”. R. Soares, por exemplo, gastou toda a sua herança em carros. “Sempre que ficava para baixo comprava um carro ou uma caminhonete nova para as duas fazendas que meu pai deixou. Enchi os mais de 21 mil hectares de veículos e fiquei sem chão, sem ter onde morar”.

Assim como todo dependente, os consumidores compulsivos demoram a admitir seu vício. R. Soares diz que só admitiu quando viu sua mulher e filhos irem para a casa da sogra. “Minha mulher tentou me alertar, mas como dinheiro não era o problema eu dizia que ela não queria que eu gastasse muito em um carro para ela poder gastar tudo com blusinhas”. O Dr. Leandro alerta também para a questão financeira. Muitas pessoas com o poder de compra menor têm um menor grau de dependência e ao adquirir posições maiores a compulsão também cresce. O início da doença coincide com o fim da adolescência, mas o comportamento só se torna problemático cerca de dez anos mais tarde.

Nas mulheres, o transtorno se apresenta na quantidade de coisas adquiridas. T. Moura frequenta o D.A. há um ano e meio diz que conseguiu encontrar o equilíbrio,apesar de ainda sentir muita vontade de “torrar todo o pagamento de uma vez”. Ela precisou ser afastada do trabalho pela falta de produtividade, pois passava muitas horas planejando uma compra. “No inverno de 2007, quando o quadriculado voltou à moda, eu quis tanto uma calça nesse estilo que comprei umas cinco, mas apesar de gostar de todas, eu não encontrava a perfeita. Fiquei tão apreensiva de nunca encontrar que simplesmente só pensava nisso. Em que loja eu poderia procurar, que formatos de bolso, enfim, foi loucura, já se passaram dois anos e elas ainda estão com a etiqueta”.

Moura também contraiu uma dívida mensal quatro vezes maior do que sua renda. Ela explica que, como sempre comprou muito, em alguns lugares ficou conhecida e com crédito. Porém, na ocasião de seu afastamento, o volume de compras aumentou e ela paga por estas dívidas até hoje. “O segredo é não fazer o primeiro débito”, conclui.


PUBLICADO EM OPINIÃO E NOTÍCIA.

http://opiniaoenoticia.com.br/vida/comportamento/oniomania-compras-acima-do-permitido/?optin

sábado, 15 de agosto de 2009

GARANTIA BANCÁRIA.



Parmesão é garantia bancária na Itália
Do UOL Tabloide
Em São Paulo
Dinheiro não é tudo na vida. Há também o queijo.

Na Emilia Romana, centro da Itália e pátria do parmesão, os empréstimos bancários concedidos aos agricultores são garantidos por fornadas do delicioso queijo, depositado nos bancos enquanto alcança o ponto ideal.
Este sistema único no mundo nasceu nos anos 50 e no século 21 ainda é utilizado por quatro bancos desta região da Itália: o Banco Agrícola Mantovana (MPS), o Popolare di Verona, o Popolare dell'Emilia Romagna e o Credem (Crédito Emiliano), que abrigam mais de 400.000 fôrmas de parmesão.

A fôrma de parmesão, que pesa 40 quilos e vale 300 euros, amadurece após dois anos da fabricação.

"Durante os dois anos, os produtores devem enfrentar os diversos gastos e continuar pagando os fornecedores. Para permitir o acesso ao financiamento necessários, os bancos da região de vocação agrícola decidiram criar depósitos para parmesão", explica William Bizzarri, diretor geral da Magazzini Generali delle Tagliate (MGT), uma empresa fundada pelo Credem em 1953.

Os depósitos servem ao mesmo tempo de garantia para os créditos. Se o cliente não pagar o crédito, o banco recupera o valor vendendo o queijo
.

VEJA : http://noticias.uol.com.br/tabloide/tabloideanas/2009/08/14/ult1594u1690.jhtm

14/08/2009 - 07h39

VEÍCULOS : FINANCIAMENTO.


13/08/2009 - 10h37
MERCADO
Maioria da frota brasileira é de carros financiados
Para estudo, 56% dos 24,4 milhões de veículos em circulação têm financiamento

da Redação

Se você sempre ouve aquele discurso de que o melhor é comprar à vista, mas adquiriu um veículo por meio de financiamento, saiba que não está sozinho. A maioria (56%) da frota estimada de 24,4 milhões de veículos e comerciais leves com 15 anos de vida em circulação no Brasil tem financiamento ativo. O dado foi divulgado pela Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras), referente ao primeiro semestre deste ano.

Esse volume equivale a cerca de 14 milhões de consumidores, sendo que 38,6% têm alienação fiduciária gerada por operações de CDC (crédito direto ao consumidor) ou consórcio, 14,4% têm arrendamento mercantil e 3% têm algum outro tipo de financiamento (penhor mercantil, reserva de domínio etc).

O saldo total das carteiras de leasing e CDC para a aquisição de veículos pelas pessoas físicas teve alta de 14,7%, saltando de R$ 129,4 bilhões em junho do ano passado para R$ 148,5 bilhões no mês de 2009. Se analisadas separadamente, a carteira de leasing cresceu 43,1%, passando de R$ 45,5 bilhões em junho de 2008 para R$ 65,1 bilhões em junho deste ano. Já o saldo da carteira de CDC teve uma retração de 0,6%, saindo de R$ 83,9 bilhões para R$ 83,4 bilhões, comparando o mesmo período.

O saldo acumulado do crédito das carteiras de Leasing e CDC corresponde a 5,1% do PIB (Produto Interno Bruto, conjunto das riquezas produzidas no país), contra 4,4% em relação ao mesmo período de 2008. Esse montante também passa a representar 34,2% do total do crédito destinado no mercado para as pessoas físicas.

As taxas de juros em junho de 2009 seguem em tendência de queda. Nos primeiros seis meses do ano, a taxa média de juros praticada pelas associadas à Anef chegou ao patamar de 1,49% ao mês, enquanto no mesmo período do ano passado, a média mensal ficou em 1,65%.

O plano máximo de financiamento apresentou pequena elevação em comparação ao mesmo período do ano passado, saltando de 72 meses para 80 meses. Em relação aos planos médios, estão em 41 meses, igualando-se ao patamar do primeiro semestre de 2008. Já a inadimplência acima de 90 dias encerrou o período com índice de 5,5% na carteira de CDC.

"Neste primeiro semestre de 2009, o setor apresentou uma boa evolução, com o quadro de queda das taxas de juros e sensível alongamento dos planos de financiamento, porém com estabilidade nos planos médios", afirma Luiz Montenegro, presidente da Anef. "Esses fatos apontam para um sinal positivo de reação do segmento em relação aos impactos da crise internacional, mostrando que a confiança do consumidor vem sendo retomada."

Nos primeiros seis meses de 2009, 58% das vendas de automóveis e comerciais leves foram a prazo. Desse total, 27% ocorreram por meio de leasing, 26% foram por CDC e 5% por consórcio. Em relação às vendas de veículos comerciais (caminhões e ônibus), 54% foram por Finame, 22% por leasing, inclusive Finame leasing, 12% por CDC e 2% por meio de Consórcio. No setor de motocicletas, 42% das vendas ocorreram por meio de CDC, 32% por Consórcio e 3% por meio de leasing.