domingo, 4 de outubro de 2009

FRIBOI


A incrível aventura global do Friboi




Com um peculiar estilo de gestão batizado de Frog -- ou "From Goiás" -- e a providencial ajuda do BNDES, a família Batista transformou a JBS-Friboi na mais globalizada das empresas brasileiras e no segundo maior grupo privado do país. Não é pouco. Mas, a partir de agora, a aventura ficará bem mais difícil

Por Tiago Lethbridge, de Greeley, e Márcio Juliboni, de São Paulo | 01/10/2009

Por décadas, a família Monfort foi o maior orgulho da pequena Greeley, cidade de aproximadamente 100 000 habitantes no norte do Colorado. Eles eram os Matarazzo do pedaço -- viraram nome de escola, hospital, museu e campo de futebol. Nos anos 30, em meio à Grande Depressão, o empresário Warren Monfort comprou 18 cabeças de gado e começou a dar forma àquele que se tornaria o maior empregador da cidade. Três décadas depois, a família decidiu montar uma fábrica de processamento de carne. Nessa época, a cidade ficou famosa pelo aroma pouco agradável que as pastagens exalavam (o problema foi contornado depois de algum tempo). A fábrica dos Monfort se tornaria o principal pilar da Swift, a maior processadora de carne bovina dos Estados Unidos. Até 2007, o status dos Monfort como reis de Greeley se manteve inabalado -- até que chegaram à cidade os Batista, os brasileiros donos da JBS-Friboi. "Nunca tinha ouvido falar nos Batista até o dia em que a JBS comprou a Swift", disse a EXAME Richard Monfort, neto de Warren e dono do time de beisebol do estado, o Colorado Rockies. "Eles são agressivos demais. Olhe a quantidade de empresas que eles compraram depois da Swift. É impressionante."



Jbs S/A

Nome: Jbs

Setor: Bens de Consumo

Endereço: Av. Marginal Direita do Rio Tietê, 500, CEP: 05118-100

Cidade: São Paulo-SP

Telefone: 11 3144-4000/4055

Home Page: www.jbs.com.br

CNPJ: 02.916.265/0001-60

Principal Executivo: Joesley Mendonça Batista

Tipo: Privada

Controle: Brasileiro

Negócios na Bolsa?

Descrição: A Friboi, fundada em 1953, tem sete abatedouros e fornece cerca de 70 itens para os mercados interno e externo, com clientes nos Estados Unidos e na Europa. O frigorífico expandiu a atuação com as aquisições da Bordon (GO), da Anglo (GO) e de unidades da Sadia em Barra do Garças (MT) e Andradina (SP). O grupo abate 1,2 milhão de cabeças de gado por ano. Também faz parte do patrimônio do Friboi a marca de produtos de limpeza Minuano.


BANCO JBS = ANÁLISE QUINZENAL DA ECONOMIA BRASILEIRA.

http://www.bancojbs.com.br/EconomiaBrasileira14.pdf



sexta-feira, 2 de outubro de 2009

CARTEIRA DE AÇÕES






Spinelli lista 10 ações em sua carteira recomendada para o mês de outubro

SÃO PAULO - A corretora Spinelli divulgou sua carteira recomendada para outubro, com dez ações que, segundo os analistas, revelam-se boas opções de investimento para o mês.

Para o período, ocorreram cinco mudanças em relação ao portfólio anterior. Saíram os papéis de Brookfield, Agra, Brasil Ecodiesel, Marfrig e Suzano, que deram espaço para as ações de Usiminas, Bradesco, JBS, BM&F Bovespa e Telesp.

Os analistas revelam que as alterações visam aumentar o foco na atividade interna brasileira, em detrimento do mercado de commodities.

Em setembro, o portfólio recomendado registrou valorização de 8,08%, pouco abaixo da performance do Ibovespa, que acumulou alta de 8,90%.

Confira a carteira:

Empresa Código Preço-alvo Upside* Peso
Bradesco BBDC4 R$ 36,00 2,6% 10%
Banco do Brasil BBAS3 Em revisão -10%
Redecard RDCD3 R$ 33,50 24,5% 8%
Satipel SUZB5 R$ 13,20 18,4% 8%
JBS JBSS3 R$ 12,70 38,6% 10%
Petrobras PETR4 R$ 45,00 32,1% 15%
Vale VALE5 R$ 45,00 26,1% 15%
BM&F Bovespa BVMF3 R$ 13,20 2,4% 8%
Usiminas USIM3 R$ 50,30 13,2% 8%
Telesp TLPP4 Em revisão - 8%

*Potencial de valorização em 12 meses, com base no fechamento de 1 de outubro

Banco do Brasil A Spinelli destaca o bom resultado postado pela companhia no segundo trimestre deste ano, que segundo os analistas, "foi positivo em vários aspectos e melhor que o verificado nos bancos grandes brasileiros". A corretora exalta o crescimento da carteira de crédito do banco, baseado na segmento de pessoa física, que apresenta melhores margens e menor aceleração da indimplência.

Bradesco "Passado o período de forte aumento nas provisões contra inadimplência e estagnação na concessão de crédito, o Bradesco deve apresentar comportamento melhor no terceiro trimestre, aproveitando a recuperação da economia brasileira" afirma a corretora.

Vale A mineradora já apresenta forte recuperação nos volumes exportados para praças importantes, como a Europa e o Japão. "Considerando o uso corrente de capacidade praticamente total por parte das mineradoras australianas, atualmente a Vale é a companhia melhor posicionada para tirar proveito desta conjuntura, melhorando as perspectivas para seus resultados no terceiro trimestre".

Petrobras Os analistas destacam o bom resultado apresentado no segundo trimestre deste ano, que superou as expectativas do mercado. "O principal destaque do resultado pode ser atribuído aos efeitos da otimização do parque de refino nacional, cujo contínuo aprimoramento através do Programa de Maximização de Diesel tem possibilitado maior extração deste derivado como proporção da Carga Fresca Processada, com reflexos na melhora de margens e na sua balança comercial".

Redecard A companhia apresentou forte desempenho no segundo trimestre, e os analistas se mostram otimistas com as perspectivas mesmo com os entraves causados pela mudança regulatória no setor. "Supomos que o impacto é administrável e será compensado pelo crescimento das demais linhas de receita" afirmam.

JBS A corretora revela que, após o anúncio da aquisição da Pilgrim's Pride e da fusão com a Bertin, ela atualizou suas projeções de resultado e valuation para a JBS, encontrando considerável espaço para upside e aumento na geração de caixa, considerando o ganho de receitas e a captura de sinergias esperadas com as referidas transações.

BM&F Bovespa A retomada dos negócios na Bovespa no segundo trimestre, com a redução do nível de aversão ao risco nos mercados, a recuperação das bolsas e o aumento do interesse dos investidores estrangeiros pelo mercado brasileiro, têm favorecido as evoluções tecnológicas implementadas pela bolsa brasileira, como DMA (Acesso Direto ao Mercado). A Spinelli aponta a possibilidade de que a bolsa faça novas associações, e aposta na repercussão favorável destas sobre as ações da BM&F Bovespa.

Usiminas Com o elevado guidance estabelecido no início do ano, a empresa foi forçada a adotar uma estratégia agressiva de vendas, visto que a recuperação econômica não ocorre de maneira acelerada, o que pode se traduzir em um melhor resultado no próximo trimestre.

Satipel Como resultado de sua associação com a Duratex, formaram a maior empresa de painéis de madeira do hemisfério sul, além do segundo maior produtor de louças sanitárias do Brasil e líder na produção de metais sanitários no mercado doméstico. "Acreditamos que a melhor maneira de investir na nova empresa seja optar pela aquisição dos papéis da Satipel, já que a Duratex está com um pequeno prêmio sobre a relação de troca definida, dada a maior liquidez" afirmam os analistas.

Telesp A companhia mantém boa regularidade nos resultados e deverá se beneficiar do crescimento de serviços mais especializados de telefonia, que geram maiores receitas. "Apesar da imagem da companhia ter sofrido um pouco com os problemas enfrentados recentemente com o Speedy, lembramos que ela prima pela forte geração de caixa e baixa alavancagem" aponta a corretora.

BRASIL =ESPORTES : OLÍMPIADAS 2016.


Jogos 2016: Turismo será um dos grandes beneficiados com a prova no Rio de Janeiro

A cidade do Rio de Janeiro foi eleita pelo Comité Olímpico Internacional (COI), hoje, para sediar os 31º Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, em 2016. A previsão é que o aumento no número de turistas estrangeiros no Brasil em 2016 seja de 10% a 15% superior ao que será registrado no ano anterior (2015).

Para se ter uma ideia do montante que isso pode representar em receitas no futuro, basta recordar os dados actuais do Banco Central, que revelaram uma entrada recorde de dólares no Brasil durante o ano de 2008. Os turistas estrangeiros gastaram no país US$ 5,785 bilhões, 133% a mais do que 2003. Mesmo nos anos anteriores, os investimentos e obras gerados com as Olimpíadas devem impulsionar o sector, especialmente com turistas de negócios.

Concorrendo com Madrid, Chicago e Tóquio, o Rio de Janeiro já sinalizava que poderia ganhar quando, no último relatório de avaliação das quatro cidades concorrentes divulgado pelo COI, seu dossier foi qualificado como “de muito alta qualidade”.

O Ministro do Turismo, Luiz Barretto, que integrou a delegação brasileira em Copenhaga, avaliou os ganhos do país com o evento em 2016. “Dou os parabéns a todas as pessoas e entidades envolvidas nesse projecto vitorioso. Hoje é um dia de comemorações para todos nós, brasileiros, que pela primeira vez iremos organizar um dos mais importantes eventos de todo o planeta. As Olimpíadas vão proporcionar uma exposição e promoção não só da cidade, mas de todo o Brasil no exterior. Este será um ganho incalculável para nosso turismo e para a nossa economia no longo prazo”, disse Barretto.

É a primeira cidade a sediar uma Olimpíada na América do Sul, e sendo famosa por possuir algumas das paisagens naturais mais belas do mundo, a Cidade Maravilhosa, como é chamada pelos brasileiros, fará desta edição dos jogos um evento sensacional. Não apenas por possuir todos os requisitos para sediar um evento de grande porte e importância como uma Olimpíada, mas por oferecer aos atletas a oportunidade de realizar as suas provas olímpicas num cenário exuberante, e atrair turistas que, igualmente, poderão desfrutar da beleza e dos segmentos turísticos do Rio de Janeiro e também de outras cidades do Brasil.

“A realização dos Jogos Olímpicos, antecedidos por um Mundial de Futebol, além de um enorme legado de infra-estruturas que tem impacto directo no turismo, significará pelo menos quatro anos de uma mega campanha publicitária, que transformará a imagem do país. É uma grande oportunidade de promoção e vamos mostrar o mundo que, além de belas praias, diversidade cultural e natural, temos também infra-estruturas para nos consolidarmos como um dos grandes destinos de eventos internacionais do mundo”, avalia Jeanine Pires, Presidente da Embratur.

A decisão do COI teve em consideração parametros como desenvolvimento económico, infra-estruturas, segurança e alojamento, além da beleza do local e a alegria do povo carioca, que apoiou a candidatura do Rio em 85%. Além de vitória para o desporto e para a economia do Rio de Janeiro e do Brasil, sediar uma Olimpíada será, para o turismo brasileiro, uma grande oportunidade para mostrar o forte potencial turístico que possui. Recente pesquisa da empresa ORC Worldwide constatou que a combinação entre custo, efectividade, paixão, hospitalidade, paisagens e clima tornam o Rio de Janeiro o local ideal para os turistas que acompanharem os Jogos Olímpicos.

Outros estudos revelam que o Rio de Janeiro é uma cidade que merece sediar eventos como este e, porque não, ser conhecida por todos. Eleita a cidade mais feliz do mundo, segundo pesquisa feita numa amostra de 10 mil pessoas em 20 países pela revista económica Forbes, o Rio de Janeiro também recebeu o título da cidade mais cordial do mundo, proferido pelas universidades de Michigan e da Califórnia. Além disto, teve um dos seus principais monumentos, o Cristo Redentor, eleito como uma das novas Sete Maravilhas do Mundo Moderno.

De acordo com o Estudo da Demanda Turística Internacional, do Ministério do Turismo, o destino turístico brasileiro mais visitado por turistas estrangeiros a lazer é o Rio de Janeiro (30,2%). No segmento de negócios, eventos e convenções, o Rio aparece como segundo destino mais visitado, com 24,7%.


Dados do turismo brasileiro:


•O Brasil ocupa o 7º lugar como destino de eventos internacionais no ranking da ICCA (International Congress and Convention Association), a maior entidade internacional do segmento de meetings do mundo.

•O Fórum Económico Mundial, na terceira edição do Relatório de Competitividade em Viagens & Turismo, divulgada este ano, classifica o Brasil em 45º lugar, dos 133 países analisados. É o primeiro da América do Sul. No item recursos naturais, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking.

•Estudo divulgado também em 2009 pelo World Travel and Tourism Council (WTTC) afirma que o Brasil ocupa o 13º lugar no ranking da economia do turismo, entre os 181 países pesquisados, e em primeiro lugar entre os países latino-americanos.

Perfil do turista estrangeiro que vai ao Rio de Janeiro:

•Dos turistas estrangeiros que visitam o Rio de Janeiro, 22,5% são dos Estados Unidos; 8,1% são da França; 6,9% da Argentina; 5,8% são da Inglaterra e 4,9% são do Chile.

•A principal motivação do turista estrangeiro que elege a Cidade Maravilhosa para viajar é o lazer (53,1%). A segunda fica por conta de negócios, eventos e convenções (28,5%).

•O segmento de lazer mais procurado pelo turista estrangeiro que escolhe o Rio de Janeiro é Sol & Praia (44,6%), seguido de Cultura (22,1%), Ecoturismo (20,6%) e Desportos (6,0%). A permanência média do turista estrangeiro no Rio de Janeiro é de 15,5 dias e o gasto médio é de 60 euros por dia.



VEJA O FILME :
http://tvuol.uol.com.br/#view/id=video-institucional-do-comite-rio-2016-04023466CC994366/user=e8h4xmy8lnu8/date=2009-10-02&&list/type=tags/tags=53104/edFilter=all/

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

TENDÊNCIAS - DÓLAR.


PORTFÓLIO-Não vale a pena investir no dólar
28 de Setembro de 2009 | 19:36

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar comercial fechou com queda de 0,47 por cento nesta segunda-feira, na BM&FBovespa. No ano, a moeda norte-americana acumula uma depreciação de mais de 23 por cento em relação ao real. O dólar está tentadoramente barato, vale a pena investir nele?

A pesquisa Focus com as expectativas do mercado financeiro para o dólar divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central indica que os prognósticos para o fim de 2009 são de um dólar cotado a 1,80 real. Na ponta do lápis, isso quer dizer que, para o mercado, o dólar ainda terá uma valorização de pouco mais de meio por cento este ano.

Um dólar em queda constante traz à memória a situação em meados de 2007, antes de a crise econômica desabar sobre o mercado. A moeda norte-americana chegou a ser cotada a um mínimo de 1,5593 real no início de agosto de 2008, pressionada pelo aparentemente irresistível fluxo de divisas para a economia brasileira.

Quando a crise mostrou toda a sua força, o dólar chegou a um máximo de 2,50 reais no início de dezembro passado, uma apreciação de 60 por cento em menos de quatro meses. Qual o risco de isso voltar a ocorrer? O dólar está barato demais e pode voltar a surpreender os investidores? Ou, indo direto ao ponto, vale a pena investir no dólar?

TRÊS RAZÕES

Para os especialistas, a resposta é não. A moeda norte-americana deverá apresentar alguns momentos de turbulência até o fim do ano, mas a causa antecedente dos solavancos de 2008 está afastada. O mercado sempre poderá apresentar alguns trancos, mas, estruturalmente, há menos motivos para o dólar voltar a surpreender.

A maior previsibilidade do dólar pode ser explicada por três grandes motivos. O primeiro é que o grau de alavancagem do mercado financeiro hoje é várias ordens de grandeza menor do que o em 2007 e no primeiro semestre de 2008.

Um bom exemplo foi o comportamento das cotações do petróleo no mercado internacional. Antes da crise, as cotações do barril chegaram a 140 dólares, nível mais alto da história. Uma parte dessa sobrevalorização era a expectativa com o aumento da demanda. Outra parte, porém, era especulação, especialmente dos fundos de hedge.

Com a ruptura dos diques do sistema financeiro, o petróleo retrocedeu a um mínimo de 40 dólares por barril, e só agora estabilizou-se numa faixa entre 65 e 70 dólares por barril. Tanto os 40 quanto os 140 dólares representavam uma distorção, provocada pela especulação financeira.

O mercado internacional do petróleo continua tão imprevisível quanto sempre foi. A diferença é que há menos dinheiro, menos profissionais gerindo fundos de hedge e menos apetite por risco dos gestores sobreviventes. O que ocorre com o petróleo vale para todos os ativos, especialmente o dólar.

O segundo motivo é que a economia brasileira vai continuar a ser um contraponto para a crise mundial. Mais uma vez, o acompanhamento sistemático das pesquisas Focus mostra uma lenta porém segura melhoria das expectativas com relação ao comportamento do Produto Interno Bruto (PIB).

Os prognósticos para 2009 deverão mostrar uma projeção de crescimento, ainda que de centésimos de ponto percentual, a partir das primeiras pesquisas de outubro. Para 2010, as projeções voltaram a subir e agora são de 4,5 por cento, ante os 4,2 por cento da semana passada.

Até o Fundo Monetário Internacional (FMI) está mais otimista e elevou sua projeção do crescimento médio mundial em 2010 para 3 por cento, em vez dos 2,5 por cento anteriores. Tudo isso reflete-se em um fluxo maior de dólares para o Brasil, especialmente no caso de investimentos diretos.

Finalmente, apesar de todos os cenários positivos, os juros brasileiros continuarão a ser bastante superiores à média mundial, drenando uma fração, ainda que pequena, da elevada liquidez internacional.

Com tudo isso, há poucas razões para acreditar em uma alta estruturada e persistente do dólar. A moeda norte-americana deverá manter sua trajetória de depreciação em relação ao real brasileiro, exceto em movimentos pontuais de alta provocados pelo noticiário --que deverão ser esporádicos, limitados e de curta duração
.

* O jornalista Cláudio Gradilone assina a coluna Portfólio para a Reuters; as opiniões expressas são de sua responsabilidade.

sábado, 26 de setembro de 2009

PIB POSITIVO NO SEMESTRE


Melhor que a encomenda: saiu o PIB do segundo trimestre, coim expansão de 1,9% sobre o primeiro, que tivera retração de 0,8%. Com isso, o PIB do primeiro semestre de 2009 acumula avanço de 1,1% no ponta a ponta, retirando o Brasil da lista dos países em recessão pós-crise global financeira. Em valores correntes, o PIB de abril a junho somou R$ 756,2 bi. De janeiro a março, R$ 684,6 bi.

A alta do PIB do primeiro semestre deste ano foi 1,5% menor que a de igual período de 2008, com crescimento dos serviços (2,1%) insuficiente para compensar as quedas na indústria (-8,6%) e na agropecuária (-3,0%).

Primeiros semestres
Na comparação semestral, a maior redução (-11,2%) foi sofrida pela indústria de transformação seguida pela construção civil (-9,6%), pela de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (-4,1%) e pela indústria extrativa (-0,9%).

Entre os serviços, destaque para a alta nos bancos e seguradoras (7,0%), nos serviços de informação (6,1%), na administração, educação e saúde públicas (3,0%), e nos serviços imobiliários e aluguel (1,5%). Quedas foram registradas nos setores de transporte, armazenagem e correio (-5,4%) e comércio (-5,0%).

Mas continuaram positivas as taxas de consumo: 2,5% na administração pública e 2,3% nas famílias. Os investimentos tiveram baixa singificativa (15,6%), assim como as importações (-16,3%) e as exportações (-13,1%).

Primeiro e segundo
Boa notícia é que, na comparação dos dois trimestres iniciais deste ano, a indústria fechou o período com alta de 2,1%, e os serviços, de 1,2%. A agropecuária apresentou variação negativa de 0,1%.

Na mesma comparação, o consumo das famílias cresceu 2,1% e o do governo caiu 0,1%. Os investimentos, ou formação bruta de capital fixo, permaneceu estável, as exportações aumentaram 14,1% e as importações, 1,5%.

Segundos trimestres
A queda de 1,2% no PIB do segundo trimestre de 2009, comparado ao de igual período de 2008, foi causada, principalmente, pela retração de 7,9% na indústria e de 4,2% na agropecuária. Os serviços tiveram expansão de 2,4%. O IBGE explica a redução na taxa da agropecuária pela perda de safra de alguns produtos importantes (caso da soja, do milho e do café) e fraco desempenho nos setores de pecuária, silvicultura e exploração florestal.

O problema maior foi na indústria, pois todas as atividades apresentaram taxas negativas, sendo a maior delas a da indústria de transformação (-10,0%), influenciada principalmente pela menor produção nos setores de máquinas e equipamentos, metalurgia, peças e acessórios para veículos, mobiliário, vestuário e calçados. Também houve retração de 9,5% na construção civil, de 4,0% em eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana. Na indústria extrativa mineral, a redução foi de 0,8%, com a extração de minérios ferrosos caindo 27,4% e a de petróleo e gás natural aumentando 5,9%.

A expansão dos serviços (2,4%) veio do desempenho positivo na intermediação financeira e seguros (8,2%), já de volta ao patamar do terceiro trimestre de 2008, e de serviços de informação (6,8%, leia-se celular e informática). Também avançaram a administração, saúde e educação públicas (2,8%) e os serviços imobiliários e aluguel (1,4%). Em queda transporte de carga e passageiros, armazenagem e correio (-5,3%), comércio atacadista e varejista (-4,0%), por conta do mau resultado da indústria de transformação.

O que mantém a bola em campo é o consumo das famílias, com aumenta pelo 23º trimestre consecutivo, destaca o IBGE. Ao confrontar o segundo trimestre deste ano ao de 2008, antes da crise, notou-se que o consumo das famílias cresceu 3,2%, graças ao aumento da massa salarial real (3,3%) e à maior oferta de crédito (20,3% em termos nominais).

Também o governo aumentou seus gastos (2,2%), nessa comparação, mas os investimentos caíram 17,0%, o maior recuo desde o início da série, em 1996, explicado, principalmente, pela redução da produção interna de máquinas e equipamentos.

Mais: tanto as exportações (-11,4%) quanto as importações (-16,5%) de bens e serviços continuaram em declínio, quando analisados os resultados desses dois segundos trimestres.

12 meses
Mas, considerando-se o período de 12 meses terminado no segundo trimestre de 2009, o PIB teve crescimento de 1,3%, em relação a intervalo igual imediatamente anterior - ajudado, mais pelos impostos (alta de 1,6%) que pelo valor adicionado (alta de 1,2%). Nessa comparação, o IBGE detectou aumento em serviços de 3,1% e na agropecuária, de 0,2%, com queda de 3,0% na indústria.

Destaques positivos, na comparação de 12 meses: indústria extrativa mineral (1,5%), eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana ( 0,2%), serviços de informação (7,8%), intermediação financeira e seguros (6,9%), administração, educação e saúde públicas (2,9%) e serviços imobiliários e aluguel (2,0%).

A administração pública consumiu 4,2% mais, as famílias, 3,5% mais. Detalhe negativo: a formação bruta de capital fixo caiu 2,2%, depois de 20 trimestres de crescimento seguidos nessa base de comparação. No setor externo, tanto as exportações (-7,6%) como as importações (-0,8%) de bens e serviços caíram.

No segundo trimestre, o PIB, a preços de mercado alcançou R$ 756,2 bi, sendo R$ 652,4 bi referentes a valor adicionado e R$ 103,8 bi a impostos sobre produtos. No primeiro, R$ 684,6 bi, sendo R$ 584,6 bi de produto e R$ 100 bi de impostos.
(11/09/2009) JOELMIR BETTING.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

LEHMAN BROTHERS


Um ano depois da falência do Lehman Brothers, regulação bancária continua fraca
De Marc Jourdier (AFP).

WASHINGTON, EUA — A quebra do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008, expôs os defeitos do sistema de regulamentação e vigilância bancária americano, que permanece cheio de brechas um ano depois apesar do projeto de reforma proposto pelo governo de Barack Obama.

Um exemplo ilustrativo da cegueira dos reguladores: uma das principais autoridades de controle, o presidente do Federal Reserve (Fed) Ben Bernanke, disse no dia 15 de julho de 2008 que o sistema bancário americano estava 'bem capitalizado'.

Desde então, mais de 100 bancos americanos entraram com pedidos de falência além do Lehman.

Os maiores pontos fracos do sistema já foram identificados: divisão de tarefas, normas frouxas e reguladores permissivos, além de uma política de remunerações que estimula riscos desnecessários e da ausência de controle sobre setores inteiros do setor financeiro.

Ambicioso, o plano de reforma da regulamentação lançado por Obama não racionaliza o sistema, mas tenta "preencher as lacunas", como explicou recentemente à rede de televisão CNBC o ex-representante republicano Michael Oxley.

O governo propõe a criação de um Conselho de Vigilância dos Serviços Financeiros, cuja função seria identificar novos riscos e coordenar a ação dos reguladores.

Além disso, a administração planeja reunir todas as instituições financeiras (bancos, fundos de investimento e companhias de seguros) cuja quebra colocaria em risco o conjunto do sistema sob um regulador único - neste caso, o Fed - e endurecer as normas dos fundos próprios de todas estas entidades.

Estas iniciativas foram bem recebidas por analistas que não discutem a legitimidade do Fed neste âmbito, mas a racionalização do sistema ficou limitada.

"Temos uma estrutura de regulação insensata, com seis reguladores diferentes para os bancos, e isto considerando todos os reguladores estaduais como um só órgão", destacou recentemente Douglas Elliott, especialista sobre regulamentação financeira da Brookings Institution.

A reforma manterá cinco reguladores, apesar da opinião de analistas que acreditam que este número deveria ser reduzido a dois.

Sobre os bônus pagos a diretores de bancos, o governo cedeu e optou por não se envolver nesta questão.

Por outro lado, o plano prevê que praticamente todos os participantes do mundo das finanças se submetam a reguladores, em particular os fundos especulativos e os operadores dos mercados de produtos derivados, que atualmente atuam sem fiscalização.

A reforma ainda deve passar pelo Congresso, e a lição da história é que a regulação financeira sempre está atrasada em relação às inovações.

Para convencer os congressistas, membros do governo apontam que é necessário aproveitar a crise para garantir que a catástrofe iniciada em 2008 não se repita.

O ex-corretor da bolsa Henry Blodget, que perdeu quase todas as suas economias na bolha da internet, no começo desta década, afirma, no entanto, que as lições da atual crise serão rapidamente esquecidas.

"Vamos criar (...) novos sistemas de regulação, colocar um monte de gente na prisão e fazer tudo o que falta para nos convencermos de que tudo será diferente da próxima vez, e assim o será enquanto a opinião pública se lembrar deste desastre", escreveu em dezembro na revista Atlantic Monthly.

"Mas, assim que esta crise entrar para o passado, nossas prioridades mudarão lentamente e começaremos a nos preparar para a próxima grande bolha".

Copyright © 2009 AFP.

domingo, 13 de setembro de 2009

PERSONAGENS


Alfred Winslow Jones, o pai dos hedge funds; ou seria Keynes?

Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira
11/09/09 - 19h30
InfoMoney


SÃO PAULO - Desta vez, Personagens do Mercado vai atrás de um longo objeto de estudos dos agentes: a administração dos riscos. A partir desta premissa, a história aponta para o nome de Alfred Winslow Jones, tido como o pai dos hedge funds.

Com raízes na sociologia, pode-se dizer que Winslow caiu de paraquedas no mundo dos investimentos. Por outro lado, apenas suas origens o separam da rotina dos mercados. Por mais que seus passos não tivessem esta pretensão, acabaram por colocá-lo entre as figuras fundamentais para a atual estrutura dos mercados financeiros.

Vida, liberdade e propriedade
Nascido na Austrália, em 1900, foi morar nos Estados Unidos logo aos quatro anos. Com 23 anos, recebeu seu diploma de Harvard, com estudos na área de sociologia. Depois de trabalhar como tesoureiro de um navio mercante, passou a integrar o Serviço de Diplomacia dos Estados Unidos, se tornando vice-cônsul norte-americano em Berlin na época da ascensão de Hitler e da Grande Depressão dos Estados Unidos.

Em 1941, já de volta aos Estados Unidos, recebeu o doutorado em sociologia pela Universidade de Columbia. Sua tese, "Life, Liberty and Property" tratava das atitudes tomadas no ambiente de uma firma de Akron, no estado de Ohio. A revista Fortune se interessou, publicando diversos trechos do trabalho.

Com o passar do tempo, Winslow se juntou ao editorial da Fortune, tendo contato mais direto com a rotina dos mercados. Ao escrever o artigo "Fashions in Forecasting", pensou mais a fundo sobre análise técnica de ações, formulando suas primeiras ideias para o que viria a ser seu fundo.

Travas
Através da A.W. Jones and Co., sua companhia de investimentos, Winslow buscava encontrar uma maneira de eliminar os riscos de mercado com a utilização de operações travadas. A ideia inicial era comprar algumas ações alavancado e vender outras a descoberto.

Suas compras e vendas tinham de envolver o mesmo montante no total. Analisadas separadamente, as duas operações podem ser consideradas arriscadas e de caráter altamente especulativo. Combinadas, no entanto, resultariam em um portfólio conservador, pois mitigaria o risco de mercado.

Além de prevenir eventuais perdas, a estratégia, quando certeira em relação à tendência, permitia que o fundo de Winslow ganhasse nas duas pontas, seja pela valorização das ações compradas, porque já as detinha, seja pela queda dos papéis vendidos a descoberto, pois poderia adquiri-los por valor inferior.

Hedge fund, pela primeira vez
O fato é que a alta rentabilidade das operações de Wislow passou a chamar atenção. Ainda assim, o termo "hedge fund", propriamente dito, só iria aparecer 17 anos depois, em uma matéria da Fortune sobre o assunto. "Há razões para acreditar que o melhor gestor de investimentos dos dias atuais é um senhor quieto e quase nunca fotografado que se chama Alfred Winslow Jones".

O fato é que, em uma base de cinco anos, a A.W. Jones havia performado a rentabilidade média obtida pelos fundos mútuos em cerca de 44%. Os números e a chamada da Fortuna renderam popularidade à estratégia e pontuaram o surgimento da indústria de hedge funds. Quase três anos depois da publicação, eram contabilizados cerca de 140 hedge funds no mercado norte-americano.

A década de 1970, no entanto, freou o ímpeto dos hedge funds, principalmente por ser um período extremamente negativo para as commodities, por conta sobretudo do choque do petróleo. Posteriormente, nomes como o Quantum Fund de George Soros e o LTCM - Long Term Capital Management -, dos Nobeis Myron Scholes e Robert Merton foram popularizados.

Winslow ou Keynes?
Mesmo não aparecendo nos manuais como o pioneiro do que hoje é considerada a bilionária indústria dos hedge funds, o pai da teoria macroeconômica John Maynard Keynes não pode ser desassociado desta história. Por trás de seu legado como economista, Keynes se revelava um investidor de ótimos resultados.

Uma matéria de 2007 do The New York Times trata Keynes como "day trader", relacionando suas atividades ao surgimento do que depois viria a ser chamado de hedge. De um período entre 1928 e 1945, Keynes obteve um rendimento médio de 13,2% em suas aplicações, contra um período de relativa estabilidade da bolsa britânica (+0,5%).

O segredo estava em estratégias combinadas. Além das posições em ações, Keynes mantinha posições correlacionadas em títulos públicos, moedas e commodities, sempre utilizando sua percepção superior a respeito dos fenômenos macroeconômicos. Recorrendo aos princípios de risco específico (diversificável ou idiossincrático) e risco sistêmico (não-diversificável ou de mercado), a ideia básica era que todos os investimentos estavam sujeitos a mudanças no ambiente econômico.

Proteção
O livro "Hedge fund investment management", de Izzy Nelken, cita que, em 1930, Keynes explicou que "mesmo se a oferta e a demanda estão equilibradas, os preços à vista devem exceder os preços futuros pelo tanto que os produtores [de commodities] estão dispostos a sacrificar para se protegerem, a fim de evitar o risco de flutuações de preços durante seu período produtivo".

Em resumo, na tentativa de atrair os especuladores a assumir o risco destas flutuações, os produtores tenderiam a vender sua produção para entrega futura com um desconto em relação à expectativa para os preços à vista no futuro, explica a obra de Nelken.